{"id":7491,"date":"2013-05-10T00:00:00","date_gmt":"2013-05-11T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2013-05-10T00:00:00","modified_gmt":"2013-05-10T00:00:00","slug":"Juri-absolve-PMs-acusados-da-morte-de-PC-Farias-e-namorada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2013\/05\/10\/Juri-absolve-PMs-acusados-da-morte-de-PC-Farias-e-namorada\/","title":{"rendered":"J\u00fari absolve PMs acusados da morte de PC Farias e namorada"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 7 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\"><br \/>\n<strong>Macei&oacute;(AL) &#8211; <\/strong>Depois de cinco dias de j&uacute;ri popular, os quatro ex-seguran&ccedil;as acusados da morte do empres&aacute;rio Paulo C&eacute;sar Cavalcante Farias, o PC Farias, e sua namorada, Suzana Marcolino da Silva, foram absolvidos pelos jurados. A decis&atilde;o foi lida pelo juiz Maur&iacute;cio Br&ecirc;da, da 8&ordf; Vara Criminal de Macei&oacute;, na noite desta sexta-feira(<span style=\"font-family: Arial\">10Maio2013<\/span>). Os jurados, no entanto, reconheceram a tese de duplo homic&iacute;dio que foi apresentada pela acusa&ccedil;&atilde;o, sem identificar os autores do crime.<\/p>\n<p>\nOs ex-seguran&ccedil;as Adeildo Costa dos Santos, Josemar Faustino dos Santos, Jos&eacute; Geraldo da Silva e Reinaldo Correia de Lima Filho eram acusados de duplo homic&iacute;dio triplamente qualificado&nbsp;&#8211; por motivo torpe, sem possibilidade de defesa da v&iacute;tima e impunidade. A defesa alegou que Suzana matou PC Farias e se matou em seguida. Os quatro s&atilde;o policiais militares e nunca foram detidos.<\/p>\n<p>\nAs mortes de PC Farias e Suzana Marcolino ocorreram na madrugada de 23 de junho de 1996, na casa de veraneio do ex-tesoureiro de Fernando Collor de Mello, em Guaxuma, litoral norte de Macei&oacute;.<\/p>\n<p>\nSegundo a den&uacute;ncia do MPE(<span style=\"font-family: Arial\">Minist&eacute;rio P&uacute;blico Estadual<\/span>), eles foram omissos e n&atilde;o evitaram o assassinato do casal. A den&uacute;ncia do MPE, por&eacute;m, n&atilde;o apontava mandante ou autor material do crime.<\/p>\n<p>\nEm seus depoimentos &agrave; Justi&ccedil;a, os r&eacute;us falaram pouco e jogaram a responsabilidade do crime para Suzana Marcolino, alegando que n&atilde;o houve uma terceira pessoa dentro da casa. O policial Geraldo chegou a afirmar que, naquela madrugada, ouviu uma briga entre PC e Suzana.<\/p>\n<p>\nNenhum dos dois ex-seguran&ccedil;as que estavam na casa na madrugada do crime(<span style=\"font-family: Arial\">Adeildo e Geraldo<\/span>) afirmaram ter ouvido disparos &#8211; os outros dois militares acusados entraram no servi&ccedil;o para render os dois colegas por volta das 8h30 do dia da morte. Os demais funcion&aacute;rios na casa tamb&eacute;m alegam n&atilde;o ter escutado tiros.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>&Eacute; aquela coisa, ningu&eacute;m podia imaginar que ia acontecer uma coisa daquelas<\/em>&quot;, disse Adeildo, citando que as &uacute;ltimas palavras de PC foram para perguntas se estava &quot;tudo bem&quot; na casa.<\/p>\n<p>\nO promotor Marcos Mousinho disse que ficou satisfeito com o resultado do j&uacute;ri. &quot;<em>A tese do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, de duplo homic&iacute;dio, foi aceita. Os r&eacute;us foram absolvidos por clem&ecirc;ncia dos jurados<\/em>&quot;, afirmou o promotor. Ele disse que vai analisar a senten&ccedil;a para ver se recorrer&aacute; da decis&atilde;o do j&uacute;ri.