{"id":7887,"date":"2014-02-20T00:00:00","date_gmt":"2014-02-20T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2014-02-20T00:00:00","modified_gmt":"2014-02-20T00:00:00","slug":"Saiba-como-funciona-uma-lavagem-cerebral-e-aprenda-a-blindar-sua-mente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2014\/02\/20\/Saiba-como-funciona-uma-lavagem-cerebral-e-aprenda-a-blindar-sua-mente\/","title":{"rendered":"Saiba como funciona uma lavagem cerebral e aprenda a blindar sua mente"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 17 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\nEm 1974, Patty Hearst, herdeira de um imp&eacute;rio de comunica&ccedil;&atilde;o, morava na Calif&oacute;rnia, cursava faculdade e preparava seu casamento. At&eacute; que, numa bela noite, a patricinha foi sequestrada por um grupo paramilitar esquerdista chamado Ex&eacute;rcito Simbion&ecirc;s de Liberta&ccedil;&atilde;o e dois meses depois reapareceu, armada com um rifle e uniformizada, assaltando um banco ao lado do bando. Durante um ano e meio participou de v&aacute;rias a&ccedil;&otilde;es, atacando mais dois bancos, roubando lojas e fugindo da pol&iacute;cia. Ningu&eacute;m entendeu nada: o que transformou aquela garota rica de 19 anos em uma guerrilheira urbana? Quando finalmente foi capturada pela pol&iacute;cia, Patty explicou: tinha sido submetida a uma lavagem cerebral. Foram 57 dias trancada em um arm&aacute;rio, sofrendo maus-tratos f&iacute;sicos e psicol&oacute;gicos. Teve gente que duvidou da explica&ccedil;&atilde;o, achando que se tratava de desculpa esfarrapada. Mas, por outro lado, o que explicaria uma mudan&ccedil;a t&atilde;o radical?.<\/p>\n<p>\nApesar de n&atilde;o existir consenso sobre at&eacute; que ponto &eacute; poss&iacute;vel substituir convic&ccedil;&otilde;es e comportamentos, n&atilde;o faltam estudos sobre o processo de lavagem cerebral. O termo passou a ser usado no Ocidente durante a Guerra da Coreia(<span style=\"font-family: Arial;\">1950-53<\/span>), para descrever o comportamento de soldados americanos que, ap&oacute;s um per&iacute;odo capturados, voltavam defendendo os ideais comunistas dos inimigos China e Coreia do Norte. Aparentemente, n&atilde;o era teatro. Os soldados tinham &quot;<em>virado a casaca<\/em>&quot;, exibindo atitudes incompat&iacute;veis com as de antes.<\/p>\n<p>\nMuitos daqueles prisioneiros haviam sofrido torturas f&iacute;sicas que tornaram sua mente vulner&aacute;vel; com outros, o processo foi menos &oacute;bvio e mais sutil, envolvendo a v&iacute;tima sem que ela se desse conta. Seja qual for a estrat&eacute;gia, &eacute; essencial o elemento-surpresa.<\/p>\n<p>\nIsso porque somos programados para reagir imediatamente a est&iacute;mulos intensos: quando um ladr&atilde;o pula na sua frente ou um carro vai em sua dire&ccedil;&atilde;o, o c&eacute;rebro n&atilde;o perde tempo com an&aacute;lises. O caso nem passa pelo c&oacute;rtex pr&eacute;-frontal, respons&aacute;vel pelo racioc&iacute;nio complexo; vai direto para &aacute;reas cerebrais menos evolu&iacute;das, que decidem rapidamente o que fazer. Ou seja, quem quiser provocar novas cren&ccedil;as e comportamentos em algu&eacute;m precisa criar situa&ccedil;&otilde;es que exijam rea&ccedil;&otilde;es autom&aacute;ticas, pois nelas o processo consciente &eacute; desativado.