{"id":7458,"date":"2013-04-27T00:00:00","date_gmt":"2013-04-27T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2013-04-27T00:00:00","modified_gmt":"2013-04-27T00:00:00","slug":"Psicanalista-afirma-que-ninguem-deveria-se-preocupar-se-o-parceiro-transa-com-outra-pessoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2013\/04\/27\/Psicanalista-afirma-que-ninguem-deveria-se-preocupar-se-o-parceiro-transa-com-outra-pessoa\/","title":{"rendered":"Psicanalista afirma que ningu\u00e9m deveria se preocupar se o parceiro transa com outra pessoa"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 7 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\"><br \/>\n<em>Voc&ecirc; sente calafrios s&oacute; de pensar que n&atilde;o tem dom&iacute;nio sobre a vida sexual do seu parceiro ou parceira<\/em>? Segundo a psicanalista e escritora Regina Navarro Lins, acreditar que &eacute; poss&iacute;vel controlar o desejo de algu&eacute;m &eacute; apenas uma das mentiras do amor rom&acirc;ntico.<\/p>\n<p>\n&quot;&Eacute; comum alimentar a fantasia de que s&oacute; controlando o outro h&aacute; a garantia de n&atilde;o ser abandonado&quot;, afirma ela, que lan&ccedil;ou recentemente &quot;O Livro do amor&quot;(<span style=\"font-family: Arial\">Ed. Best Seller<\/span>). Dividida em dois volumes(<span style=\"font-family: Arial\">&quot;Da Pr&eacute;-Hist&oacute;ria &agrave; Renascen&ccedil;a&quot; e &quot;Do Iluminismo &agrave; Atualidade&quot;<\/span>), a obra traz a trajet&oacute;ria do amor e do sexo no Ocidente da Pr&eacute;-Hist&oacute;ria ao s&eacute;culo 21 e exigiu cinco anos de pesquisas.<\/p>\n<p>\nRegina, que &eacute; consultora do programa &quot;<em>Amor &amp; Sexo<\/em>&quot;, apresentado por Fernanda Lima na Rede Globo, acredita que, na segunda metade deste s&eacute;culo, muita coisa ainda vai mudar: &quot;<em>Ter v&aacute;rios parceiros ser&aacute; visto como natural. Penso que n&atilde;o haver&aacute; modelos para as pessoas se enquadrarem<\/em>&quot;, diz ela. Leia a entrevista concedida pela psicanalista ao UOL Comportamento.<\/p>\n<p>\n<strong>UOL Comportamento:<\/strong> <em>Na sua pesquisa para escrever <\/em>&quot;<em>O Livro do Amor&quot;, o que voc&ecirc; encontrou de mais bonito e de mais feio sobre o amor<\/em>?<\/p>\n<p><strong>Regina Navarro Lins:<\/strong> Embora &quot;<em>O Livro do Amor<\/em>&quot; n&atilde;o trate do amor pela humanidade, e sim do amor que pode existir entre um homem e uma mulher, ou entre dois homens ou duas mulheres, a primeira manifesta&ccedil;&atilde;o de amor humano &eacute; muito interessante. Ela ocorreu h&aacute; aproximadamente 50 mil anos, quando passaram a enterrar os mortos &ndash;coisa que n&atilde;o ocorria at&eacute; ent&atilde;o&ndash; e a ornamentar os t&uacute;mulos com flores. O que encontrei de mais feio no amor foi a opress&atilde;o da mulher e a repress&atilde;o da sexualidade.<\/p>\n<p><strong>UOL Comportamento:<\/strong> <em>Como voc&ecirc; imagina a humanidade na segunda metade deste s&eacute;culo<\/em>?<\/p>\n<p><strong>Regina:<\/strong> Os modelos tradicionais de amor e sexo n&atilde;o est&atilde;o dando mais respostas satisfat&oacute;rias e isso abre um espa&ccedil;o para cada um escolher sua forma de viver. Quem quiser ficar 40 anos com uma &uacute;nica pessoa, fazendo sexo s&oacute; com ela, tudo bem. Mas ter v&aacute;rios parceiros tamb&eacute;m ser&aacute; visto como natural. Penso que n&atilde;o haver&aacute; modelos para as pessoas se enquadrarem. Na segunda metade do s&eacute;culo 21, provavelmente, as pessoas viver&atilde;o o amor e o sexo bem melhor do que vivem hoje.