{"id":8182,"date":"2015-02-05T00:00:00","date_gmt":"2015-02-05T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2015-02-05T00:00:00","modified_gmt":"2015-02-05T00:00:00","slug":"Supremo-autoriza-capitalizacao-de-juros-em-emprestimos-bancarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2015\/02\/05\/Supremo-autoriza-capitalizacao-de-juros-em-emprestimos-bancarios\/","title":{"rendered":"Supremo autoriza capitaliza\u00e7\u00e3o de juros em empr\u00e9stimos banc\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 6 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\"><br \/>\n<span style=\"color: #ff0000\"><span style=\"font-family: Arial\"><strong><em>Por 7 votos a 1, Plen&aacute;rio da corte autoriza bancos a firmar contratos em que podem incidir juros compostos em parcelas menores que anuais.<\/em><\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p>\nO Supremo Tribunal Federal autorizou, nesta quarta-feira(<span style=\"font-family: Arial\">04Fevereiro2015<\/span>), a capitaliza&ccedil;&atilde;o de juros em empr&eacute;stimos banc&aacute;rios com periodicidade inferior a um ano. Por 7 votos a 1, o Plen&aacute;rio entendeu que a Medida Provis&oacute;ria que autorizou o c&aacute;lculo de juros compostos &eacute; constitucional. Isso quer dizer que os bancos est&atilde;o autorizados a firmar contratos em que podem incidir juros compostos em parcelas menores que anuais.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\">A discuss&atilde;o era sobre a constitucionalidade da Medida Provis&oacute;ria 2.170-36\/2001, que em seu artigo 5&ordm; autoriza &ldquo;<em>a capitaliza&ccedil;&atilde;o de juros com periodicidade inferior a um ano<\/em>&rdquo;. Em Recurso Extraordin&aacute;rio com repercuss&atilde;o geral reconhecida, o banco Fiat reclama de decis&atilde;o do Tribunal de Justi&ccedil;a do Rio Grande do Sul que o proibiu de cobrar juros maiores que 12% ao ano(<span style=\"font-family: Arial\">e que 1% ao m&ecirc;s, portanto<\/span>).<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\">Para o banco, o ac&oacute;rd&atilde;o violou o artigo 62 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, que d&aacute; autonomia &agrave; Uni&atilde;o para, &ldquo;<em>em caso de relev&acirc;ncia e urg&ecirc;ncia<\/em>&rdquo;, adotar medidas provis&oacute;rias, &ldquo;<em>com for&ccedil;a de lei<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>\n<img decoding=\"async\" alt=\"\" align=\"left\" src=\"http:\/\/www.obeabadosertao.com.br\/UserFiles\/Image\/judiciario\/marco_aurelio_mello_ministro_supremo.jpg\" \/>O relator, <strong>ministro Marco Aur&eacute;lio<\/strong>, foi o &uacute;nico que votou pela inconstitucionalidade da Medida Provis&oacute;ria. Afirmou que n&atilde;o estavam presentes os requisitos de relev&acirc;ncia e urg&ecirc;ncia da mat&eacute;ria, j&aacute; que a Lei da Usura, um decreto presidencial de 1933, proibia a capitaliza&ccedil;&atilde;o. E em 1976, o Supremo entendeu que o Sistema Financeiro Nacional n&atilde;o se submete &agrave; lei. Portanto, j&aacute; havia tratamento legislativo e judicial a respeito do tema.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\">A sustenta&ccedil;&atilde;o oral do procurador-chefe do Banco Central, Isaac Sidney Menezes Ferreira, entretanto, atacou justamente esse ponto. De acordo com ele, j&aacute; havia tratamento sobre a mat&eacute;ria no Brasil, mas tamb&eacute;m havia enorme inseguran&ccedil;a jur&iacute;dica. E justamente porque enquanto a lei determinava uma coisa, uma s&uacute;mula do STF determinava o oposto. O resultado foram decis&otilde;es judiciais em todos os sentidos, segundo o procurador.