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>N&atilde;o &eacute; for&ccedil;a, &eacute; jeito<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nExistem duas maneiras de deixar o sujeito estressado, fr&aacute;gil, cansado e, consequentemente, mais aberto a novas ideias. A primeira &eacute; a lavagem cerebral for&ccedil;ada, em que isso &eacute; alcan&ccedil;ado com tortura, priva&ccedil;&atilde;o de sono e jejum. O segundo m&eacute;todo, mais comum, &eacute; o induzido, em que a v&iacute;tima &eacute; envolvida em um &quot;<em>intensiv&atilde;o<\/em>&quot;. Pessoas que se dizem manipuladas por igrejas e cultos religiosos descrevem um programa intenso de atividades, palestras, celebra&ccedil;&otilde;es e tarefas como distribuir panfletos, limpar o ch&atilde;o, fazer comida. Imersa nessa rotina, que geralmente prev&ecirc; poucas horas de sono, a v&iacute;tima fica t&atilde;o cansada que literalmente n&atilde;o tem tempo para pensar sobre o que est&aacute; acontecendo.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"\/UserFiles\/Image\/relacionamento\/lavagem_cerebral_465.jpg\" width=\"465\" height=\"311\" align=\"absMiddle\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>&Eacute; a mesma t&eacute;cnica, por exemplo, daquele vendedor tagarela que o deixa confuso e faz com que voc&ecirc; compre uma coisa de que n&atilde;o precisa, s&oacute; para se livrar do chato. Em alguns casos, antes de iniciar o processo a pessoa j&aacute; est&aacute; fragilizada por alguma outra situa&ccedil;&atilde;o. &quot;<em>O fim de um relacionamento, um div&oacute;rcio, a morte de algu&eacute;m querido, at&eacute; se formar na escola ou mudar de emprego pode tornar uma pessoa vulner&aacute;vel, uma vez que tira o indiv&iacute;duo de seu equil&iacute;brio<\/em>&quot;, explica o psic&oacute;logo americano Steve Hassan, que passou 5 anos como membro do culto conhecido como Igreja da Unifica&ccedil;&atilde;o, dos seguidores do reverendo Moon &#8211; tamb&eacute;m conhecidos como moonies. Ainda ativa, inclusive no Brasil, a seita ficou famosa justamente por seus m&eacute;todos de recrutamento e acusa&ccedil;&otilde;es de lavagem cerebral.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>Eu tinha me separado de uma garota e, pouco tempo depois, fui abordado por 3 mulheres. Elas n&atilde;o falaram que eram de uma religi&atilde;o, que acreditavam que o reverendo Moon era o Messias, nada disso. S&oacute; falaram que faziam parte de um grupo de amigos espalhado pelo mundo e me convidaram para ir a um jantar gr&aacute;tis<\/em>&quot;, explica Hassan. &quot;<em>A partir da&iacute;, foi um processo gradual. Ir l&aacute; e conhecer os amigos delas foi um passo. Voltar e jantar, outro passo. Ir a uma palestra, voltar no dia seguinte, mais um passo. Durante esse tempo, eles perguntavam v&aacute;rias coisas bem detalhadas sobre mim, e eu dava, voluntariamente, informa&ccedil;&otilde;es muito pessoais, sem perceber que estava entregando as ferramentas para que me manipulassem<\/em>&quot;. Hoje, Hassan faz palestras de conscientiza&ccedil;&atilde;o e presta consultoria a pessoas em situa&ccedil;&atilde;o similar &agrave; por que ele passou.<\/p>\n<p>\nEle chama a aten&ccedil;&atilde;o para o fato de que, quando esse processo come&ccedil;a, a v&iacute;tima n&atilde;o fica sabendo para onde est&aacute; sendo levada nem quais cren&ccedil;as e comportamentos vai adotar no final. Mas, para que essas novas convic&ccedil;&otilde;es sejam estabelecidas, entra em a&ccedil;&atilde;o a segunda arma usada para tirar o c&oacute;rtex pr&eacute;-frontal do caminho: emo&ccedil;&otilde;es fortes.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Emo&ccedil;&atilde;o embutida<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\n&quot;<em>Quando algo provoca uma rea&ccedil;&atilde;o emocional, o c&eacute;rebro se mobiliza para lidar com ela, destinando poucos recursos a reflex&otilde;es<\/em>&quot;, explica Kathleen Taylor, neurologista da Universidade Oxford, em seu livro Brainswashing &#8211; The Science of Thought Control (<span style=\"font-family: Arial;\">&quot;Lavagem Cerebral &#8211; A Ci&ecirc;ncia do Controle Mental&quot;, sem tradu&ccedil;&atilde;o para o portugu&ecirc;s<\/span>). &Eacute; exatamente nessa hora que a emo&ccedil;&atilde;o pode ser ligada a uma ideia.