{"id":7624,"date":"2013-07-30T00:00:00","date_gmt":"2013-07-30T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2013-07-30T00:00:00","modified_gmt":"2013-07-30T00:00:00","slug":"Mais-Medicos-une-sindicatos-contra-Dilma-e-Padilha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2013\/07\/30\/Mais-Medicos-une-sindicatos-contra-Dilma-e-Padilha\/","title":{"rendered":"Mais M\u00e9dicos une sindicatos contra Dilma e Padilha"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 15 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\"><br \/>\n<strong>Bras&iacute;lia(DF) &#8211;<\/strong> A cria&ccedil;&atilde;o do Programa Mais M&eacute;dicos pela presidente Dilma Rousseff consolidou no movimento sindical m&eacute;dico brasileiro uma tend&ecirc;ncia oposta ao adesismo que marcou outros setores nos dez anos de governo petista.<\/p>\n<p>\nDesde o lan&ccedil;amento do programa, quando Dilma anunciou seus dois eixos &#8211; a importa&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dicos estrangeiros e a cria&ccedil;&atilde;o de um segundo ciclo de dois anos na gradua&ccedil;&atilde;o de estudantes de medicina para que atendam ao Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de(<span style=\"font-family: Arial\">SUS<\/span>) -, as mais representativas entidades m&eacute;dicas do pa&iacute;s declararam guerra ao Pal&aacute;cio do Planalto e prometem atrapalhar os planos do PT em 2014.<\/p>\n<p>\nEm um movimento in&eacute;dito, a Associa&ccedil;&atilde;o M&eacute;dica Brasileira(<span style=\"font-family: Arial\">AMB<\/span>), o Conselho Federal de Medicina(<span style=\"font-family: Arial\">CFM<\/span>) e a Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos M&eacute;dicos(<span style=\"font-family: Arial\">Fenam<\/span>) unificaram o discurso de combate ao governo.<\/p>\n<p>\nIsso foi poss&iacute;vel ap&oacute;s uma substitui&ccedil;&atilde;o no comando da Fenam, em maio de 2012, quando o grupo do neurologista Cid Carvalhaes, ligado ao PT, foi substitu&iacute;do pelo anestesista Geraldo Ferreira, filiado ao PPS, partido de oposi&ccedil;&atilde;o a Dilma. &quot;<em>A partir da nossa posse, iniciamos um processo de desaparelhamento. Antes rezavam a cartilha do governo. Hoje j&aacute; formamos a ideia de que h&aacute; um sentimento grande de que o governo &eacute; antim&eacute;dico. Eles nos veem como burgueses privilegiados que precisam ser destru&iacute;dos<\/em>&quot;, diz Ferreira.<\/p>\n<p>\nFerreira conta que h&aacute; m&eacute;dicos que avaliam que o estrago da classe na campanha de Dilma tem potencial de milh&otilde;es de votos. &quot;<em>Somos 400 mil m&eacute;dicos mais 200 mil estudantes. Um m&eacute;dico rec&eacute;m-formado tem um prontu&aacute;rio de 1 mil pacientes, um com tempo de carreira, 20 mil pacientes. Fora os familiares. Fa&ccedil;a as contas<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nN&atilde;o fala, por&eacute;m, para onde esses votos podem ser direcionados. Apenas para onde podem n&atilde;o ser direcionados. &quot;<em>A classe m&eacute;dica n&atilde;o &eacute; boa de eleger. &Eacute; boa de n&atilde;o eleger. E h&aacute; tr&ecirc;s palavras que circulam muito nos m&eacute;dicos: &quot;Fora Dilma&quot;, &quot;Fora Mercadante&quot; e &quot;Fora Padilha&quot;&quot;.<\/em><\/p>\n<p>\nA Fenam &eacute; uma entidade sindical e, portanto, respons&aacute;vel pelas condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e rela&ccedil;&otilde;es de emprego dos m&eacute;dicos. A ades&atilde;o &eacute; volunt&aacute;ria, apesar da cobran&ccedil;a compuls&oacute;ria do imposto sindical. At&eacute; a era Lula, era comum que m&eacute;dicos ligados ao petismo comandassem a entidade.