{"id":8066,"date":"2014-09-29T00:00:00","date_gmt":"2014-09-29T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2014-09-29T00:00:00","modified_gmt":"2014-09-29T00:00:00","slug":"Justica-obriga-sindicato-dos-jornalistas-a-inscrever-sem-diploma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2014\/09\/29\/Justica-obriga-sindicato-dos-jornalistas-a-inscrever-sem-diploma\/","title":{"rendered":"Justi\u00e7a obriga sindicato dos jornalistas a inscrever sem diploma"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 5 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\n<strong>Bras&iacute;lia(DF) &#8211;&nbsp;<\/strong>A atual jurisprud&ecirc;ncia do Tribunal Superior do Trabalho e no Supremo Tribunal Federal torna dispens&aacute;vel o diploma de curso superior em Jornalismo como requisito para o exerc&iacute;cio da atividade de jornalista. Desse modo, os jornalistas, com ou sem diploma, t&ecirc;m o direito de se associar no sindicato dessa categoria profissional. O entendimento levou o Tribunal Regional do Trabalho da 4&ordf; Regi&atilde;o (RS) a reformar senten&ccedil;a que indeferiu pedido para permitir a sindicaliza&ccedil;&atilde;o de jornalistas que, embora trabalhem na &aacute;rea, n&atilde;o t&ecirc;m o curso de forma&ccedil;&atilde;o superior.<\/p>\n<p>\nCom a decis&atilde;o, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul n&atilde;o pode mais exigir a comprova&ccedil;&atilde;o de conclus&atilde;o do curso como requisito b&aacute;sico para aceitar a filia&ccedil;&atilde;o sindical de quem trabalha nesta &aacute;rea. Em caso de descumprimento, o colegiado arbitrou multa de R$ 1 mil para cada infra&ccedil;&atilde;o comprovada. O valor, se pago, ser&aacute; revertido para o Fundo de Defesa dos Direitos Difusos.<\/p>\n<p>\nA relatora do recurso do Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Trabalho(<span style=\"font-family: Arial;\">MPT-RS)<\/span>, ju&iacute;za convocada &Acirc;ngela Rosi Almeida Chapper, da 5&ordf; Turma, observou no ac&oacute;rd&atilde;o que a entidade sindical &eacute; a representante m&aacute;xima dos interesses coletivos da categoria. Por isso, o sindicato r&eacute;u deve aceitar a filia&ccedil;&atilde;o, em seu quadro associativo, dos interessados que exer&ccedil;am a profiss&atilde;o.<\/p>\n<p>\nCitou tamb&eacute;m a jurisprud&ecirc;ncia da corte, da lavra do desembargador Gilberto Souza dos Santos. Registra a decis&atilde;o(<span style=\"font-family: Arial;\">AIRR 0001499-58.2011.5.04.0014<\/span>): &lsquo;&lsquo;<em>A exig&ecirc;ncia de diploma de curso superior para a pr&aacute;tica do jornalismo &#8211; o qual, em sua ess&ecirc;ncia, &eacute; o desenvolvimento profissional das liberdades de express&atilde;o e de informa&ccedil;&atilde;o &#8211; n&atilde;o est&aacute; autorizada pela ordem constitucional, pois constitui uma restri&ccedil;&atilde;o, um impedimento, uma verdadeira supress&atilde;o do pleno, incondicionado e efetivo exerc&iacute;cio da liberdade jornal&iacute;stica, expressamente proibido pelo art. 220, &sect; 1&ordm;, da Constitui&ccedil;&atilde;o<\/em>&rsquo;&rsquo;. O ac&oacute;rd&atilde;o foi lavrado na sess&atilde;o de 28 de agosto.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>A&ccedil;&atilde;o Civil P&uacute;blica<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nO Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Trabalho no Rio Grande do Sul ajuizou A&ccedil;&atilde;o Civil P&uacute;blica na 22&ordf; Vara do Trabalho de Porto Alegre com o objetivo de compelir o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado a aceitar a sindicaliza&ccedil;&atilde;o de jornalistas n&atilde;o-diplomados. O pedido se deve ao fato de que muitos profissionais foram impedidos de se sindicalizar, motivando a abertura de Inqu&eacute;rito Civil.<\/p>\n<p>\nO MPT-RS argumenta que o Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordin&aacute;rio 511.961, julgado em junho de 2009, admitiu a possibilidade ampla do exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o de jornalista. Assim, n&atilde;o pode haver mais exig&ecirc;ncia do diploma de curso superior para associa&ccedil;&atilde;o sindical.