<\/p>\n<p>\nDurante a Guerra Fria, por exemplo, tanto capitalistas quanto comunistas se valiam de uma paranoia intensa e generalizada para vender conceitos vagos, dif&iacute;ceis tanto de definir quanto de contestar &#8211; &quot;<em>liberdade<\/em>,&quot; &quot;<em>Estado<\/em>,&quot; &quot;<em>inimigo<\/em>&quot;. S&atilde;o ideias fortes, amplas o suficiente para voc&ecirc; associar &agrave;s emo&ccedil;&otilde;es que quiser e que forem mais convenientes &agrave; manipula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\nPor isso se diz que a ideia &eacute; &quot;<em>engatada<\/em>&quot; &agrave; sensa&ccedil;&atilde;o: sempre que aquele assunto vier &agrave; tona, a sensa&ccedil;&atilde;o vem a reboque, num processo conhecido como reflexo condicionado. &Eacute; o que acontece em um culto daqueles bem intensos, em que a pessoa dan&ccedil;a, canta, grita, inunda o corpo de endorfina. Inconscientemente, a sensa&ccedil;&atilde;o de bem-estar passa a ser associada &agrave;quela religi&atilde;o.<\/p>\n<p>\nOutro exemplo: um prisioneiro de guerra, depois de enfrentar tortura e jejum, &eacute; levado para tomar banho quente e fazer uma refei&ccedil;&atilde;o enquanto escuta algu&eacute;m descrevendo as maravilhas da doutrina comunista. Com a repeti&ccedil;&atilde;o do m&eacute;todo, ele inconscientemente passar&aacute; a associar comunismo a bem-estar. Se voc&ecirc; se lembrou do filme Laranja Mec&acirc;nica(<span style=\"font-family: Arial;\">1971<\/span>), cl&aacute;ssico do diretor Stanley Kubrick, acertou na mosca.<\/p>\n<p>\nNa hist&oacute;ria, o personagem principal &eacute; um adolescente ultraviolento que se diverte torturando e estuprando por a&iacute;. Ap&oacute;s ser preso, ele se oferece para um tratamento experimental que promete torn&aacute;-lo um ser totalmente desprovido de viol&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>\nO tratamento consiste em submet&ecirc;-lo a sensa&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas desagrad&aacute;veis(<span style=\"font-family: Arial;\">n&aacute;useas muito intensas<\/span>) e a imagens violentas ao mesmo tempo, for&ccedil;ando seu inconsciente a associar as duas coisas. No final, o personagem passa a sofrer sensa&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas insuport&aacute;veis toda vez que tem contato com ideias ou situa&ccedil;&otilde;es violentas. (<span style=\"font-family: Arial;\">O ir&ocirc;nico efeito colateral &eacute; que o jovem tamb&eacute;m fica condicionado a vomitar quando ouve a 9&ordf; Sinfonia de Beethoven, trilha sonora usada nos filmes da pris&atilde;o<\/span>).<\/p>\n<p>\nEsse processo n&atilde;o pode ser considerado lavagem cerebral, pois n&atilde;o muda as convic&ccedil;&otilde;es do indiv&iacute;duo. Mas &eacute; um exemplo extremo de como podemos ser condicionados a fazer rela&ccedil;&otilde;es inconscientes de sensa&ccedil;&otilde;es com ideias.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Sob controle<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nConquistado, o &quot;<em>cerebralmente lavado<\/em>&quot; se torna cada vez mais envolvido e dependente. O psiquiatra americano Robert P. Lifton, professor de universidades como Harvard e Yale, analisou esse processo, que ele chama de Reforma do Pensamento, e descreveu suas principais caracter&iacute;sticas(<span style=\"font-family: Arial;\">ver abaixo:&nbsp;<\/span><em><span style=\"font-family: Arial;\">Lavagem em 8 Passos<\/span><\/em>). Todas &#8211; contatos controlados, jarg&atilde;o