{"id":7768,"date":"2013-11-29T00:00:00","date_gmt":"2013-11-29T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2013-11-29T00:00:00","modified_gmt":"2013-11-29T00:00:00","slug":"Pais-que-elogiam-sem-criterio-criam-adultos-frageis-e-egocentricos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2013\/11\/29\/Pais-que-elogiam-sem-criterio-criam-adultos-frageis-e-egocentricos\/","title":{"rendered":"Pais que elogiam sem crit\u00e9rio criam adultos fr\u00e1geis e egoc\u00eantricos"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 7 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify\">\n<span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\">Elogiar o pr&oacute;prio filho, celebrar seus talentos, ficar feliz com seus acertos e se orgulhar de suas qualidades &eacute; uma das del&iacute;cias de ser pai e m&atilde;e. Imposs&iacute;vel n&atilde;o se envaidecer ao ver sua crian&ccedil;a ou adolescente conquistar um objetivo ap&oacute;s batalhar por aquilo ou se destacar em uma &aacute;rea na qual tenha interesse.<\/p>\n<p>\nEssa educa&ccedil;&atilde;o vem criando gera&ccedil;&otilde;es de &quot;<em>pr&iacute;ncipes e princesas<\/em>&quot; cheios de si que, apesar de se verem como seres &uacute;nicos e impec&aacute;veis, s&atilde;o, na verdade, fr&aacute;geis e n&atilde;o est&atilde;o preparados para enfrentarem as dificuldades da vida adulta. Uma grande quantidade de filhos criados nessas condi&ccedil;&otilde;es passa agora pela adolesc&ecirc;ncia e os resultados come&ccedil;am a ser vistos com mais clareza.<\/p>\n<p>\nPara a psic&oacute;loga Vera Blondina Zimmermann, coordenadora do Centro de Refer&ecirc;ncia da Inf&acirc;ncia e da Adolesc&ecirc;ncia da Unifesp(<span style=\"font-family: Arial\">Universidade Federal de S&atilde;o Paulo<\/span>), trata-se de um movimento de oposi&ccedil;&atilde;o ao tipo de educa&ccedil;&atilde;o que prevaleceu no s&eacute;culo passado.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>&Eacute; resultado das d&eacute;cadas anteriores, nas quais a educa&ccedil;&atilde;o era muito r&iacute;gida. O uso da for&ccedil;a, da viol&ecirc;ncia, a falta de liberdade de escolha do s&eacute;culo passado criaram gera&ccedil;&otilde;es que tomaram o veneno oposto. Com a ideia de que a educa&ccedil;&atilde;o com o &#8216;n&atilde;o&#8217; traumatiza, surgiu um conceito falso de que uma crian&ccedil;a reprimida seria infeliz<\/em>&quot;, diz a psic&oacute;loga Vera.<\/p>\n<p>\nA psicopedagoga Irene Maluf culpa tamb&eacute;m uma interpreta&ccedil;&atilde;o equivocada de conceitos da psicologia. &quot;<em>As pessoas entenderam errado algumas quest&otilde;es da psicologia. Come&ccedil;ou a ser dito que as crian&ccedil;as n&atilde;o podiam levar bronca, n&atilde;o se podia apontar defeitos, s&oacute; se devia elogiar porque isso levanta a autoestima. Mas, na verdade, isso levanta uma autoestima falsa<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nSoma-se a isso uma nova concep&ccedil;&atilde;o de educa&ccedil;&atilde;o, que coloca a crian&ccedil;a como o centro de aten&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia. &quot;<em>Ela passa a ser elogiada, valorizada e exaltada por tudo o que faz, ainda que sejam tarefas cotidianas. Aprende que n&atilde;o precisa fazer muito para ser recompensada. Dessa forma, n&atilde;o exercita a toler&acirc;ncia, a empatia, a colabora&ccedil;&atilde;o espont&acirc;nea e a capacidade de adiar a satisfa&ccedil;&atilde;o, caracter&iacute;sticas t&atilde;o necess&aacute;rias para o conv&iacute;vio em sociedade<\/em>&quot;, afirma Sandra Ribeiro de Almeida Lopes, psic&oacute;loga especialista em adolesc&ecirc;ncia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em S&atilde;o Paulo.