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\">O BC entrou no caso como amicus curiae, na qualidade de &ldquo;<em>guardi&atilde;o da moeda<\/em>&rdquo;. Na sustenta&ccedil;&atilde;o feita nesta quarta, Ferreira disse que, como havia inseguran&ccedil;a, os bancos assinavam contratos com juros capitalizados e alt&iacute;ssimos&nbsp;&#8211; caso o Judici&aacute;rio viesse a declarar o contrato ilegal, o pre&ccedil;o dos juros compensaria o risco. Isso se traduziu em aumento do custo do cr&eacute;dito.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><strong>Fio da meada<\/strong><\/span><\/span><\/span><span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\"><br \/>\nA diverg&ecirc;ncia seguiu algumas das balizas tra&ccedil;adas pelo Banco Central, mas circulou principalmente o entendimento da ministra C&aacute;rmen L&uacute;cia. Em uma A&ccedil;&atilde;o Direta de Inconstitucionalidade ajuizada contra a MP 2.170-36, cujo julgamento foi interrompido h&aacute; oito anos por pedido de vista e nunca foi retomado, a ministra abriu a diverg&ecirc;ncia. Explicou que a urg&ecirc;ncia e relev&acirc;ncia estavam, sim, presentes.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\">A relev&acirc;ncia era a regula&ccedil;&atilde;o das opera&ccedil;&otilde;es de cr&eacute;dito do sistema financeiro. A urg&ecirc;ncia estava no contexto da &eacute;poca: a inseguran&ccedil;a levou ao encarecimento dos juros e o aumento do spread(<span style=\"font-family: Arial\">diferen&ccedil;a entre o pre&ccedil;o pago pelo banco e cobrado ao consumidor em empr&eacute;stimos<\/span>), que justificaram uma a&ccedil;&atilde;o imediata do governo federal.<\/p>\n<p>\nO ministro Teori Zavascki, o primeiro a votar depois do relator e o primeiro a divergir, partiu da&iacute; e afirmou que a jurisprud&ecirc;ncia do Supremo em rela&ccedil;&atilde;o aos requisitos para a edi&ccedil;&atilde;o de MPs &eacute; de que a aus&ecirc;ncia deles &eacute; preciso estar &ldquo;<em>cabalmente demonstrada<\/em>&rdquo;. No caso da relev&acirc;ncia, Teori argumentou que &eacute; &ldquo;<em>dif&iacute;cil dizer<\/em>&rdquo; que &eacute; irrelevante tratar da regula&ccedil;&atilde;o das opera&ccedil;&otilde;es do sistema financeiro.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\n<span style=\"font-size: small\"><span style=\"font-family: Verdana\">Sobre a urg&ecirc;ncia, Zavascki preferiu optar pela &ldquo;<em>conveni&ecirc;ncia<\/em>&rdquo; de n&atilde;o se interferir numa situa&ccedil;&atilde;o que vigora h&aacute; 15 anos. Segundo ele, o Supremo n&atilde;o poderia se &ldquo;<em>transportar para o passado<\/em>&rdquo; e dizer que aquela medida provis&oacute;ria &eacute; nula porque n&atilde;o era urgente.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><strong>Favor legis<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\n<img decoding=\"async\" alt=\"\" align=\"absMiddle\" src=\"http:\/\/www.obeabadosertao.com.br\/UserFiles\/Image\/judiciario\/ministro_luiz_fux_stf_465.jpg\" \/><br \/>\nO <strong>ministro Luiz Fux<\/strong>&nbsp;apontou que o Supremo tem retomado um balan&ccedil;o entre o controle judicial e o interesse legislativo. Nesse caso, votou para que o tribunal entenda a favor da lei e pela legitimidade do interesse legislativo. &ldquo;<em>A interfer&ecirc;ncia judicial pode ter consequ&ecirc;ncias nefastas<\/em>&rdquo;, disse em Plen&aacute;rio.