<\/p>\n<p>\nSegundo o advogado de defesa dos r&eacute;us, Jos&eacute; Fragoso Cavalcanti, apesar da tese de homic&iacute;dio seguido de suic&iacute;dio ter sido descartada pelos r&eacute;us, a sensa&ccedil;&atilde;o &eacute; de &quot;<em>dever cumprido<\/em>&quot;. &quot;<em>Isso para n&oacute;s, agora, &eacute; indiferente. Eu sei o que aconteceu naquela casa, que foi um homic&iacute;dio e suic&iacute;dio. O que vale &eacute; que os inocentes foram anistiados<\/em>&quot;, afirmou.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><strong>Duplo homic&iacute;dio<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nO julgamento foi marcado por um confronto de teses. Durante sua acusa&ccedil;&atilde;o aos jurados, o promotor alegou que os seguran&ccedil;as sabiam que PC Farias e Suzana estavam sendo mortos, &quot;mas n&atilde;o fizeram nada pra impedir.&quot; &quot;<em>A lei prev&ecirc; a a&ccedil;&atilde;o ou omiss&atilde;o que resultam em uma causa. E eles deram causa, dolosa e relevante para produ&ccedil;&atilde;o do fato(<span style=\"font-family: Arial\">crime<\/span>)<\/em>&quot;, disse.<\/p>\n<p>\nPara o promotor, a policia alagoana &quot;<em>trabalhou para provar um suic&iacute;dio<\/em>&quot; desde o in&iacute;cio e n&atilde;o investigou uma segunda linha, com a possibilidade de o casal ter sido assassinado. Por conta disso, ele alegou que o mandante do crime &quot;<em>nunca ser&aacute; conhecido<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nA tese de duplo homic&iacute;dio ganhou for&ccedil;a ap&oacute;s a reabertura das investiga&ccedil;&otilde;es, em maio de 1997, quando o ent&atilde;o juiz do caso, Alberto Jorge Correia, solicitou uma segunda per&iacute;cia, a pedido do MPE, que descartou a possibilidade de Suzana ter se matado.<\/p>\n<p>\nO m&eacute;dico-legista e professor da USP(<span style=\"font-family: Arial\">Universidade de S&atilde;o Paulo<\/span>) Daniel Munhoz, respons&aacute;vel pelo novo laudo, disse no julgamento que, ao ser morta, Suzana estava em posi&ccedil;&atilde;o de defesa, e n&atilde;o haveria chance de suic&iacute;dio. Al&eacute;m disso, havia maior quantidade de vest&iacute;gios na palma da m&atilde;o, ou seja, &quot;<em>t&iacute;pico de quem estava tentando se proteger<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nO perito da segunda investiga&ccedil;&atilde;o, Domingo Tochetto, afirmou que o exame residuogr&aacute;fico n&atilde;o apontou para a exist&ecirc;ncia de part&iacute;culas met&aacute;licas oriundas de tiro mas m&atilde;os da v&iacute;tima. A conclus&atilde;o da per&iacute;cia foi de que Suzana n&atilde;o teria atirado naquela madrugada. &quot;<em>Um tiro deixa part&iacute;culas de chumbo, b&aacute;rio e antim&ocirc;nio. Mesmo lavando a pele, essas part&iacute;culas met&aacute;licas permanecem por longo tempo, e n&atilde;o havia nenhuma nas m&atilde;os de Suzana<\/em>&quot;, garantiu.<\/p>\n<p>\nOutro ponto alegado pela acusa&ccedil;&atilde;o foi a destrui&ccedil;&atilde;o de provas do caso. Entre elas est&aacute; a queima do colch&atilde;o do crime que foi feita pelo caseiro Leonino Ten&oacute;rio Carvalho, tr&ecirc;s dias ap&oacute;s as mortes. Ele disse que recebeu ordens de Fl&aacute;vio Almeida, chefe da seguran&ccedil;a de PC Farias, que teria recebido a autoriza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;cia. Em entrevista, o promotor chegou a dizer que a arma do crime foi perdida no F&oacute;rum de Macei&oacute;.<\/p>\n<p>\nA irm&atilde; de Suzana, a jornalista Anna Luizza Marcolino, disse que o celular e as agendas da v&iacute;tima nunca foram devolvidas pelos seguran&ccedil;as de PC, o que teria dificultado as investiga&ccedil;&otilde;es. Ela tamb&eacute;m que garantiu que a irm&atilde; n&atilde;o teria motivo para se matar.