{"id":8082,"date":"2014-10-29T00:00:00","date_gmt":"2014-10-29T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2014-10-29T00:00:00","modified_gmt":"2014-10-29T00:00:00","slug":"Cientistas-descobrem-genes-associados-a-violencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2014\/10\/29\/Cientistas-descobrem-genes-associados-a-violencia\/","title":{"rendered":"Cientistas descobrem genes associados \u00e0 viol\u00eancia"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 4 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\nUma an&aacute;lise gen&eacute;tica de quase 900 criminosos na Finl&acirc;ndia revelou dois genes que podem ser associados &agrave; viol&ecirc;ncia.&nbsp;Os criminosos identificados com os dois genes foram 13 vezes mais propensos a terem um hist&oacute;rico de comportamento violento frequente. Os autores do estudo, publicado no jornal Psiquiatria Molecular, disseram que cerca de 5% a 10% de todo crime violento praticado na Finl&acirc;ndia poderia ser atribu&iacute;do a pessoas com esses genes.<\/p>\n<p>\nAinda assim, eles ressaltam que os genes identificados n&atilde;o poder&atilde;o ser usados para &#8216;<em>mapear<\/em>&#8216; criminosos.&nbsp;V&aacute;rios outros genes podem estar envolvidos na propens&atilde;o &agrave; viol&ecirc;ncia e fatores do ambiente tamb&eacute;m t&ecirc;m um papel fundamental para gerar esse tipo de comportamento.<\/p>\n<p>\nMesmo se uma pessoa tem uma combina&ccedil;&atilde;o de &quot;<em>alto risco<\/em>&quot; desses genes, a maioria nunca ir&aacute; cometer um crime, segundo explica o principal autor da pesquisa, Jari Tiihonen do Instituto Karolinska na Su&eacute;cia.&nbsp;&quot;<em>Cometer um crime violento e pesado &eacute; extremamente raro na popula&ccedil;&atilde;o em geral. Ent&atilde;o mesmo que o risco relativo seja maior, o risco absoluto &eacute; muito baixo<\/em>&quot;, disse &agrave; BBC.<\/p>\n<p>\nO estudo &eacute; o primeiro com foco na composi&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica de tantos criminosos dessa forma.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Estudo<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nUm perfil de cada criminoso foi feito baseado nos crimes cometidos por eles &#8211; categorizando-os em &#8216;<em>violentos<\/em>&#8216; ou &#8216;<em>n&atilde;o violentos<\/em>&#8216;. A associa&ccedil;&atilde;o entre os genes e um comportamento violento anterior foi a mais forte para os 78 que tinham o perfil &#8216;<em>extremamente violento<\/em>&#8216;.<\/p>\n<p>\nEsse grupo tinha cometido um total de 1.154 homic&iacute;dios, tentativas de homic&iacute;dio ou les&otilde;es corporais. Em um grupo replicado de 114 criminosos, todos tinham cometido pelo menos um assassinato.<\/p>\n<p>\nTodos esses carregavam uma vers&atilde;o do gene MAOA de baixa atividade, que pesquisas anteriores j&aacute; haviam apelidado de &quot;<em>gene da viol&ecirc;ncia<\/em>&quot; por causa de sua liga&ccedil;&atilde;o com o comportamento agressivo.<\/p>\n<p>\nUma defici&ecirc;ncia da enzima que esse gene controla poderia resultar em uma &quot;<em>hiperatividade de dopamina<\/em>&quot;, principalmente quando uma pessoa bebe &aacute;lcool ou usa drogas como anfetamina, conforme explica Jari Tiihonen. A maioria das pessoas que cometem crimes violentos na Finl&acirc;ndia faz isso sob efeito de &aacute;lcool ou drogas.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Livre-arb&iacute;trio<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nPor enquanto, a informa&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica rec&eacute;m-descoberta n&atilde;o deve ter nenhuma influ&ecirc;ncia nos resultados de condena&ccedil;&otilde;es na Justi&ccedil;a, esclarece Tiihonen.