<\/p>\n<p>\nEm seu consult&oacute;rio, Irene conta ter testemunhado, mais de uma vez, pais fazerem elogios desproporcionais aos feitos de seus filhos. &quot;<em>Se eu digo, o dia inteiro, que voc&ecirc; &eacute; linda, inteligente e maravilhosa, voc&ecirc; cristaliza na posi&ccedil;&atilde;o em que est&aacute;. Porque em time que est&aacute; ganhando n&atilde;o se mexe. A crian&ccedil;a congela e n&atilde;o amadurece<\/em>&quot;, declara a psic&oacute;loga.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><strong>Fragilidade<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nPara os especialistas, essas atitudes t&ecirc;m o efeito oposto ao desejado pelos pais. Em vez de fortalecer o filho, elas est&atilde;o, na verdade, deixando-o fr&aacute;gil e incapaz de agir em sua pr&oacute;pria defesa. Ele cresce sem conhecer a frustra&ccedil;&atilde;o ou a necessidade de batalhar por seus ideais e acredita ser merecedor de privil&eacute;gios que, no mundo real, n&atilde;o vir&atilde;o.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" alt=\"\" align=\"absMiddle\" width=\"465\" height=\"311\" src=\"\/UserFiles\/Image\/relacionamento\/egocentrico_465.jpg\" \/><\/p>\n<p>Segundo a psic&oacute;loga Sandra, pessoas com uma autoimagem muito elevada apresentam tamb&eacute;m excesso de confian&ccedil;a e uma avalia&ccedil;&atilde;o pouco realista de suas condi&ccedil;&otilde;es. Como consequ&ecirc;ncia, t&ecirc;m dificuldades de aceitar cr&iacute;ticas e fracassos. Al&eacute;m disso, sua interpreta&ccedil;&atilde;o das situa&ccedil;&otilde;es vir&aacute; sempre por um vi&eacute;s de persegui&ccedil;&atilde;o e injusti&ccedil;a, uma vez que o problema nunca est&aacute; com elas. A culpa &eacute; sempre do outro.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>S&atilde;o pessoas que t&ecirc;m muita dificuldade de fazer um projeto de vida coerente e sustent&aacute;vel<\/em>&quot;, diz Vera Zimmermann, da Unifesp. &quot;<em>Ela pode ser muito inteligente, mas n&atilde;o sabe cair e levantar, ent&atilde;o, n&atilde;o consegue construir nada. Faz um projeto, mas n&atilde;o tem a m&iacute;nima condi&ccedil;&atilde;o de sustentar a luta por esse ideal<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nPara a psic&oacute;loga, isso pode se manifestar desde a inf&acirc;ncia, na vontade de fazer atividades e cursos que, no primeiro obst&aacute;culo, s&atilde;o abandonados. Na adolesc&ecirc;ncia, pode aparecer, por exemplo, na falta de empenho para estudar a s&eacute;rio para passar em um vestibular para o curso sonhado.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><strong>Na escola<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nEssa postura dos pais n&atilde;o se encerra dentro de casa e acaba encontrando respaldo tamb&eacute;m nas escolas, ampliando o problema. &quot;<em>Os pais hoje s&atilde;o vistos pela maioria das escolas como clientes, ent&atilde;o, ningu&eacute;m se op&otilde;e, ningu&eacute;m diz para a crian&ccedil;a que, ao contr&aacute;rio do que os pais dela falam, ela &eacute; igual &agrave;s outras e n&atilde;o sabe nada da vida ainda. As escolas n&atilde;o fazem isso porque os pais n&atilde;o admitem<\/em>&quot;, diz a psicopedagoga Irene.