{"id":7937,"date":"2014-04-20T00:00:00","date_gmt":"2014-04-20T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2014-04-20T00:00:00","modified_gmt":"2014-04-20T00:00:00","slug":"Supremo-analisara-processo-de-juiz-que-quer-ser-chamado-de-doutor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2014\/04\/20\/Supremo-analisara-processo-de-juiz-que-quer-ser-chamado-de-doutor\/","title":{"rendered":"Supremo analisar\u00e1 processo de juiz que quer ser chamado de doutor"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 4 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\n<span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><span style=\"font-family: Arial;\"><em><strong>A&ccedil;&atilde;o foi protocolada h&aacute; 10 anos, mas caso chegou ao STF neste m&ecirc;s. Autor reclama ter sido chamado de &#8216;voc&ecirc;&#8217; e &#8216;cara&#8217; e de ter ouvido &#8216;fala s&eacute;rio&#8217;.<\/strong><\/em><\/span><\/span><\/p>\n<p><strong>Bras&iacute;lia(DF) &#8211;&nbsp;<\/strong>O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal(<span style=\"font-family: Arial;\">STF<\/span>), dever&aacute; analisar na pr&oacute;xima semana a a&ccedil;&atilde;o apresentada por um juiz do Rio de Janeiro que reivindica que a Justi&ccedil;a obrigue os funcion&aacute;rios do pr&eacute;dio onde ele mora a cham&aacute;-lo de &quot;<em>senhor<\/em>&quot; ou &quot;<em>doutor<\/em>&quot;, sob pena de multa di&aacute;ria.<\/p>\n<p>\nO magistrado Antonio Marreiros da Silva Melo Neto, de S&atilde;o Gon&ccedil;alo(<span style=\"font-family: Arial;\">RJ<\/span>), entrou com a a&ccedil;&atilde;o em 2004, h&aacute; dez anos, e o caso chegou ao Supremo neste m&ecirc;s. O processo foi distribu&iacute;do na semana passada para o ministro Lewandowski, que vai avaliar se o pedido tem fundamento.<\/p>\n<p>\nSegundo o site do Tribunal de Justi&ccedil;a do Rio(<span style=\"font-family: Arial;\">TJ-RJ<\/span>), atualmente, o magistrado atua na 6&ordf; Vara C&iacute;vel de S&atilde;o Gon&ccedil;alo, na Regi&atilde;o Metropolitana.<\/p>\n<p>\nNa a&ccedil;&atilde;o judicial, o juiz argumenta que foi chamado pelo porteiro do condom&iacute;nio de &quot;<em>voc&ecirc;<\/em>&quot; e &quot;<em>cara<\/em>&quot; e que ouviu a express&atilde;o &quot;<em>fala s&eacute;rio<\/em>&quot; ap&oacute;s ter feito uma reclama&ccedil;&atilde;o. Segundo o processo, o apartamento do magistrado inundou por erro do condom&iacute;nio, mas o funcion&aacute;rio n&atilde;o o tratou com respeito.<\/p>\n<p>\nAl&eacute;m do pedido para ser tratado por &quot;<em>senhor<\/em>&quot; ou &quot;<em>doutor<\/em>&quot;, o magistrado queria que o condom&iacute;nio fosse condenado a pagar indeniza&ccedil;&atilde;o por danos morais de 100 sal&aacute;rios m&iacute;nimos(<span style=\"font-family: Arial;\">atualmente, o valor seria de R$ 70 mil<\/span>) pela inunda&ccedil;&atilde;o no apartamento.<\/p>\n<p>\nEm 2004, quando o processo come&ccedil;ou, o magistrado obteve uma liminar(<span style=\"font-family: Arial;\">decis&atilde;o provis&oacute;ria<\/span>) que obrigava os funcion&aacute;rios a cham&aacute;-lo de &quot;<em>doutor<\/em>&quot; e &quot;<em>senhor<\/em>&quot;.&nbsp;Mas, ao analisar o processo, em 2005, o juiz de Niter&oacute;i Alexandre Eduardo Scisinio negou o pedido. Ele entendeu que, apesar de compreender o &quot;inconformismo&quot; do colega, o pedido n&atilde;o tinha sentido porque o termo &quot;<em>doutor<\/em>&quot; n&atilde;o &eacute; pronome de tratamento, mas t&iacute;tulo acad&ecirc;mico de quem faz doutorado.<\/p>\n<p>\nAl&eacute;m disso, sobre o uso de &quot;<em>senhor<\/em>&quot;, o juiz entendeu que n&atilde;o &quot;<em>existe regra legal que imponha obriga&ccedil;&atilde;o ao empregado do condom&iacute;nio<\/em>&quot; de utilizar o termo.