<\/p>\n<p>\nO sindicato apresentou contesta&ccedil;&atilde;o, afirmando que a decis&atilde;o do STF apenas autoriza qualquer pessoa a exercer a profiss&atilde;o de jornalista, o que n&atilde;o significa que se lhe reconhe&ccedil;a esse t&iacute;tulo. Argumentou que a mesma terminologia, dada &agrave; atividade de jornalista e &agrave; profiss&atilde;o de jornalista, traz preju&iacute;zos para a compreens&atilde;o do tema, destacando que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel torn&aacute;-las equivalentes. Informa que aceita como associados profissionais que n&atilde;o possuam diploma de conclus&atilde;o do curso superior de Jornalismo, desde que se enquadrem nas categorias de diagramador, rep&oacute;rter ou ilustrador.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Senten&ccedil;a improcedente<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nO juiz do Trabalho Edson Pecis Lerrer observou que o pedido n&atilde;o diz respeito ao alcance da representatividade do sindicato, mas t&atilde;o-somente ao direito de sindicaliza&ccedil;&atilde;o de alguns profissionais do Jornalismo. &lsquo;&lsquo;<em>H&aacute; na presente a&ccedil;&atilde;o o confronto entre dois princ&iacute;pios basilares do sistema jur&iacute;dico trabalhista: de um lado, a liberdade sindical ampla concedida &agrave;s entidades sindicais, como o direito de dispor sobre seus estatutos e organiza&ccedil;&atilde;o interna; e, de outro, o direito dos trabalhadores &agrave; sindicaliza&ccedil;&atilde;o<\/em>&rsquo;&rsquo;, disse.<\/p>\n<p>\nPara ele, o pedido do MPT esbarra na ampla liberdade dada &agrave;s entidades sindicais ap&oacute;s a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988, j&aacute; que o artigo 8&ordm; elege como diretriz a liberdade de cria&ccedil;&atilde;o e funcionamento dos sindicatos. Com isso, veda a interven&ccedil;&atilde;o na organiza&ccedil;&atilde;o sindical. Afinal, a pr&oacute;pria Constitui&ccedil;&atilde;o assegura que ningu&eacute;m ser&aacute; compelido a filiar-se ou manter-se filiado a sindicato.<\/p>\n<p>\nPor outro lado, a seu ver, a decis&atilde;o do Supremo Tribunal Federal n&atilde;o desmaterializou o diploma de jornalista. S&oacute; o tornou &lsquo;&lsquo;<em>prescind&iacute;vel<\/em>&rsquo;&rsquo; para o exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o. Isso porque o cerne da decis&atilde;o visa resguardar o direito &agrave; livre manifesta&ccedil;&atilde;o do pensamento, no feixe das chamadas &lsquo;<em>&lsquo;obriga&ccedil;&otilde;es negativas<\/em>&rsquo;&rsquo; &#8211; de n&atilde;o fazer.<\/p>\n<p>\n&lsquo;&lsquo;<em>O que se valoriza, na decis&atilde;o desta a&ccedil;&atilde;o em particular, e nos limites do pedido, s&atilde;o os princ&iacute;pios da autonomia e da liberdade sindicais e, nesse sentido, a conclus&atilde;o que se obt&eacute;m &eacute; que n&atilde;o se pode obrigar o sindicato r&eacute;u a aceitar associados que n&atilde;o estejam enquadrados em seus requisitos estatut&aacute;rios. Diante do que se disse, a a&ccedil;&atilde;o &eacute; improcedente<\/em>&rsquo;&rsquo;, concluiu o juiz.<\/p>\n<p>\n<span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><strong><a href=\"http:\/\/s.conjur.com.br\/dl\/trt-reforma-sentenca-derruba-exigencia.pdf\"><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\">Clique aqui<\/span><\/a><\/strong><\/span> para ler o ac&oacute;rd&atilde;o.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><strong><a href=\"http:\/\/s.conjur.com.br\/dl\/vara-trabalhista-porto-alegre-indefere.pdf\"><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\">Clique aqui<\/span><\/a><\/strong><\/span> para ler a senten&ccedil;a.<\/span><\/span><span style=\"font-size: 12px;\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 5 minutos Bras&iacute;lia(DF) &#8211;&nbsp;A atual jurisprud&ecirc;ncia do Tribunal Superior do Trabalho e no Supremo Tribunal Federal torna [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[25],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8066"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8066"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8066\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8066"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8066"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8066"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}