{"id":7488,"date":"2013-05-10T00:00:00","date_gmt":"2013-05-10T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2013-05-10T00:00:00","modified_gmt":"2013-05-10T00:00:00","slug":"Unesp-pesquisa-producao-de-arroz-com-baixo-consumo-de-agua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2013\/05\/10\/Unesp-pesquisa-producao-de-arroz-com-baixo-consumo-de-agua\/","title":{"rendered":"Unesp pesquisa produ\u00e7\u00e3o de arroz com baixo consumo de \u00e1gua"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 6 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\"><br \/>\n<span style=\"color: #ff0000\"><span style=\"font-family: Arial\"><strong><em>Arroz inundado consome de 24 a 30% de toda &aacute;gua doce dispon&iacute;vel no mundo. Estudo realizado no campus de Botucatu desperta interesse internacional.<\/em><\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p><strong>Botucatu(SP) &#8211; <\/strong>Uma pesquisa brasileira sobre o cultivo de arroz em condi&ccedil;&otilde;es n&atilde;o alagadas, com o fornecimento de &aacute;gua pelas chuvas e complementado por sistema de irriga&ccedil;&atilde;o por aspers&atilde;o nos per&iacute;odos secos, vem despertando forte interesse internacional. O estudo, coordenado por Carlos Alexandre Costa Crusciol, professor titular da Faculdade de Ci&ecirc;ncias Agron&ocirc;micas da Universidade Estadual Paulista(<span style=\"font-family: Arial\">Unesp<\/span>), em Botucatu, e realizado com apoio da FAPESP, foi publicado recentemente pelo peri&oacute;dico Agronomy Journal, com expressiva repercuss&atilde;o, principalmente na &Aacute;sia.<\/p>\n<p>\nO motivo &eacute; f&aacute;cil de entender: o cultivo de arroz pelo sistema tradicional de irriga&ccedil;&atilde;o por inunda&ccedil;&atilde;o(<span style=\"font-family: Arial\">no qual os cultivares recebem uma l&acirc;mina de &aacute;gua de cerca de 7 a 10 cent&iacute;metros por at&eacute; 120 dias<\/span>) consome de 24% a 30% de toda a &aacute;gua doce dispon&iacute;vel no mundo. E a &aacute;gua doce tornou-se um dos recursos mais preciosos do planeta, disputado n&atilde;o apenas pelos diferentes pa&iacute;ses, mas tamb&eacute;m no interior de cada pa&iacute;s, entre o campo e as cidades, entre as atividades produtivas e o consumo individual, entre a agropecu&aacute;ria e a ind&uacute;stria. &ldquo;<em>Nossa pesquisa mostrou que &eacute; poss&iacute;vel alcan&ccedil;ar um n&iacute;vel de produtividade elevado, com grande economia de &aacute;gua<\/em>&rdquo;, disse Crusciol.<\/p>\n<p>\nO cultivo de arroz em condi&ccedil;&otilde;es aer&oacute;bicas do solo, isto &eacute;, em ch&atilde;o firme(<span style=\"font-family: Arial\">os termos t&eacute;cnicos para esse tipo de cultura s&atilde;o &ldquo;arroz de sequeiro&rdquo; ou &ldquo;arroz de terras altas&rdquo;<\/span>), n&atilde;o constitui novidade no Brasil. Isso tem sido feito h&aacute; muito tempo, principalmente na regi&atilde;o do Cerrado. O fato novo, resultante da pesquisa, foi alcan&ccedil;ar um alto patamar de produtividade gra&ccedil;as &agrave; complementa&ccedil;&atilde;o h&iacute;drica mediante a irriga&ccedil;&atilde;o por aspers&atilde;o. &ldquo;<em>Sem a complementa&ccedil;&atilde;o h&iacute;drica, a m&eacute;dia de produtividade &eacute; aproximadamente 2.700 quilos por hectare, enquanto que no cultivo inundado &eacute; poss&iacute;vel chegar em m&eacute;dia a 7.000 kg\/ha. Com a complementa&ccedil;&atilde;o h&iacute;drica &agrave; cultura, temos obtido produtividades de at&eacute; 6.000 kg\/ha, gastando muito menos &aacute;gua<\/em>&rdquo;, afirmou o pesquisador.