<\/p>\n<p>\nO antecessor de Ferreira na Fenam, Cid Carvalhaes, n&atilde;o concorda que haja atrelamento partid&aacute;rio na entidade, embora diga haver muitos m&eacute;dicos que s&atilde;o filiados a partidos pol&iacute;ticos. O Congresso Nacional &eacute; uma boa medida. Em 2010 foram eleitos 63 deputados e 16 senadores m&eacute;dicos &#8211; o equivalente a 13%. Mesmo ligado ao PT &#8211; &eacute; pr&oacute;ximo do l&iacute;der do governo na C&acirc;mara, Arlindo Chinaglia(<span style=\"font-family: Arial\">PT-SP<\/span>) &#8211; critica o Mais M&eacute;dicos. &quot;<em>N&atilde;o vejo ningu&eacute;m defendendo o programa da forma como foi apresentado. O governo foi infeliz ao misturar muita coisa em um texto s&oacute;<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nAponta ainda o formato unilateral de como as decis&otilde;es foram tomadas como prejudicial ao governo. &quot;<em>N&atilde;o &eacute; algo coerente<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nA diverg&ecirc;ncia mais forte que tem contra a atual dire&ccedil;&atilde;o da Fenam &eacute; quanto &agrave; estrat&eacute;gia para derrubar a medida. &quot;<em>As lutas pol&iacute;ticas n&atilde;o devem ser judicializadas. Talvez n&atilde;o seja estrategicamente adequado. &Eacute; uma precipita&ccedil;&atilde;o, pois n&atilde;o se aguardou o pronunciamento do Congresso<\/em>&quot;. As tr&ecirc;s entidades acionaram a Justi&ccedil;a contra a medida provis&oacute;ria(<span style=\"font-family: Arial\">MP<\/span>) que criou o programa.<\/p>\n<p>\nDas tr&ecirc;s entidades, a Fenam &eacute; aquela em que h&aacute; maior ativismo partid&aacute;rio, muito embora seus integrantes afirmem que isso &eacute; manifestado de maneira individual, n&atilde;o corporativa. Tanto que as chapas montadas s&atilde;o formadas por integrantes dos mais variados partidos. Ou mesmo de nenhum. O que ajuda a isolar o governo na discuss&atilde;o sobre o Mais M&eacute;dicos.<\/p>\n<p>\nRelator da MP no Congresso, o deputado Rog&eacute;rio Carvalho(<span style=\"font-family: Arial\">PT-SE<\/span>) conhece seus formuladores &#8211; <em>o ministro da Sa&uacute;de, Alexandre Padilha, e o secret&aacute;rio de Gest&atilde;o do Trabalho e da Educa&ccedil;&atilde;o na Sa&uacute;de, Mozart Sales<\/em> &#8211; desde os anos 90, quando militaram pelo PT no movimento estudantil.<\/p>\n<p>\nDepois, foi presidente do Sindicato dos M&eacute;dicos de Campinas e da Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos M&eacute;dicos do Estado de S&atilde;o Paulo(<span style=\"font-family: Arial\">Fenam-SP<\/span>), at&eacute; ser secret&aacute;rio de Sa&uacute;de de Aracaju e, na sequ&ecirc;ncia, de Sergipe. &quot;<em>Os melhores quadros ocupavam as entidades e depois foram para o governo. Hoje n&atilde;o tem um recorte de esquerda e de direita nas entidades. O recorte &eacute; de quem tem e quem n&atilde;o tem projeto. E quando n&atilde;o tem projeto, resvala para o interesse corporativo, inclusive ao custo de interesse p&uacute;blico<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nSegundo ele, os m&eacute;dicos petistas ainda est&atilde;o nas entidades, mas sucumbem ao discurso corporativo por uma quest&atilde;o de sobreviv&ecirc;ncia pol&iacute;tica. &quot;<em>Se n&atilde;o for assim eles n&atilde;o se mant&ecirc;m nos seus cargos. As entidades m&eacute;dicas se profissionalizaram. S&atilde;o carreiras a serem seguidas<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nAo contr&aacute;rio da Fenam, onde h&aacute; maior vincula&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria de seus integrantes, na AMB e no CFM a posi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica &eacute; mais identificada no discurso. Ambas s&atilde;o consideradas de perfil liberal e conservador.