&nbsp;&quot;<em>O empregado que se refere ao autor por &#8216;voc&ecirc;&#8217; pode estar sendo cortez, posto que &#8216;voc&ecirc;&#8217; n&atilde;o &eacute; pronome depreciativo. (&#8230;) Na rela&ccedil;&atilde;o social n&atilde;o h&aacute; ritual lit&uacute;rgico a ser obedecido. Por isso, se diz que a altern&acirc;ncia de &#8216;voc&ecirc;&#8217; e &#8216;senhor&#8217; traduz-se numa quest&atilde;o sociolingu&iacute;stica, de dif&iacute;cil equa&ccedil;&atilde;o num pa&iacute;s como o Brasil. Ao Judici&aacute;rio n&atilde;o compete decidir sobre a rela&ccedil;&atilde;o de educa&ccedil;&atilde;o, etiqueta, cortesia ou coisas do g&ecirc;nero<\/em>&quot;, escreveu o juiz que analizou o caso na primeira inst&acirc;ncia.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Recurso<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nO magistrado do Rio recorreu ao Tribunal de Justi&ccedil;a fluminense, que rejeitou de novo o pedido. Ele, ent&atilde;o, apresentou recurso extraordin&aacute;rio em 2006 para ser remetido ao Supremo porque, conforme a defesa, a quest&atilde;o &eacute; constitucional e se refere ao princ&iacute;pio da dignidade da pessoa humana e ao princ&iacute;pio da igualdade, ambos previstos na Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988.<\/p>\n<p>\nSomente um d&eacute;cada ap&oacute;s o in&iacute;cio da disputa judicial o recurso foi admitido e enviado ao STF. &quot;<em>Se &eacute; o recorrente, n&atilde;o apenas como magistrado, mas como qualquer pessoa humana, detentor da garantia fundamental, constitucionalmente prevista, inerente &agrave; pr&oacute;pria dignidade, (&#8230;) tem ele o direito a exigir o tratamento coerente com tal preceito constitucional<\/em>?&quot;, argumenta a defesa de Marreiros da Silva Melo Neto.<\/p>\n<p>\nSegundo o recurso apresentado &agrave; Suprema Corte, decis&otilde;es anteriores que negaram-lhe o direito de ser tratado com respeito s&atilde;o &quot;<em>lament&aacute;veis<\/em>&quot;. &quot;<em>Espera, garantido pela Carta Magna,(<span style=\"font-family: Arial;\">que<\/span>) seja plenamente reconhecido, para o fim de que revigoradas estas garantias constitucionais,(<span style=\"font-family: Arial;\">e que<\/span>) mere&ccedil;a o tratamento respeitoso ao qual qualquer do povo tem direito, fato recusado pelo tribunal local<\/em>&quot;, complementou o advogado).<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Furto de galinhas<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nNo &uacute;ltimo dia 8, o ministro do STF Luiz Fux negou a anula&ccedil;&atilde;o de uma a&ccedil;&atilde;o penal contra um homem que responde a processo na Justi&ccedil;a de Minas Gerais por ter tentado roubar um galo e uma galinha, avaliados em R$ 40.<\/p>\n<p>\nA a&ccedil;&atilde;o contra Afan&aacute;sio Maximiniano Guimar&atilde;es foi aberta pela 2&ordm; Vara da Comarca de S&atilde;o Jo&atilde;o Nepomuceno(<span style=\"font-family: Arial;\">MG<\/span>), mas a Defensoria P&uacute;blica pediu ao Tribunal de Justi&ccedil;a de Minas Gerais o trancamento do caso, alegando o princ&iacute;pio da insignific&acirc;ncia(<span style=\"font-family: Arial;\">quando n&atilde;o h&aacute; gravidade no crime ou no valor do furto &eacute; irris&oacute;rio<\/span>).<\/p>\n<p>\nO processo chegou ent&atilde;o ao Superior Tribunal de Justi&ccedil;a, que o remeteu ao Supremo. Pelo furto, Afan&aacute;sio poder&aacute; ser condenado a pris&atilde;o de um a quatro anos.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 4 minutos A&ccedil;&atilde;o foi protocolada h&aacute; 10 anos, mas caso chegou ao STF neste m&ecirc;s. 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