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" align=\"absMiddle\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.obeabadosertao.com.br\/UserFiles\/Image\/educacao\/aluno_prova_465.jpg\" \/><\/p>\n<p>A terceiriza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o, cada vez mais comum entre pais ocupados que delegam toda a cria&ccedil;&atilde;o de seus filhos aos professores, tamb&eacute;m enfraquece a institui&ccedil;&atilde;o. Vera diz acreditar que as escolas n&atilde;o s&atilde;o capazes de educar sozinhas as crian&ccedil;as de fam&iacute;lias que n&atilde;o conseguem dizer &quot;<em>n&atilde;o<\/em>&quot; e impor limites. &quot;<em>O aluno s&oacute; respeita o professor se ele respeitou o pai e a m&atilde;e<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>Os pais t&ecirc;m se esfor&ccedil;ado para oferecer aos filhos a melhor educa&ccedil;&atilde;o formal, com boas e caras escolas, na inten&ccedil;&atilde;o de garantir a eles um futuro promissor, mas se esquecem que a forma&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo se d&aacute; dentro de casa, por meio dos valores, dos princ&iacute;pios e, principalmente, das atitudes adotadas por eles mesmos<\/em>&quot;, declara Sandra.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><strong>Quando elogiar<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nPara mudar essa tend&ecirc;ncia, deve-se come&ccedil;ar pelos adultos. Para a psicopedagoga Irene Maluf, muitos pais e m&atilde;es de hoje j&aacute; demonstram essa pouca disposi&ccedil;&atilde;o para ouvir cr&iacute;ticas e n&atilde;o admitem a possibilidade de que seus filhos n&atilde;o sejam infal&iacute;veis.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>S&atilde;o pessoas extremamente vaidosas e egoc&ecirc;ntricas. Para esses pais, o filho &eacute; perfeito, ent&atilde;o, como ele pode ter uma dislexia? N&atilde;o pode, os professores e a escola &eacute; que s&atilde;o ruins<\/em>&quot;. Segundo a especialista, se os adultos n&atilde;o conseguem enxergar as imperfei&ccedil;&otilde;es de seus filhos, eles precisam parar para pensar.<\/p>\n<p>\nAo educar, os pais devem ter sempre em mente que sua fun&ccedil;&atilde;o &eacute; preparar o filho para ser independente e forte ao longo da vida, longe do conforto da fam&iacute;lia. A psic&oacute;loga Vera Blondina Zimmermann aconselha que eles questionem, no dia a dia, como atender a um desejo do filho vai colaborar para que ele ganhe for&ccedil;a para conseguir as coisas que quer quando se tornar adulto.<\/p>\n<p>\nN&atilde;o &eacute; proibido elogiar os filhos. Pelo contr&aacute;rio, o aplauso, nos momentos certos, &eacute; essencial para a constru&ccedil;&atilde;o de uma autoestima saud&aacute;vel, mas precisa ser feito de forma realista e quando o filho realmente merecer esse reconhecimento.<\/p>\n<p>\nAl&eacute;m disso, Irene Maluf afirma que o elogio a uma crian&ccedil;a ou a um adolescente deve ser direcionado ao que foi realizado. &quot;<em>Devo falar para o meu filho &#8216;adoro voc&ecirc;, mas mentir &eacute; p&eacute;ssimo e, se voc&ecirc; fizer isso, vai ter um castigo&#8217; ou &#8216;voc&ecirc; foi muito bem na escola, vi voc&ecirc; se esfor&ccedil;ando e deu resultado, parab&eacute;ns&#8217;<\/em>&quot;, diz.<\/p>\n<p>\nSegundo a psicopedagoga, para ter uma autoestima saud&aacute;vel, os filhos t&ecirc;m de saber que os pais os amam incondicionalmente, mas que suas boas a&ccedil;&otilde;es ser&atilde;o elogiadas tanto quanto seus erros ser&atilde;o criticados.<\/p>\n<p>\n<\/span><span style=\"color: #ff0000\"><span style=\"font-size: xx-small\"><span style=\"font-family: Arial\"><em><strong>* Uol.<\/strong><\/em><\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elogios inadequados causam distor\u00e7\u00e3o na personalidade.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[49],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7768"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7768"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7768\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7768"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7768"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7768"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}