espec&iacute;fico, dogmas incontest&aacute;veis etc. &#8211; que buscam criar um antagonismo claro: um mundo dividido entre &quot;<em>n&oacute;s<\/em>&quot; e &quot;<em>eles<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nSegundo Hassan, a pessoa envolvida com esse tipo de grupo se v&ecirc; aos poucos dominada por medos paralisantes que chegam ao ponto de impedir que ela questione a situa&ccedil;&atilde;o. &quot;<em>Os cultos de controle da mente passam a seus membros a sensa&ccedil;&atilde;o de que, se eles sa&iacute;rem do grupo, coisas terr&iacute;veis v&atilde;o acontecer. Para quem est&aacute; observando de fora, parece que essas pessoas est&atilde;o felizes. Acontece que, na verdade, elas s&atilde;o orientadas a sorrir o tempo todo. N&atilde;o &eacute; uma experi&ecirc;ncia positiva perder seu livre-arb&iacute;trio, apagar sua identidade, viver com medo e com culpa<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nV&iacute;timas de controle da mente aprendem a reprimir pensamentos &quot;<em>errados<\/em>&quot;, como d&uacute;vidas ou cr&iacute;ticas ao grupo, e por isso &eacute; dif&iacute;cil que elas questionem sua situa&ccedil;&atilde;o. Quando lida com pessoas nesse estado, Steve Hassan costuma agir de forma indireta, perguntando, por exemplo, opini&otilde;es a respeito de outro grupo. Ele mesmo s&oacute; saiu da Igreja da Unifica&ccedil;&atilde;o porque sofreu um acidente e teve que ser internado em um hospital. Seus pais aproveitaram a chance para fazer com que ele(<span style=\"font-family: Arial;\">contra sua vontade<\/span>) conversasse com ex-membros do culto. &quot;<em>Aos poucos fui entendendo que tinha sido enganado<\/em>&quot;, lembra.<\/p>\n<p>\nSe a hist&oacute;ria de Hassan parece muito fora da sua realidade, h&aacute; um exemplo mais pr&oacute;ximo de como &eacute; poss&iacute;vel modificar uma pessoa a ponto de faz&ecirc;-la agir contra seus instintos e convic&ccedil;&otilde;es. Kathleen Taylor cita um sistema capaz de &quot;<em>transformar cidad&atilde;os &#8211; ensinados desde a inf&acirc;ncia que matar &eacute; errado &#8211; em agentes capazes de matar<\/em>&quot;: as For&ccedil;as Armadas. O processo de forma&ccedil;&atilde;o militar segue quase &agrave; risca as etapas descritas no modelo de Lifton, empregando rotina exaustiva, press&atilde;o psicol&oacute;gica, regras e puni&ccedil;&otilde;es r&iacute;gidas e, claro, defini&ccedil;&atilde;o de um inimigo. Isso chega ao extremo no treinamento de terroristas isl&acirc;micos, &agrave; la Al Qaeda, em que os ensinamentos militar e religioso se combinam para formar indiv&iacute;duos dispostos a dar a vida em nome de uma causa.<\/p>\n<p>\nMas n&atilde;o s&atilde;o apenas grupos militares e religiosos que usam essas t&eacute;cnicas. &quot;<em>Alguns cultos de neg&oacute;cios s&atilde;o casos t&iacute;picos de controle da mente<\/em>&quot;, diz Hassan, se referindo &agrave;queles esquemas com hierarquia em formato de pir&acirc;mide em que para crescer &eacute; preciso comprar uma s&eacute;rie de produtos e convencer outras pessoas a participar. &quot;<em>As pessoas se envolvem achando que v&atilde;o ficar ricas e muitas vezes acabam perdendo todo seu dinheiro e arruinando a pr&oacute;pria fam&iacute;lia, sem conseguir se desvencilhar<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nPara o psic&oacute;logo, embora o controle da mente seja geralmente realizado por grupos, ele tamb&eacute;m pode acontecer de forma individual. Ele compara relacionamentos amorosos abusivos, em que a pessoa, influenciada pelo parceiro, passa a ter atitudes incompat&iacute;veis com as anteriores. &quot;<em>Esses relacionamentos podem incluir drogas, agress&otilde;es f&iacute;sicas e isolamento da fam&iacute;lia e dos amigos. &Agrave;s vezes o apaixonado simplesmente desaparece sem dar not&iacute;cias<\/em>&quot;, diz Hassan.