<\/p>\n<p>\n<img decoding=\"async\" alt=\"\" align=\"right\" src=\"http:\/\/www.obeabadosertao.com.br\/UserFiles\/Image\/judiciario\/ministro_gilmar_mendes_stf_001.jpg\" \/>O <strong>ministro Gilmar Mendes <\/strong>seguiu a mesma linha de racioc&iacute;nio. Afirmou que n&atilde;o se poderia fazer uma avalia&ccedil;&atilde;o retroativa da situa&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea dos anos 2000, pois seria &ldquo;<em>a diferen&ccedil;a entre aut&oacute;psia e bi&oacute;psia<\/em>&rdquo;. &ldquo;Esse escrut&iacute;nio h&aacute; de ser feito em favor do ju&iacute;zo adotado &agrave; &eacute;poca&rdquo;, comentou o ministro sobre o &ldquo;<em>elemento pol&iacute;tico da urg&ecirc;ncia<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>\nGilmar comentou ensinamento do ministro Vitor Nunes Leal sobre t&eacute;cnica legislativa. Para Nunes Leal, tratar de leis &eacute; como acondicionar bombas: &ldquo;<em>O resultado n&atilde;o &eacute; t&atilde;o espetacular, mas pode ser igualmente desastroso<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: medium\"><span style=\"font-family: Arial\"><strong>Norma em vigor<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nO relator lembrou aos colegas que a norma discutida nesta quarta est&aacute; em vigor h&aacute; 15 anos, desde agosto de 2001, mas resultou de diversas reitera&ccedil;&otilde;es. A primeira vers&atilde;o da MP data de 2000. E no mesmo ano chegou ao Supremo a A&ccedil;&atilde;o Direta de Inconstitucionalidade 2.316, parada desde 2004 por pedido de vista do ministro Carlos Velloso&nbsp;&#8211; foi nessa ADI que a ministra C&aacute;rmen L&uacute;cia exp&ocirc;s seu entendimento.<\/p>\n<p>\n<img decoding=\"async\" align=\"left\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.obeabadosertao.com.br\/UserFiles\/Image\/judiciario\/ministro_enrique_ricardo_lewandowski_stf_200.jpg\" \/>Para o presidente do Supremo, <strong>ministro Ricardo Lewandowski<\/strong>, esses dados &ldquo;<em>talvez sejam<\/em>&rdquo; indicativos da &ldquo;<em>complexidade do tema<\/em>&rdquo;. Acrescentou que a MP, com a reda&ccedil;&atilde;o atual, vige desde 2001 sem qualquer manifesta&ccedil;&atilde;o do Congresso &mdash; o que pode ser interpretado como uma aceita&ccedil;&atilde;o da atitude do Executivo, segundo o presidente. E a Emenda Constitucional 32, tamb&eacute;m de 2001, que altera o artigo 62 da Constitucional, diz que as MPs editadas at&eacute; a data da promulga&ccedil;&atilde;o da Emenda(<span style=\"font-family: Arial\">12 de setembro de 2001<\/span>) &ldquo;<em>continuam em vigor<\/em>&rdquo; at&eacute; que outra MP a revogue ou at&eacute; &ldquo;<em>delibera&ccedil;&atilde;o definitiva do Congresso Nacional<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>\nO ministro Teori Zavascki, em seu voto, disse que isso seria uma forma de o Congresso anuir ao conte&uacute;do da medida que trata da capitaliza&ccedil;&atilde;o. &ldquo;<em>Dou a m&atilde;o &agrave; palmat&oacute;ria<\/em>&rdquo;, disse Marco Aur&eacute;lio quando Lewandowski falou da falta de a&ccedil;&atilde;o do Congresso, se isso quiser dizer que o Legislativo concorda com &ldquo;<em>todas as 40 medidas provis&oacute;rias pendentes de an&aacute;lise<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>\n<\/span><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"font-size: x-small\"><strong><span style=\"font-family: Arial\">RE 592.377<\/span><\/strong><\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 6 minutos Por 7 votos a 1, Plen&aacute;rio da corte autoriza bancos a firmar contratos em que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[25],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8182"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8182"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8182\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8182"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8182"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8182"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}