{"id":8240,"date":"2015-03-08T00:00:00","date_gmt":"2015-03-08T00:01:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2015-03-08T00:00:00","modified_gmt":"2015-03-08T00:00:00","slug":"Receber-seguro-desemprego-enquanto-trabalha-e-estelionato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2015\/03\/08\/Receber-seguro-desemprego-enquanto-trabalha-e-estelionato\/","title":{"rendered":"Receber seguro-desemprego enquanto trabalha \u00e9 estelionato"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 5 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\nSimular demiss&atilde;o para receber o seguro-desemprego &eacute; crime de estelionato, tipificado no artigo 171 do C&oacute;digo Penal. Quem o comete com consci&ecirc;ncia da ilicitude, em fun&ccedil;&atilde;o do curso superior, tamb&eacute;m n&atilde;o pode alegar erro ou desconhecimento da lei, como preveem beneficamente os artigos 20 e 21 do CP. O entendimento levou a 7&ordf;. Turma do Tribunal Regional Federal da 4&ordf;. Regi&atilde;o a manter, na &iacute;ntegra, senten&ccedil;a que condenou por estelionato a s&oacute;cia-empregada de um grupo empresarial catarinense que sacou cinco parcelas do benef&iacute;cio enquanto permanecia trabalhando e recebendo seu sal&aacute;rio.<\/p>\n<p>\nA desembargadora Claudia Cristina Cristofani, que negou provimento &agrave; Apela&ccedil;&atilde;o Criminal, observou que o artigo 3&ordm; da Lei 7.998\/1990 exige que o trabalhador, para fazer jus ao benef&iacute;cio, n&atilde;o possua outra renda pr&oacute;pria de qualquer natureza &#8211; condi&ccedil;&atilde;o que a r&eacute; n&atilde;o cumpria.<\/p>\n<p>\nTal como o ju&iacute;zo de primeiro grau, a relatora percebeu que a r&eacute; agiu de forma deliberada, consciente e injustific&aacute;vel na consuma&ccedil;&atilde;o do delito. &lsquo;&lsquo;<em>&Eacute; de conhecimento do homem m&eacute;dio que, como o pr&oacute;prio nome sugere, o benef&iacute;cio em quest&atilde;o visa proteger o trabalhador do desemprego e, por &oacute;bvio, n&atilde;o pode ser recebido se a pessoa permanece laborando e sendo remunerada pela empresa<\/em>&rsquo;&rsquo;, escreveu no ac&oacute;rd&atilde;o. A decis&atilde;o foi lavrada na sess&atilde;o do dia 3 de fevereiro.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>A den&uacute;ncia<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nO Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal apresentou den&uacute;ncia contra a administradora de empresas Gisane Bruna Sell. Ela foi acusada de receber cinco parcelas do seguro-desemprego, cada uma no valor de R$ 870,01, no per&iacute;odo de 1&ordm; de setembro de 2009 a 5 de janeiro de 2010, por conta da sua demiss&atilde;o sem justa causa em uma metal&uacute;rgica.<\/p>\n<p>\nNo curso do inqu&eacute;rito aberto pelo MPF, ficou demonstrado que, no mesmo per&iacute;odo, ela continuou a desempenhar suas atividades sem registro em carteira para uma fundi&ccedil;&atilde;o do mesmo grupo econ&ocirc;mico, estabelecida em Joinville(<span style=\"font-family: Arial;\">SC<\/span>). O auditor fiscal da Receita Federal, que procedeu a autua&ccedil;&atilde;o, constatou que ambas as empresas se localizam no mesmo endere&ccedil;o, se utilizam de iguais instala&ccedil;&otilde;es e partilham os mesmos funcion&aacute;rios.<\/p>\n<p><\/span><\/span><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"\/UserFiles\/Image\/economia\/trabalhadores_imagem_465.jpg\" width=\"465\" height=\"311\" align=\"absMiddle\" alt=\"\" style=\"font-family: Verdana; font-size: small;\" \/><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><\/p>\n<p>A pe&ccedil;a inicial afirma que a pr&oacute;pria acusada confirma ter sacado as parcelas de seguro-desemprego e permanecido trabalhando na empresa, mesmo ap&oacute;s sua &lsquo;&lsquo;<em>demiss&atilde;o<\/em>&rsquo;&rsquo;. Ela figura como s&oacute;cia da fundi&ccedil;&atilde;o desde 14 de janeiro de 2009, segundo a quinta altera&ccedil;&atilde;o contratual. Segundo o MPF, a conduta se encaixa ao tipo penal descrito no artigo 171, par&aacute;grafo 3&ordm;, do C&oacute;digo Penal(<span style=\"font-family: Arial;\">estelionato em detrimento do Fundo de Amparo ao Trabalhador<\/span>).