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><strong>Crime passional<br \/>\n<\/strong><\/span><\/span><\/span>A tese da defesa, de crime passional seguido de suic&iacute;dio, se baseou na primeira investiga&ccedil;&atilde;o policial, que concluiu que Suzana teria matado PC por conta da iminente fim do relacionamento. Al&eacute;m disso, laudos apontaram que Suzana era ciumenta e com &quot;<em>alta tend&ecirc;ncia de suic&iacute;dio<\/em>&quot;. Segundo a ex-cunhada de PC Farias, Milane Maia, PC e Suzana &quot;<em>contavam rindo<\/em>&quot; sobre as constantes brigas pelo ci&uacute;me dela.<\/p>\n<p>\nA defesa alegou que o perfil de Suzana, aliado &agrave; iminente separa&ccedil;&atilde;o, comprovam a tese de crime passional. &quot;<em>Suzana estava vendo o &#8216;castelo ruir&#8217; e matou PC. Ela dizia a todo mundo que queria um namorado rico, e ia perder<\/em>&quot;, alegou o advogado Jos&eacute; Fragoso Cavalcanti. A tese tamb&eacute;m que levou em conta per&iacute;cia feita por uma equipe que tinha como principal respons&aacute;vel o m&eacute;dico-legista Badan Palhares, da Unicamp.<\/p>\n<p>\nSegundo Palhares, a conclus&atilde;o de que houve homic&iacute;dio seguido de suic&iacute;dio veio, entre outros pontos, ap&oacute;s an&aacute;lises de manchas de sangue que ficaram no corpo de Suzana. Al&eacute;m disso, a posi&ccedil;&atilde;o do tiro e a falta de elementos de que uma terceira pessoa esteve dentro do quarto do casal refor&ccedil;am a tese.<\/p>\n<p>\nUma das testemunhas de defesa foi a filha de PC, Ingrid Pereira de Farias, que anistiou a responsabilidade dos seguran&ccedil;as e confirmou que Suzana &quot;<em>ela era muito ciumenta<\/em>&quot;. &quot;<em>Ele me disse(<span style=\"font-family: Arial\">dois dias antes da morte<\/span>) que estava querendo acabar o namoro porque n&atilde;o estava feliz<\/em>&quot;, garantiu.<\/p>\n<p>\nPor&eacute;m, segundo a tia de Ingrid, os filhos de PC Farias chegaram a questionar a vers&atilde;o e a suposta falta de interesse numa maior investiga&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;cia para tentar analisar outras poss&iacute;veis vers&otilde;es. A vers&atilde;o foi confirmada pela suposta amante de PC e piv&ocirc; da separa&ccedil;&atilde;o, Cl&aacute;udia Dantas.<\/p>\n<p>\nO irm&atilde;o de PC, Augusto Farias, afirmou que o empres&aacute;rio contratou um detetive para seguir Suzana e descobriu que estava sendo tra&iacute;do. Por conta disso e de uma &quot;<em>nova paix&atilde;o<\/em>&quot;, iria terminar o relacionamento. Al&eacute;m das provas t&eacute;cnicas, a defesa tamb&eacute;m apresentou como argumento a compra de um rev&oacute;lver por Suzana, a uma propriet&aacute;ria de churrascaria, nove dias antes do crime.<\/p>\n<p>\nSegundo testemunhou a prima de Suzana, Z&eacute;lia Maria Maciel, ela chegou a praticar tiro a alvo com amigos &agrave;s v&eacute;speras das mortes. Suzana tamb&eacute;m teria dito que estaria gr&aacute;vida e que iria &quot;<em>casar com um homem rico<\/em>&quot;. A defesa dos r&eacute;us argumentou que Suzana simulou a gravidez.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 7 minutos Macei&oacute;(AL) &#8211; Depois de cinco dias de j&uacute;ri popular, os quatro ex-seguran&ccedil;as acusados da morte [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[19],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7491"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7491"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7491\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7491"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7491"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7491"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}