<\/p>\n<p>\nA AMB &eacute; o &oacute;rg&atilde;o associativo, onde os m&eacute;dicos se organizam em sociedades de especializa&ccedil;&atilde;o e fornecem t&iacute;tulo de especializa&ccedil;&atilde;o. Pelo pr&oacute;prio car&aacute;ter cient&iacute;fico, &eacute; muito pr&oacute;ximo das conceituadas universidades presentes no Estado, como a Universidade de S&atilde;o Paulo(<span style=\"font-family: Arial\">USP<\/span>), a Universidade Federal de S&atilde;o Paulo(<span style=\"font-family: Arial\">antiga Escola Paulista de Medicina<\/span>) e a Universidade Estadual Paulista J&uacute;lio de Mesquita Filho (Unesp), cuja maior parte dos acad&ecirc;micos, por sua vez, tem v&iacute;nculos com o Pal&aacute;cio dos Bandeirantes, onde o condom&iacute;nio PSDB-PFL(<span style=\"font-family: Arial\">atual DEM<\/span>) se faz presente desde 1995.<\/p>\n<p>\nO maior opositor do Mais M&eacute;dicos hoje no Congresso Nacional, o deputado federal e cirurgi&atilde;o e professor da Faculdade de Medicina de S&atilde;o Jos&eacute; do Rio Preto Eleuses Paiva(<span style=\"font-family: Arial\">PSD<\/span>), presidiu a entidade entre 1999 e 2005. Antes, foi presidente do seu bra&ccedil;o paulista, a Associa&ccedil;&atilde;o Paulista de Medicina(<span style=\"font-family: Arial\">APM<\/span>).<\/p>\n<p>\nEleito pelo DEM, Paiva migrou para o partido do ex-prefeito de S&atilde;o Paulo e pr&eacute;-candidato a governador, Gilberto Kassab, em 2012. Mais do que Dilma, o maior alvo dos seus discursos &eacute; Padilha, tamb&eacute;m pr&eacute;-candidato a governador. &quot;<em>Espero que o ministro da Sa&uacute;de des&ccedil;a do palanque pol&iacute;tico. Porque ministro de &aacute;rea social envolvido em campanha pol&iacute;tica d&aacute; no que est&aacute; dando: todos os projetos est&atilde;o voltados muito mais para o interesse pessoal do que para o de melhorar definitivamente a assist&ecirc;ncia p&uacute;blica deste pa&iacute;s<\/em>&quot;. Tamb&eacute;m afirmou que Padilha &quot;<em>se agarra a subterf&uacute;gios, manipula dados, enviesa informa&ccedil;&otilde;es, ludibria a popula&ccedil;&atilde;o e prefere essa canhestra alternativa<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nO presidente da AMB, o oncologista Florentino Cardoso, assegura n&atilde;o h&aacute; atua&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria da entidade. &quot;<em>Eu nunca subi em um palanque na minha vida. Voto em pessoas, n&atilde;o em partidos<\/em>&quot;. Ele declara que s&atilde;o tr&ecirc;s os pontos que explicam a situa&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de no pa&iacute;s: corrup&ccedil;&atilde;o, m&aacute; gest&atilde;o e subfinanciamento. Ap&oacute;s avaliar que nas duas primeiras n&atilde;o h&aacute; muito o que fazer, elegeram o melhor financiamento como bandeira. Ele critica o programa. Acha que tudo o que o governo faz &eacute; &quot;<em>politiqueiro, incentiva o peleguismo, a camaradagem, o partidarismo<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nSobre 2014, aponta a estrat&eacute;gia: &quot;<em>Usaremos toda nossa for&ccedil;a de trabalho e de convencimento para que a popula&ccedil;&atilde;o mude o cen&aacute;rio. Vamos mostrar que estamos no caminho errado em todos os aspectos. Em todas as &aacute;reas. Como &eacute; a infraestrutura desse pa&iacute;s? Como &eacute; a educa&ccedil;&atilde;o? Como &eacute; a seguran&ccedil;a p&uacute;blica? A educa&ccedil;&atilde;o? A seguran&ccedil;a p&uacute;blica? A sa&uacute;de?