<\/p>\n<p>\nAntes do oferecimento formal da den&uacute;ncia, a pedido do MPF, a acusada foi intimada pessoalmente a recolher os valores sacados indevidamente, no prazo de 30 dias. Se atendesse a intima&ccedil;&atilde;o, seria poss&iacute;vel reduzir sua pena ao patamar necess&aacute;rio para propor suspens&atilde;o condicional do processo, em raz&atilde;o da repara&ccedil;&atilde;o do dano, nos termos do artigo 16 do C&oacute;digo Penal. Ela, no entanto, preferiu n&atilde;o se manifestar.<\/p>\n<p>\nCitada pela 1&ordf; Vara Federal de Joinville, a r&eacute; tamb&eacute;m silenciou, deixando de oferecer resposta &agrave; denuncia dentro do prazo processual. Decretada revelia, o ju&iacute;zo intimou a Defensoria P&uacute;blica da Uni&atilde;o a se manifestar sobre o processo. Em resposta, o defensor constitu&iacute;do sustentou que a r&eacute; agiu sem dolo, porque n&atilde;o tinha consci&ecirc;ncia nem vontade de praticar o crime. Disse que a mulher agiu com a falsa percep&ccedil;&atilde;o da realidade, incorrendo em erro de tipo inescus&aacute;vel, uma vez que deixou que n&atilde;o sabia da impossibilidade de receber o seguro-desemprego enquanto exercia atividade laboral.<\/p>\n<p><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Senten&ccedil;a condenat&oacute;ria<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\nO juiz federal Roberto Fernandes J&uacute;nior julgou procedente a pretens&atilde;o acusat&oacute;ria, por entender que ficaram caracterizados o fato criminoso e a autoria, tais como descritos em detalhes pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal. Ele destacou o depoimento do auditor, ouvido como testemunha da acusa&ccedil;&atilde;o, em que este apurou que a r&eacute; figurava como empregada e s&oacute;cia da metal&uacute;rgica e s&oacute;cia da fundi&ccedil;&atilde;o. Em consulta ao sistema do Minist&eacute;rio do Trabalho e Emprego(<span style=\"font-family: Arial;\">MTE<\/span>), o auditor constatou que a r&eacute; auferiu pr&oacute;-labore ao mesmo tempo em que recebia o benef&iacute;cio do seguro desemprego.<\/p>\n<p>\nNa percep&ccedil;&atilde;o do julgador, a r&eacute;, de forma livre e consciente, obteve vantagem il&iacute;cita no total de R$ 4.350,05, em preju&iacute;zo do Fundo de Amparo ao Trabalhador. Ou seja, ao apresentar rescis&atilde;o de contrato de trabalho sem justa causa, omitindo-se quanto ao fato de que continuava a exercer atividade remunerada no mesmo per&iacute;odo em empresa do mesmo grupo econ&ocirc;mico, induziu o ente p&uacute;blico a erro, praticando o crime de estelionato.<\/p>\n<p>\n<img decoding=\"async\" src=\"\/UserFiles\/Image\/economia\/ctps_465.jpg\" width=\"465\" height=\"311\" align=\"absMiddle\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>A situa&ccedil;&atilde;o se agrava, segundo a senten&ccedil;a, porque a autora do crime &eacute; formada em Administra&ccedil;&atilde;o de Empresas. Ou seja, sabia que simular a sua demiss&atilde;o traria consequ&ecirc;ncias. &lsquo;&lsquo;<em>Afinal, consta da grade curricular do curso de Administra&ccedil;&atilde;o de Empresas o fornecimento de conhecimentos b&aacute;sicos acerca da legisla&ccedil;&atilde;o trabalhista, tribut&aacute;ria e da assist&ecirc;ncia social<\/em>&rsquo;&rsquo;, complementou. Assim, alega&ccedil;&otilde;es que poderiam diminuir a pena(<span style=\"font-family: Arial;\">artigos 20  e 21 do C&oacute;digo Penal<\/span>) devem ser vistas com cautela.<\/p>\n<p>\nAp&oacute;s a fundamenta&ccedil;&atilde;o, o juiz condenou a r&eacute; &agrave; pena de um ano e quatro meses de reclus&atilde;o. Na dosimetria, a pena privativa de liberdade foi substitu&iacute;da por presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os &agrave; comunidade e pena pecuni&aacute;ria de cinco sal&aacute;rios-m&iacute;nimos e multa de 39 dias-multa &#8211; &agrave; raz&atilde;o de um ter&ccedil;o do sal&aacute;rio-m&iacute;nimo cada dia.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 5 minutos Simular demiss&atilde;o para receber o seguro-desemprego &eacute; crime de estelionato, tipificado no artigo 171 do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[25],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8240"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8240"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8240\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8240"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8240"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8240"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}