{"id":7872,"date":"2014-02-04T00:00:00","date_gmt":"2014-02-04T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2014-02-04T00:00:00","modified_gmt":"2014-02-04T00:00:00","slug":"Quando-contar-a-verdade-sobre-a-adocao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2014\/02\/04\/Quando-contar-a-verdade-sobre-a-adocao\/","title":{"rendered":"Quando contar a verdade sobre a ado\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 6 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\"><br \/>\n<span style=\"font-family: Arial\"><span style=\"color: #ff0000\"><em><strong>Medo de perder a proximidade pode levar os pais &agrave; omiss&atilde;o; ideal &eacute; tratar o assunto com naturalidade e de forma afetuosa para evitar frustra&ccedil;&otilde;es, afirma especialista.<br \/>\n<\/strong><\/em><\/span><\/span><br \/>\nAdotar uma crian&ccedil;a &eacute; um ato de amor. Disso, ningu&eacute;m duvida. A &uacute;nica confus&atilde;o que pode agitar a cabe&ccedil;a dos pais adotivos &eacute; o momento certo de contar a verdade ao filho. <em>Afinal, como tratar de um assunto t&atilde;o complexo sem deixar o pequeno, no m&iacute;nimo, curioso sobre o seu passado<\/em>? <em>De que forma abordar a quest&atilde;o e com quantos anos ele j&aacute; ser&aacute; capaz de compreender que precisava de um lar e a fam&iacute;lia, de um beb&ecirc; para amar<\/em>?.<\/p>\n<p>\nN&atilde;o existe a hora certa para abrir o jogo, o ideal &eacute; contar a verdade o quanto antes, ainda na inf&acirc;ncia, defende o psiquiatra Nelson Goldenstein, do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Especializado em reconhecer jovens com afastamento social, o m&eacute;dico refor&ccedil;a que, apesar do medo de como o filho vai se comportar diante da situa&ccedil;&atilde;o, esconder a sua hist&oacute;ria n&atilde;o &eacute; saud&aacute;vel.<\/p>\n<p>\n&ldquo;<em>Em geral, o melhor caminho para um bom relacionamento e maior desenvolvimento da forma&ccedil;&atilde;o da personalidade e da educa&ccedil;&atilde;o, &eacute; a comunica&ccedil;&atilde;o direta e livre<\/em>&rdquo;, garante Goldenstein. Na avalia&ccedil;&atilde;o do m&eacute;dico, os pais devem agir com sinceridade, independentemente da idade que o pequeno tinha quando passou a dividir o mesmo lar. &ldquo;<em>Quando a ado&ccedil;&atilde;o &eacute; mais tardia, as evid&ecirc;ncias e a mem&oacute;ria nem sequer permitem a omiss&atilde;o<\/em>&rdquo;, pondera.<\/p>\n<p>\nApesar da tranquilidade com a qual o profissional trata o assunto, ado&ccedil;&atilde;o &eacute; um tema dif&iacute;cil de ser abordado com uma crian&ccedil;a. As d&uacute;vidas da m&atilde;e e do pai sobre quando e como falar que n&atilde;o s&atilde;o biol&oacute;gicos, mas de cora&ccedil;&atilde;o, fazem muitos deles protelarem a conversa. Um comportamento inadequado, na opini&atilde;o do especialista.<\/p>\n<p>\nSegundo o psiquiatra, n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio, muito menos aconselh&aacute;vel, fugir da situa&ccedil;&atilde;o. Basta adotar uma linguagem acolhedora e honesta. &ldquo;<em>No tom da verdade afetuosa, sem pieguices. Sempre procurando mostrar que a ado&ccedil;&atilde;o foi uma atitude de amor<\/em>&rdquo;, orienta. E &eacute; importante que os pais cumpram este papel para evitar que o pequeno saiba por terceiros e se sintam tra&iacute;dos.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><strong>Espontaneidade para abordar o tema<\/strong><\/span><\/span><\/span> <br \/>\nTratar a quest&atilde;o com naturalidade. Esta &eacute; a dica para evitar frustra&ccedil;&otilde;es de ambos os lados. &ldquo;<em>O assunto deve ser discutido com espontaneidade para que a crian&ccedil;a n&atilde;o se sinta internamente inferior por conta disso<\/em>&rdquo;, refor&ccedil;a o m&eacute;dico, que lida diariamente com casos de crian&ccedil;as e adolescentes com mudan&ccedil;as de comportamentos gerais.<\/p>\n<p>\nE &eacute; exatamente assim que a fisioterapeuta Ana Paula Gusm&atilde;o, 47 anos, decidiu agir quando adotou a &uacute;nica filha. &ldquo;<em>Desde muito pequenininha, falamos que o &lsquo;papai do c&eacute;u&rsquo; nos deu o maior presente do mundo quando a adotamos ainda beb&ecirc;<\/em>&rdquo;, conta Ana, que se submeteu a diversos tratamentos de fertilidade antes de optar pela ado&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\nCom apenas seis aninhos, Rebecca Gusm&atilde;o Ara&uacute;jo parece ter maturidade suficiente para entender que a m&atilde;e n&atilde;o esperou a barriga crescer nove meses para ela nascer. &ldquo;<em>Quando come&ccedil;ou a ir &agrave; escola, surgiu a d&uacute;vida de como ela veio ao mundo. A professora me avisou e conversamos sobre o assunto de forma natural para ela n&atilde;o se sentir diferente por ser adotada. Ela parece compreender com tanta facilidade que at&eacute; nos assusta<\/em>&rdquo;, revela a fisioterapeuta.