<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nO CFM, por sua vez, &eacute; uma autarquia na qual todos os m&eacute;dicos t&ecirc;m obriga&ccedil;&atilde;o de ser registrados se quiserem atuar no pa&iacute;s. Quando foi criada, em 1951, sua &uacute;nica fun&ccedil;&atilde;o era regular a profiss&atilde;o e zelar pelo C&oacute;digo de &Eacute;tica M&eacute;dica e normatizar a profiss&atilde;o. Hoje, como diz seu site, &quot;<em>exerce um papel pol&iacute;tico muito importante na sociedade, atuando na defesa da sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o e dos interesses da classe m&eacute;dica<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nOs 28 conselheiros s&atilde;o eleitos a cada cinco anos a partir de um colegiado indicado pelas chapas vencedoras nas elei&ccedil;&otilde;es dos conselhos estaduais, que ocorrem no pr&oacute;ximo m&ecirc;s. H&aacute; ainda uma cadeira cativa para um representante da AMB, entidade que det&eacute;m mais influ&ecirc;ncia no CFM. M&eacute;dicos calculam que metade dos conselheiros costumam ser egressos dos bra&ccedil;os estaduais da AMB, 30% de sindicatos e 20% da academia.<\/p>\n<p>\nO atual presidente, o cardiologista Roberto d&quot;&Aacute;vila, conta que Padilha at&eacute; chegou a sugerir que o tensionamento das entidades decorria das elei&ccedil;&otilde;es no conselho. D&quot;&Aacute;vila respondeu: &quot;<em>Eu n&atilde;o sou candidato. Quem &eacute; candidato aqui &eacute; voc&ecirc;<\/em>&quot;. Critica o processo unilateral com que o programa foi apresentado, a despeito de, em abril, as entidades terem se reunido com Dilma no Pal&aacute;cio do Planalto, onde tiveram a garantia de que nenhuma decis&atilde;o seria tomada sem conhecimento pr&eacute;vio dos m&eacute;dicos. Ocorreu o contr&aacute;rio.<\/p>\n<p>\nAfirma ainda que desde que o PT chegou ao poder h&aacute; uma campanha para desqualificar os m&eacute;dicos. &quot;<em>O minist&eacute;rio nem nos chama mais de m&eacute;dicos, mas de profissional da sa&uacute;de. At&eacute; o Samu mudou a nomenclatura de servi&ccedil;o de atendimento m&eacute;dico para servi&ccedil;o de atendimento m&oacute;vel. H&aacute; um n&iacute;tido movimento de desqualifica&ccedil;&atilde;o<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nComo todas as outras entidades, diz haver vi&eacute;s eleitoreiro no programa. &quot;<em>Muito estranho isso ocorrer a um ano das elei&ccedil;&otilde;es, ap&oacute;s dez anos de governo do PT. Nesses dez anos n&atilde;o houve uma decis&atilde;o favor&aacute;vel ao SUS. Foi negligenciado, subfinanciado e agora querem nos colocar uma culpa que n&atilde;o nos cabe<\/em>&quot;. Confirma uma mobiliza&ccedil;&atilde;o para 2014. &quot;<em>O m&eacute;dico sabe a for&ccedil;a que tem. Sempre em meses que antecedem a elei&ccedil;&atilde;o os pacientes nos pedem orienta&ccedil;&atilde;o. Se o m&eacute;dico for politizado, poder&aacute; orientar<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nNa medida em que foi perdendo espa&ccedil;o nessas entidades, o governo apostou no apoio do Conselho Nacional de Sa&uacute;de(<span style=\"font-family: Arial\">CNS<\/span>) para levar &agrave; frente suas propostas. O &oacute;rg&atilde;o, vinculado ao Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, &eacute; a inst&acirc;ncia m&aacute;xima deliberativa do SUS. Nele h&aacute; 48 cadeiras, sendo metade de usu&aacute;rios e a outra metade dividida entre trabalhadores e prestadores de servi&ccedil;os.