<\/p>\n<p>\nPara ter ideia do impacto que essa inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica pode vir a ter na produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola, basta considerar que, atualmente, 65% dos arrozais brasileiros utilizam o sistema de sequeiro ou terras altas. Mas, dependendo unicamente das chuvas para a hidrata&ccedil;&atilde;o, respondem por apenas 35% do arroz produzido.<\/p>\n<p>\n&ldquo;<em>A explica&ccedil;&atilde;o para essa baixa produtividade &eacute; que o arroz, domesticado em ambientes inundados, apresenta baixa toler&acirc;ncia &agrave; falta d&rsquo;&aacute;gua, principalmente no per&iacute;odo de pr&eacute;-flora&ccedil;&atilde;o e de flora&ccedil;&atilde;o. Se ocorre um veranico(<span style=\"font-family: Arial\">isto &eacute;, uma sucess&atilde;o de dias quentes e secos<\/span>) nessa fase cr&iacute;tica, o resultado para a safra &eacute; desastroso. Mas complementando o fornecimento de &aacute;gua proveniente das chuvas com a irriga&ccedil;&atilde;o por aspers&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel descartar o risco decorrente da instabilidade clim&aacute;tica e praticamente dobrar a produtividade m&eacute;dia<\/em>&rdquo;, resumiu Crusciol.<\/p>\n<p>\nNo experimento conduzido por ele, a irriga&ccedil;&atilde;o por aspers&atilde;o respondeu por apenas 8,7% da &aacute;gua fornecida aos cultivares durante o primeiro ano, sendo o restante origin&aacute;rio das chuvas. E o aumento de produtividade foi de 54,4%. No ano seguinte, a irriga&ccedil;&atilde;o por aspers&atilde;o forneceu 14,5% da &aacute;gua, obtendo-se um incremento de 48,1%. &ldquo;<em>Como se percebe imediatamente pelos n&uacute;meros, a t&eacute;cnica proporciona aumento expressivo de produtividade, chegando a n&iacute;veis compat&iacute;veis com os do sistema de irriga&ccedil;&atilde;o por inunda&ccedil;&atilde;o(<span style=\"font-family: Arial\">arroz nos ambientes alagados<\/span>), por&eacute;m esse aumento n&atilde;o &eacute; proporcional &agrave; quantidade de &aacute;gua fornecida por irriga&ccedil;&atilde;o<\/em>&rdquo;, comentou o pesquisador.<\/p>\n<p>\nAl&eacute;m da irriga&ccedil;&atilde;o complementar, um fator adicional que contribuiu para o &ecirc;xito do experimento foi a alta qualidade do arroz brasileiro, resultante de v&aacute;rias d&eacute;cadas de melhoramento por sele&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica &ndash; inicialmente promovida pelo Instituto Agron&ocirc;mico de Campinas (<span style=\"font-family: Arial\">IAC<\/span>) e, depois, pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu&aacute;ria(<span style=\"font-family: Arial\">Embrapa<\/span>). &ldquo;<em>Temos um dos melhores materiais do planeta, cultivares que j&aacute; possuem boa toler&acirc;ncia a curtos per&iacute;odos de estresse h&iacute;drico(<span style=\"font-family: Arial\">defici&ecirc;ncia de &aacute;gua<\/span>)<\/em>&rdquo;, informou Crusciol. &ldquo;<em>Por muitos anos, a rizicultura foi a primeira pr&aacute;tica nas &aacute;reas de expans&atilde;o agr&iacute;cola, abrindo caminho para outras atividades produtivas<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>\n&Eacute; claro que a irriga&ccedil;&atilde;o por aspers&atilde;o implica custos com a aquisi&ccedil;&atilde;o dos equipamentos(<span style=\"font-family: Arial\">piv&ocirc; central, aspersores etc.