&nbsp;&quot;<em>H&aacute; muitas coisas que podem contribuir para a capacidade mental de uma pessoa. A &uacute;nica coisa que importa &eacute; a capacidade mental do criminoso para entender as consequ&ecirc;ncias do que ele ou ela est&aacute; fazendo e se esse criminoso consegue ou n&atilde;o controlar seu pr&oacute;prio comportamento<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nChristopher Ferguson, da Universidade de Stetson, na Fl&oacute;rida, concordou e acrescentou que &quot;<em>n&atilde;o h&aacute; um ou mesmo dois genes que podem s&oacute; por eles mesmos representar um &#8216;c&oacute;digo&#8217; para a viol&ecirc;ncia ou para o crime<\/em>&quot;. &quot;<em>De alguma forma, todos somos produtos da gen&eacute;tica e do ambiente em que vivemos, mas n&atilde;o acho que isso tira da gente o livre-arb&iacute;trio ou a capacidade de distinguir certo e errado<\/em>&quot;, diz.<\/p>\n<p>\nApesar desse ponto de vista, compartilhado por muitos outros cientistas, existem v&aacute;rios casos de advogados de defesa que utilizaram a informa&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica para tentar reduzir senten&ccedil;as.<\/p>\n<p>\nEm 2009, um tribunal na It&aacute;lia reduziu a pena de um criminoso com genes ligados ao mau comportamento. Em um caso semelhante nos EUA, o perfil gen&eacute;tico de um assassino foi apontado como um fator que contribuiu para o crime cometido por ele.&nbsp;&quot;<em>Estudos como esse realmente documentar que uma grande porcentagem do nosso comportamento em termos de viol&ecirc;ncia ou agress&atilde;o &eacute; influenciado por nossa biologia &#8211; nossos genes &#8211; e nossa anatomia do c&eacute;rebro<\/em>&quot;, contou Tiihonen.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>&Eacute; importante para conceituar o crime e a viol&ecirc;ncia, saber de onde v&ecirc;m, mesmo que isso n&atilde;o consiga mudar radicalmente o sistema de justi&ccedil;a criminal<\/em>&quot;.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Cr&iacute;tica<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nBrett Haberstick da Universidade do Colorado, disse que o trabalho mostra que &quot;<em>encontrar genes para o comportamento criminoso vai ser dif&iacute;cil<\/em>&quot;, apesar de uma longa tradi&ccedil;&atilde;o de trabalho biol&oacute;gico na &aacute;rea de criminologia.&nbsp;&quot;<em>Valeria a pena olhar quais s&atilde;o as contribui&ccedil;&otilde;es biol&oacute;gicas para o comportamento criminoso ou anti-social e como &eacute; o impacto delas sobre os indiv&iacute;duos, as comunidades e a sociedade em geral. O que eu penso, no entanto, &eacute; que &eacute; vital que a influ&ecirc;ncia do ambiente seja considerada tamb&eacute;m<\/em>&quot;, disse.<\/p>\n<p>\nJan Schnupp na Universidade de Oxford era cr&iacute;tico do trabalho. Ele comentou que at&eacute; metade da popula&ccedil;&atilde;o poderia ter um dos genes envolvidos.&nbsp;&quot;<em>Para chamar de &#8216;genes para a viol&ecirc;ncia&#8217; seria um exagero enorme. Em combina&ccedil;&atilde;o com muitos outros fatores, esses genes podem fazer com que fique um pouco mais dif&iacute;cil para voc&ecirc; controlar impulsos violentos, mas mais enfaticamente eles n&atilde;o podem predeterminar voc&ecirc; para uma vida de crime<\/em>&quot;.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 4 minutos Uma an&aacute;lise gen&eacute;tica de quase 900 criminosos na Finl&acirc;ndia revelou dois genes que podem ser [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[29],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8082"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8082"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8082\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8082"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8082"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8082"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}