<\/p>\n<p>\nAp&oacute;s o ministro da Sa&uacute;de, Alexandre Padilha, compartilhar a presid&ecirc;ncia do conselho com o minist&eacute;rio por duas gest&otilde;es &#8211; fato in&eacute;dito &#8211; assumiu o posto Maria do Socorro dos Souza, indicada pela Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional dos Trabalhadores na Agricultura(<span style=\"font-family: Arial\">Contag<\/span>), um dos bra&ccedil;os petistas do movimento dos trabalhadores rurais. Foi a primeira vez que um representante de usu&aacute;rios assumiu o cargo.<\/p>\n<p>\nH&aacute; dez dias, os m&eacute;dicos decidiram abandonar o conselho. O motivo foi a rea&ccedil;&atilde;o do CNS aos vetos de Dilma no projeto do ato m&eacute;dico, aprovado por unanimidade nas duas casas do Congresso em junho. O texto aprovado ap&oacute;s mais de dez anos de tramita&ccedil;&atilde;o prev&ecirc;, por exemplo, que s&oacute; um m&eacute;dico pode chefiar servi&ccedil;?os m&eacute;dicos, diagnosticar doen&ccedil;as e prescrever seu tratamento. Dilma vetou esses trechos. O conselho apoiou.<\/p>\n<p>\nPara os m&eacute;dicos, foi mais uma a&ccedil;&atilde;o combinada entre o governo e as outras 13 profiss&otilde;es da sa&uacute;de assim consideradas pelo SUS. Algumas delas: nutricionistas, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudi&oacute;logos, dentistas, terapeutas ocupacionais, psic&oacute;logos e biom&eacute;dicos. Sob essa &oacute;tica, o governo joga esses profissionais contra os m&eacute;dicos para enfraquec&ecirc;-los no debate sobre sa&uacute;de p&uacute;blica no pa&iacute;s. Isso porque o governo sabe que eles s&atilde;o minorit&aacute;rios. Para comparar com apenas uma &aacute;rea: s&atilde;o cerca de 400 mil m&eacute;dicos no Brasil contra aproximadamente 1,5 milh&atilde;o de enfermeiros.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>O governo do PT tem como &aacute;rea mais mal avaliada a sa&uacute;de, que s&oacute; piora. A&iacute; o governo jogou com o n&uacute;mero. Somou quantos m&eacute;dicos h&aacute; e quantos outros profissionais h&aacute;. Fizeram as contas para ver quem tinha mais voto e jogaram as profiss&otilde;es contra n&oacute;s<\/em>&quot;, disse Cardoso, da AMB. &quot;<em>O governo usou o ato m&eacute;dico para dividir a categoria contra a gente. Porque neste governo &eacute; tudo assim: rico contra pobre, &iacute;ndio contra posseiro, negro contra branco, homem contra mulher. O PT e o governo trabalham bem essas divis&otilde;es da sociedade<\/em>&quot;, disse Ferreira, da Fenam.