<\/span>) e com o consumo de energia el&eacute;trica(<span style=\"font-family: Arial\">para o bombeamento da &aacute;gua<\/span>). E o arroz &eacute; um produto muito barato, cujo pre&ccedil;o, por impactar fortemente a cesta b&aacute;sica, merece aten&ccedil;&atilde;o especial do governo, que o controla mediante mecanismos reguladores.<\/p>\n<p>Esse bin&ocirc;mio &#8211; <em>custo mais alto para produzir e pre&ccedil;o baixo do produto final<\/em> &ndash; tende a intimidar os agricultores. A solu&ccedil;&atilde;o, segundo Crusciol, &eacute; alternar a rizicultura com outros cultivos agr&iacute;colas, como gr&atilde;os(<span style=\"font-family: Arial\">feij&atilde;o, soja, milho doce<\/span>), fibras(<span style=\"font-family: Arial\">algod&atilde;o<\/span>) ou hortali&ccedil;as(<span style=\"font-family: Arial\">batata, tomate, piment&atilde;o etc.<\/span>), com maior valor agregado, otimizando o uso dos equipamentos e obtendo vantagens adicionais com a rotatividade das culturas, que interrompe o ciclo de pragas e doen&ccedil;as que afetam essas outras culturas, principalmente no per&iacute;odo chuvoso(<span style=\"font-family: Arial\">no qual o arroz &eacute; cultivado<\/span>).<\/p>\n<p>\nO arroz de sequeiro ou arroz de terras altas, com o fornecimento de &aacute;gua exclusivamente por meio das chuvas, vem sendo extensamente cultivado por pequenos agricultores nas regi&otilde;es mais pobres do mundo&nbsp;&#8211; na &Aacute;sia, na &Aacute;frica e na Am&eacute;rica Latina.<\/p>\n<p>\nO grande crescimento dessa alternativa, comparativamente &agrave; do plantio inundado, muito mais produtivo, n&atilde;o &eacute; uma escolha livre dos agricultores, motivada por considera&ccedil;&otilde;es ecol&oacute;gicas relativas ao bom uso da &aacute;gua, mas uma imposi&ccedil;&atilde;o at&eacute; certo ponto brutal do pr&oacute;prio desenvolvimento econ&ocirc;mico dessas &aacute;reas.<\/p>\n<p>\nNa China e na &Iacute;ndia, respectivamente o primeiro e o segundo colocado no ranking dos principais pa&iacute;ses produtores, a rizicultura tem sido empurrada para ambientes aerados(<span style=\"font-family: Arial\">ch&atilde;o seco<\/span>), devido &agrave; intensa disputa pelos recursos h&iacute;dricos, cada vez mais absorvidos pelo acelerado crescimento urbano e industrial.<\/p>\n<p>\nNesse contexto, a inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica constitu&iacute;da pela irriga&ccedil;&atilde;o por aspers&atilde;o dos cultivares de sequeiro poder&aacute; ter importante repercuss&atilde;o n&atilde;o apenas econ&ocirc;mica, mas tamb&eacute;m social. N&atilde;o espanta que os especialistas chineses tenham ficado t&atilde;o interessados na pesquisa brasileira.<\/p>\n<p>\nDeve-se ressaltar que a divulga&ccedil;&atilde;o de resultados referentes a essa linha de pesquisa vinha sendo feita desde o in&iacute;cio dos anos 2000. Por&eacute;m, veiculada em revistas brasileiras, escritas em portugu&ecirc;s, era praticamente desconhecida fora do pa&iacute;s. A publica&ccedil;&atilde;o no Agronomy Journal a inseriu no &acirc;mbito internacional.<\/p>\n<p>\n<\/span><span style=\"color: #ff0000\"><strong><em><span style=\"font-size: xx-small\"><span style=\"font-family: Arial\">* Com Jos&eacute; Tadeu Arantes da Ag&ecirc;ncia Fapesp.<\/span><\/span><\/em><\/strong><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 6 minutos Arroz inundado consome de 24 a 30% de toda &aacute;gua doce dispon&iacute;vel no mundo. 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