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Mente blindada<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nPara a escritora Kathleen Taylor, a principal arma para evitar manipula&ccedil;&otilde;es &eacute;, basicamente, &quot;<em>parar e pensar nas coisas<\/em>&quot;. Sem se deixar levar pela afoba&ccedil;&atilde;o, fica f&aacute;cil resistir tanto ao discurso nacionalista de um pol&iacute;tico quanto ao papo emocional de um pregador religioso.<\/p>\n<p>\nSegundo Denise Winn, autora do livro The Manipulated Mind(<span style=\"font-family: Arial;\">&quot;<em>A Mente Manipulada<\/em>&quot;, sem vers&atilde;o brasileira<\/span>), um olhar bem-humorado sobre as coisas &eacute; &uacute;til para escapar da associa&ccedil;&atilde;o emocional exagerada, pe&ccedil;a-chave da lavagem cerebral. &quot;<em>O humor ajuda voc&ecirc; a ter perspectiva e sacar quem n&atilde;o tem. Desconfie de l&iacute;deres, vendedores e experts que n&atilde;o conseguem rir de si pr&oacute;prios<\/em>&quot;, diz a jornalista.<\/p>\n<p>\nOutro ponto importante &eacute; n&atilde;o subestimar a influ&ecirc;ncia que o meio e a autoridade podem ter sobre n&oacute;s, j&aacute; medidos em experimentos cl&aacute;ssicos de psicologia social. A necessidade de ser aceito em um grupo leva muitas vezes ao &quot;<em>efeito rebanho<\/em>&quot;, identificado na d&eacute;cada de 1950 pelo psic&oacute;logo americano Solomon Asch e muito antes por quem inventou a express&atilde;o &quot;<em>maria-vai-com-as-outras<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nAsch fazia uma experi&ecirc;ncia bem simples: reunia um grupo de pessoas e mostrava a elas um cart&atilde;o com uma s&eacute;rie de linhas de comprimentos bem diferentes. Depois, fazia perguntas &oacute;bvias, como pedir que identificassem qual a linha mais longa. Todas as pessoas na sala, menos uma, tinham sido orientadas para escolher a mesma resposta &#8211; claramente errada. Surpreendentemente, 1 em cada 3 v&iacute;timas da &quot;<em>pegadinha<\/em>&quot; concordava com o grupo, mesmo sabendo que estava escolhendo a op&ccedil;&atilde;o incorreta.<\/p>\n<p>\nEm 1963, o psic&oacute;logo Stanley Milgram conduziu um experimento para medir autoridade. Universit&aacute;rios eram instru&iacute;dos a aplicar choques el&eacute;tricos cada vez mais fortes em um &quot;<em>volunt&aacute;rio<\/em>&quot;(<span style=\"font-family: Arial;\">na verdade um ator<\/span>) toda vez que ele errasse a resposta a uma pergunta. O estudante era orientado por um pesquisador(<span style=\"font-family: Arial;\">outro ator<\/span>), que dizia para que ele continuasse, independentemente do &quot;<em>sofrimento<\/em>&quot; da suposta cobaia &#8211; que, claro, estava apenas fingindo levar choques.<\/p>\n<p>\nQuantas pessoas chegariam ao ponto de aplicar os choques poderosos, correndo o risco de matar o &quot;<em>volunt&aacute;rio<\/em>&quot;? Cerca de 1 ou 2%, imaginou Milgram. Resultado: dois ter&ccedil;os dos estudantes levaram a experi&ecirc;ncia at&eacute; o fim, obedecendo &agrave;s ordens do &quot;<em>pesquisador<\/em>&quot; &#8211; a figura de autoridade prevista no esquema de lavagem cerebral de Lifton. O compromisso(<span style=\"font-family: Arial;\">a concord&acirc;ncia em participar do experimento<\/span>) aumentava gradualmente(<span style=\"font-family: Arial;\">choques cada vez mais fortes<\/span>), envolvendo a v&iacute;tima cada vez mais na situa&ccedil;&atilde;o, e tornando a sa&iacute;da(<span style=\"font-family: Arial;\">desistir e mandar o pesquisador para o inferno<\/span>) cada vez mais dif&iacute;cil.