<\/p>\n<p>\nFormada em educa&ccedil;&atilde;o com especializa&ccedil;&atilde;o em pol&iacute;ticas sociais, Socorro, como &eacute; conhecida a presidente do conselho, discorda. &quot;<em>As disputas que existem na sociedade vem para o conselho, que tem uma concep&ccedil;&atilde;o popular, de representa&ccedil;&atilde;o dos segmentos da sociedade para debater sa&uacute;de p&uacute;blica. Essa &eacute; a natureza e a esfera onde os conflitos da sociedade ocorrem. Tudo aqui &eacute; defendido e votado, e os m&eacute;dicos perderam na discuss&atilde;o interna. S&oacute; que n&atilde;o aceitaram a derrota<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nEla defende os vetos e o programa Mais M&eacute;dicos. &quot;<em>Nem tudo na sa&uacute;de tem que ser protagonizado por um m&eacute;dico. N&atilde;o existe e n&atilde;o pode haver uma rela&ccedil;&atilde;o vertical nas profiss&otilde;es de sa&uacute;de, porque engessa o servi&ccedil;o e prejudica o atendimento ao usu&aacute;rio<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nAvalia que o Brasil sempre investiu muito em uma concep&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de focada na tr&iacute;ade m&eacute;dico-hospital-medicamento, o que tanto deu mais poder aos m&eacute;dicos quanto levou a popula&ccedil;&atilde;o a uma busca preferencial por hospitais para se tratar, em vez de postos de aten&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica. &quot;<em>&Eacute; essa cultura que queremos desconstruir. Defendemos outra concep&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de, que precisa de um olhar multidisciplinar<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nSocorro diz que historicamente os governos brasileiros se eximiram de regular o setor, deixando o caminho livre para o mercado. &quot;<em>O mercado &eacute; muito forte. As ind&uacute;strias farmac&ecirc;uticas t&ecirc;m peso significativo em dizer quais profissionais de quais &aacute;reas devem entrar no mercado, assim como quais as tecnologias e onde elas devem ir. &Eacute; o mercado que acaba ditando as regras<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nCandidato a presidente do PT em Campinas nas elei&ccedil;&otilde;es internas do partido em novembro, Casemiro Reis &eacute; m&eacute;dico h&aacute; 29 anos, presidente do Sindicato dos M&eacute;dicos em Campinas e da Federa&ccedil;&atilde;o dos M&eacute;dicos do Estado de S&atilde;o Paulo. Sua vis&atilde;o &eacute; semelhante &agrave; de Socorro. &quot;<em>&Eacute; o mercado que dita onde o profissional vai. A escola de medicina se moldou ao mercado<\/em>&quot;. Para ele, isso est&aacute; relacionado &agrave; ind&uacute;stria de equipamentos, que tem interesse em vend&ecirc;-los, o que encarece a forma&ccedil;&atilde;o do m&eacute;dico e do pr&oacute;prio sistema de sa&uacute;de.<\/p>\n<p>\nTamb&eacute;m aponta uma &quot;<em>elitiza&ccedil;&atilde;o dos alunos de medicina que s&atilde;o muito menos sens&iacute;veis a causas populares<\/em>&quot;. No entanto, &eacute; outro a discordar da forma como o Mais M&eacute;dicos foi apresentado. &quot;<em>Muitas lideran&ccedil;as petistas na &aacute;rea est&atilde;o fazendo oposi&ccedil;&atilde;o ao governo. Quando a pol&iacute;tica vem de encontro ao que querem os m&eacute;dicos, a gente comp&otilde;e. Se n&atilde;o, n&atilde;o<\/em>&quot;.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 15 minutos Bras&iacute;lia(DF) &#8211; A cria&ccedil;&atilde;o do Programa Mais M&eacute;dicos pela presidente Dilma Rousseff consolidou no movimento [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[29],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7624"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7624"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7624\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7624"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7624"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7624"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}