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><strong>Quando o preconceito parte da fam&iacute;lia<\/strong><\/span><\/span><\/span> <br \/>\nA facilidade que a fam&iacute;lia da pequena Rebecca tem ao tratar da ado&ccedil;&atilde;o &eacute; completamente diferente do cen&aacute;rio vivido pela publicit&aacute;ria Amanda Silva, 26 anos. Ela cresceu sabendo que a m&atilde;e biol&oacute;gica n&atilde;o teve condi&ccedil;&otilde;es financeiras para cri&aacute;-la. Os pais adotivos a trouxeram do Cear&aacute; com quase um ano de idade e n&atilde;o esconderam a verdade dos vizinhos, mas o assunto entre as amiguinhas da rua sempre foi proibido.<\/p>\n<p>\n&ldquo;<em>Entendo que minha m&atilde;e s&oacute; queria me proteger quando pedia para eu n&atilde;o ficar falando da minha vida. Ela tinha medo que eu sofresse por conta do preconceito<\/em>&rdquo;, comenta Amanda, ao afirmar que nunca imaginou outras pessoas ocupando em sua vida os pap&eacute;is de m&atilde;e e pai. &ldquo;<em>Sempre tive muito amor aqui. Eles s&atilde;o meus pais<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nApesar de sentir-se em um ambiente confort&aacute;vel, a forma como a m&atilde;e adotiva da comunicadora conduziu a hist&oacute;ria est&aacute; longe de ser adequada, aponta Goldenstein. O psiquiatra alerta que o preconceito pode estar dentro de casa. &ldquo;<em>Entre aqueles que vivem uma realidade afastada deste tema. Mesmo entre pessoas mais pr&oacute;ximas, como familiares e amigos que, frequentemente, tratam o assunto como se ele n&atilde;o existisse<\/em>&rdquo;, observa.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><strong>Falar sobre os &lsquo;pais de sangue&rsquo; &eacute; tabu<\/strong><\/span><\/span><\/span> <br \/>\nDe origem simples, os pais de Amanda nunca tiveram de conviver com o desejo da filha de conhecer o pai e a m&atilde;e &lsquo;de sangue&rsquo;, uma fase que o m&eacute;dico caracteriza como &ldquo;<em>o maior tabu<\/em>&rdquo; entre as pessoas que decidem adotar. &ldquo;<em>Sob verdadeiro p&acirc;nico, os pais mentem ou evitam a todo custo falar sobre o assunto, temendo que uma aproxima&ccedil;&atilde;o v&aacute; enfraquecer a rela&ccedil;&atilde;o afetiva entre filhos adotivos<\/em>&rdquo;, explica.<\/p>\n<p>\nMas esta crise existencial parece n&atilde;o passar pela cabe&ccedil;a da publicit&aacute;ria. &ldquo;<em>N&atilde;o julgo ningu&eacute;m pelo o que aconteceu no passado, simplesmente aconteceu e isso n&atilde;o muda quem eu sou. J&aacute; tive curiosidade, mas passou. Tive medo de cutucar e machucar meus pais. Agora que est&atilde;o idosos, vou cuidar deles como cuidaram de mim. E nossa vida &eacute; normal, sempre foi, com gato e papagaio de estima&ccedil;&atilde;o<\/em>&rdquo;, brinca a jovem.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><strong>Adotivos X biol&oacute;gicos<\/strong><\/span><\/span><\/span> <br \/>\nApesar de todos os cuidados que cercam o processo de ado&ccedil;&atilde;o, nem todas as pessoas est&atilde;o preparadas para assumir tamanha responsabilidade. E tratar um filho adotado de maneira diferenciada dos biol&oacute;gicos&nbsp;&#8211; <em>seja para o bem ou para o mal<\/em>&nbsp;&#8211; pode comprometer o desenvolvimento, ressalta Goldenstein.<\/p>\n<p>\n&ldquo;<em>Muitas vezes, casais que n&atilde;o conseguem engravidar adotam uma crian&ccedil;a. Anos depois, a m&atilde;e fica gr&aacute;vida e n&atilde;o consegue tratar os filhos da mesma forma. Quando isso acontece, podemos dizer que pode ser desastroso para a forma&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a adotada<\/em>&rdquo;, enfatiza o especialista, ao deixar claro que quando o assunto n&atilde;o &eacute; bem resolvido, pais e filhos sofrem, &ldquo;<em>cada um da sua forma<\/em>&rdquo;, e o sonho de uma fam&iacute;lia perfeita pode cair na frustra&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 6 minutos Medo de perder a proximidade pode levar os pais &agrave; omiss&atilde;o; ideal &eacute; tratar o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[49],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7872"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7872"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7872\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7872"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7872"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7872"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}