<\/p>\n<p><strong>UOL Comportamento:<\/strong> <em>Voc&ecirc; fala sobre as mentiras do amor rom&acirc;ntico. Quais s&atilde;o elas<\/em>?<\/p>\n<p><strong>Regina:<\/strong> O amor &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o social; em cada &eacute;poca se apresenta de uma forma. O amor rom&acirc;ntico, que s&oacute; entrou no casamento a partir do s&eacute;culo 20, e pelo qual a maioria de homens e mulheres do Ocidente tanto anseia, n&atilde;o &eacute; constru&iacute;do na rela&ccedil;&atilde;o com a pessoa real, que est&aacute; ao lado, e sim com a que se inventa de acordo com as pr&oacute;prias necessidades.<\/p>\n<p>Esse tipo de amor &eacute; calcado na idealiza&ccedil;&atilde;o do outro e prega a fus&atilde;o total entre os amantes, com a ideia de que os dois se transformar&atilde;o num s&oacute;. Cont&eacute;m a ideia de que os amados se completam, nada mais lhes faltando; que o amado &eacute; a &uacute;nica fonte de interesse do outro(<span style=\"font-family: Arial\">&eacute; por isso que muitos abandonam os amigos quando come&ccedil;am a namorar<\/span>); que cada um ter&aacute; todas as suas necessidades satisfeitas pelo amado, que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel amar duas pessoas ao mesmo tempo, que quem ama n&atilde;o sente desejo sexual por mais ningu&eacute;m.<\/p>\n<p>A quest&atilde;o &eacute; que ele n&atilde;o se sustenta na conviv&ecirc;ncia cotidiana, porque voc&ecirc; &eacute; obrigado a enxergar o outro com aspectos que lhe desagradam. N&atilde;o d&aacute; mais para manter a idealiza&ccedil;&atilde;o. A&iacute; surge o desencanto, o ressentimento e a m&aacute;goa.<\/p>\n<p><strong>UOL Comportamento:<\/strong> <em>Por que voc&ecirc; diz que o amor rom&acirc;ntico est&aacute; dando sinais de sair de cena?<\/em><\/p>\n<p><strong>Regina:<\/strong> A busca da individualidade caracteriza a &eacute;poca em que vivemos; nunca homens e mulheres se aventuraram com tanta coragem em busca de novas descobertas, s&oacute; que, desta vez, para dentro de si mesmos. Cada um quer saber quais s&atilde;o suas possibilidades, desenvolver seu potencial.<\/p>\n<p>O amor rom&acirc;ntico prop&otilde;e o oposto disso, pois prega a fus&atilde;o de duas pessoas. Ele ent&atilde;o come&ccedil;a a deixar de ser atraente. Ao sair de cena est&aacute; levando sua principal caracter&iacute;stica: a exig&ecirc;ncia de exclusividade. Sem a ideia de encontrar algu&eacute;m que te complete, abre-se um espa&ccedil;o para outros tipos de relacionamento, com a possibilidade de amar mais de uma pessoa de cada vez.<\/p>\n<p><strong>UOL Comportamento:<\/strong> <em>E como fica o casamento<\/em>?<\/p>\n<p><strong>Regina:<\/strong> &Eacute; prov&aacute;vel que o modelo de casamento que conhecemos seja radicalmente modificado. A cobran&ccedil;a de exclusividade sexual deve deixar de existir. Acredito que, daqui a algumas d&eacute;cadas, menos pessoas estar&atilde;o dispostas a se fechar numa rela&ccedil;&atilde;o a dois e se tornar&aacute; comum ter rela&ccedil;&otilde;es est&aacute;veis com v&aacute;rias pessoas ao mesmo tempo, escolhendo-as pelas afinidades. A ideia de que um parceiro &uacute;nico deva satisfazer todos os aspectos da vida pode vir a se tornar coisa do passado.