<\/p>\n<p>\nOutro fator que Kathleen Taylor cita em seu livro &eacute; que, quanto mais redes cognitivas o c&eacute;rebro de uma pessoa tiver &#8211; <em>mais associa&ccedil;&otilde;es, ideias, opini&otilde;es, informa&ccedil;&otilde;es, experi&ecirc;ncias<\/em> -, menos manipul&aacute;vel ela se torna. Desenvolver a criatividade, pensar sobre a vida, questionar o que &eacute; escutado e lido, aprender coisas novas, estudar as rela&ccedil;&otilde;es entre assuntos aparentemente n&atilde;o relacionados, tudo isso deixa o c&eacute;rebro mais resistente a manipula&ccedil;&otilde;es. Isso n&atilde;o significa apenas resistir a casos extremos de controle da mente mas tamb&eacute;m enxergar com senso cr&iacute;tico o hor&aacute;rio eleitoral, as conversas de bar, as mensagens publicit&aacute;rias e, por que n&atilde;o, tudo o que sai na m&iacute;dia.<\/p>\n<p>\nClaro, isso n&atilde;o significa que voc&ecirc; precisa ter um p&eacute; atr&aacute;s com toda opini&atilde;o que for diferente da sua. Ser persuadido e mudar de ideia n&atilde;o tem problema nenhum. &quot;<em>Nossa vida social est&aacute; constru&iacute;da sobre o controle psicol&oacute;gico que as pessoas t&ecirc;m sobre as outras. A todo momento influ&ecirc;ncias externas fazem com que mudemos nossa atitude, dos aspectos mais banais aos mais s&eacute;rios<\/em>&quot;, exemplifica o professor Cesar Ades, pesquisador do assunto na Universidade Cat&oacute;lica de Goi&acirc;nia. &quot;<em>Uma conversa com algu&eacute;m que admiramos ou que tem autoridade sobre n&oacute;s pode mudar de verdade nossas cren&ccedil;as<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nO importante &eacute; saber que nossa mente n&atilde;o est&aacute; pronta e acabada, mas permanentemente em obras. Entender que somos influenci&aacute;veis e que nossa identidade &eacute; mutante nos torna mais espertos para avaliar uma tentativa de persuas&atilde;o &#8211; com o c&oacute;rtex pr&eacute;-frontal, por favor.<\/p>\n<p>\n<span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Tribos e tribunais<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nCada grupo tem sua t&eacute;cnica para recrutar e controlar os membros<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Militares<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nA ideia de que existe um inimigo a ser derrotado(<span style=\"font-family: Arial;\">muitas vezes imagin&aacute;rio<\/span>) e o respeito absoluto &agrave;s ordens(<span style=\"font-family: Arial;\">muitas vezes absurdas<\/span>) s&atilde;o incutidos em todo recruta desde o primeiro dia de treinamento.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Pol&iacute;ticos<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nPopulistas pegam um sentimento disseminado e intenso &#8211; &quot;<em>judeus s&atilde;o um v&iacute;rus na Alemanha<\/em>&quot;, &quot;<em>comunistas comem criancinhas<\/em>&quot; &#8211; para insuflar as massas e conquistar o poder.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Religiosos<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nO processo come&ccedil;a leve, quase recreativo, e vai aumentando de intensidade. No fim, voc&ecirc; est&aacute; convertido e dependente. At&eacute; pensamentos &quot;<em>errados<\/em>&quot; s&atilde;o pass&iacute;veis de puni&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Picaretas<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nNos &quot;<em>cultos de neg&oacute;cios<\/em>&quot; voc&ecirc; &eacute; muito especial e far&aacute; parte do plano perfeito: quanto mais voc&ecirc; compra, mais voc&ecirc; vende e, em pouco tempo, todos estar&atilde;o ricos. Quando a euforia passa, sobram s&oacute; as d&iacute;vidas.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Lavagem em 8 passos<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\n<strong>As principais caracter&iacute;sticas do controle da mente<\/strong><\/p>\n<p>\n<span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Controle de pensamento<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nN&atilde;o &eacute; permitido ler material ou falar com pessoas que tenham ideias contr&aacute;rias &agrave;s do grupo. Em alguns casos, a v&iacute;tima &eacute; geograficamente isolada da fam&iacute;lia e dos amigos.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Hierarquia r&iacute;gida<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nS&atilde;o criados modos uniformizados de agir e pensar, desenvolvidos para parecer espont&acirc;neos. A v&iacute;tima &eacute; convencida da autoridade absoluta e do car&aacute;ter especial &#8211; &agrave;s vezes, sobrenatural &#8211; do l&iacute;der.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Mundo dividido<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nO mundo &eacute; divido entre &quot;<em>bons<\/em>&quot;(<span style=\"font-family: Arial;\">o grupo<\/span>) e &quot;<em>maus<\/em>&quot;(<span style=\"font-family: Arial;\">todo o resto<\/span>). N&atilde;o existe meio-termo. &Eacute; preciso se policiar para agir de acordo com o padr&atilde;o de comportamento &quot;<em>ideal<\/em>&quot;.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><strong>Dela&ccedil;&atilde;o premiada<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nQualquer atitude errada, ainda que cometida em pensamento, deve ser reportada ao l&iacute;der. Tamb&eacute;m se deve delatar os erros alheios. Isso acaba com o senso de privacidade e fortalece o l&iacute;der.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Verdade verdadeira<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nO grupo explica o mundo com regras pr&oacute;prias, vistas como cientificamente verdadeiras e inquestion&aacute;veis. A v&iacute;tima acredita que sua doutrina &eacute; a &uacute;nica que oferece respostas v&aacute;lidas.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>C&oacute;digo secreto<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nO grupo cria termos pr&oacute;prios para se referir &agrave; realidade, muitas vezes incompreens&iacute;veis para as pessoas de fora. Uma linguagem muito espec&iacute;fica ajuda a controlar os pensamentos e as ideias.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Meu mundo e nada mais<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nO grupo passa a ser a coisa mais importante &#8211; se bobear, a &uacute;nica. Nenhum compromisso, plano ou sonho fora daquele ambiente &eacute; justific&aacute;vel.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Ningu&eacute;m Sai<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nA v&iacute;tima se sente presa, pois n&atilde;o pode imaginar uma vida completa e feliz fora do grupo. Isso pode ser usado por pol&iacute;ticos e militares para justificar execu&ccedil;&otilde;es.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Quando algo provoca uma rea\u00e7\u00e3o emocional, o c\u00e9rebro se mobiliza para lidar com ela, destinando poucos recursos a reflex\u00f5es&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[49],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7887"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7887"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7887\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7887"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7887"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7887"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}