<\/p>\n<p><strong>UOL Comportamento:<\/strong> <em>S&oacute; de pensar na possibilidade de ter um relacionamento em que a monogamia n&atilde;o &eacute; uma regra, muitos casais t&ecirc;m calafrios. Por que<\/em>?.<\/p>\n<p><strong>Regina:<\/strong> Reprimir os verdadeiros desejos n&atilde;o significa elimin&aacute;-los. W.Reich (<span style=\"font-family: Arial\">psicanalista austr&iacute;aco<\/span>) afirma que todos deveriam saber que o desejo sexual por outras pessoas constitui parte natural da puls&atilde;o sexual.<\/p>\n<p>Pesquisando o que estudiosos do tema pensam sobre as motiva&ccedil;&otilde;es que levam a uma rela&ccedil;&atilde;o extraconjugal na nossa cultura, fiquei bastante surpresa. As mais diversas justificativas apontam sempre para problemas emocionais, insatisfa&ccedil;&atilde;o ou infelicidade na vida a dois. N&atilde;o li em quase nenhum lugar o que me parece mais &oacute;bvio: embora haja insatisfa&ccedil;&atilde;o na maioria dos casamentos, as rela&ccedil;&otilde;es extraconjugais ocorrem principalmente porque as pessoas gostam de variar. As pessoas podem ter rela&ccedil;&otilde;es extraconjugais e, mesmo assim, ter um casamento satisfat&oacute;rio do ponto de vista afetivo e sexual.<\/p>\n<p>A exclusividade sexual &eacute; a grande preocupa&ccedil;&atilde;o de homens e mulheres. Mas ningu&eacute;m deveria se preocupar se o parceiro transa com outra pessoa. Homens e mulheres s&oacute; deveriam se preocupar em responder a duas perguntas: Sinto-me amado(<span style=\"font-family: Arial\">a<\/span>)? Sinto-me desejado(<span style=\"font-family: Arial\">a<\/span>)? Se a resposta for &quot;<em>sim<\/em>&quot; para as duas, o que o outro faz quando n&atilde;o est&aacute; comigo n&atilde;o me diz respeito. Sem d&uacute;vida as pessoas viveriam bem mais satisfeitas.<\/p>\n<p><strong>UOL Comportamento:<\/strong> Como as pessoas poderiam viver melhor no amor e no sexo?<\/p>\n<p><strong>Regina:<\/strong> Para haver chance de se viver a dois sem tantas limita&ccedil;&otilde;es, homens e mulheres precisam efetuar grandes mudan&ccedil;as na maneira de pensar e de viver.<\/p>\n<p>Acredito que para uma rela&ccedil;&atilde;o a dois valer a pena, alguns fatores s&atilde;o primordiais: total respeito ao outro e ao seu jeito de ser, suas ideias e suas escolhas; nenhuma possessividade ou manifesta&ccedil;&atilde;o de ci&uacute;me que possa limitar a vida do parceiro; poder ter amigos e programas em separado; nenhum controle da vida sexual do parceiro, mesmo porque &eacute; um assunto que s&oacute; diz respeito &agrave; pr&oacute;pria pessoa.<\/p>\n<p>Poucos concordam com essas ideias, pois &eacute; comum se alimentar a fantasia de que s&oacute; controlando o outro h&aacute; a garantia de n&atilde;o ser abandonado. A quest&atilde;o &eacute; que n&atilde;o &eacute; t&atilde;o simples. Para viver bem &eacute; preciso ter coragem.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 7 minutos Voc&ecirc; sente calafrios s&oacute; de pensar que n&atilde;o tem dom&iacute;nio sobre a vida sexual do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[49],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7458"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7458"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7458\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7458"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7458"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7458"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}