{"id":8305,"date":"2015-05-01T00:00:00","date_gmt":"2015-05-01T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2015-05-01T00:00:00","modified_gmt":"2015-05-01T00:00:00","slug":"As-consequencias-de-deixar-a-crianca-ser-o-centro-da-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2015\/05\/01\/As-consequencias-de-deixar-a-crianca-ser-o-centro-da-familia\/","title":{"rendered":"As consequ\u00eancias de deixar a crian\u00e7a ser o centro da fam\u00edlia"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 8 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\n<span style=\"color: rgb(255, 0, 0);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><em><strong>Al&eacute;m das complica&ccedil;&otilde;es na vida dos filhos, como dificuldade de socializa&ccedil;&atilde;o e inseguran&ccedil;a, deixar a crian&ccedil;a comandar a din&acirc;mica familiar pode prejudicar &#8211; e muito &#8211; o casal.<\/strong><\/em><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p>\nAs atividades da fam&iacute;lia s&atilde;o definidas em fun&ccedil;&atilde;o dos filhos, assim como o card&aacute;pio de qualquer refei&ccedil;&atilde;o. As m&uacute;sicas ouvidas no carro e os programas assistidos na televis&atilde;o precisam acompanhar o gosto dos pequenos, nunca dos adultos. Em resumo, s&atilde;o as crian&ccedil;as que comandam o que acontece e o que deixa de acontecer em casa. Quando isso acontece e elas j&aacute; t&ecirc;m mais de dois anos de idade, &eacute; hora de acender uma luz de alerta. Eis a&iacute; um caso de infantolatria.<\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><br \/>\n<span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\n&ldquo;<em>O processo de mudan&ccedil;a nos conceitos de fam&iacute;lia iniciado no s&eacute;culo 18 por Jean-Jacques Rousseau(<span style=\"font-family: Arial;\">fil&oacute;sofo su&iacute;&ccedil;o, um dos principais nomes do Iluminismo<\/span>) chegou ao s&eacute;culo 20 com a &lsquo;religi&atilde;o da maternidade&rsquo;, em que o beb&ecirc; &eacute; um deus e a m&atilde;e, uma santa. Instituiu-se o que &eacute; uma boa m&atilde;e sob a cren&ccedil;a de que ela &eacute; respons&aacute;vel e culpada por tudo que acontece na vida do filho, tudo que ele faz e far&aacute;. Muitos afirmam que a mulher venceu, pois emancipou-se e foi para o mercado de trabalho, mas n&atilde;o: &eacute; a crian&ccedil;a que entra no s&eacute;culo 21 como a vitoriosa. Esta &eacute; a semente da infantolatria<\/em>&rdquo;, explica a psicanalista Marcia Neder, pesquisadora do N&uacute;cleo de Pesquisa de Psican&aacute;lise e Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade de S&atilde;o Paulo(<span style=\"font-family: Arial;\">Nuppe-USP<\/span>) e autora do livro &ldquo;<em>D&eacute;spotas Mirins &ndash; O Poder nas Novas Fam&iacute;lias<\/em>&rdquo;, da editora Zagodoni.<\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><br \/>\n<span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\nEm poucas palavras, Marcia define infantolatria como &ldquo;<em>a institui&ccedil;&atilde;o da m&atilde;e como s&uacute;dita do filho e o adulto se colocando absolutamente dispon&iacute;vel para a crian&ccedil;a<\/em>&rdquo;. E exime os pequenos de qualquer responsabilidade sobre o quadro: &ldquo;<em>Um beb&ecirc; n&atilde;o tem poder para determinar como ser&aacute; a din&acirc;mica familiar. Se isso acontece, &eacute; porque os pais promovem<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p><\/span><\/span><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Reinado curto<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.obeabadosertao.com.br\/UserFiles\/Image\/educacao\/crianca_com_mundo_capa.JPG\" align=\"left\" alt=\"\" \/>A verdade &eacute; que existe um per&iacute;odo em que os filhos podem reinar na fam&iacute;lia, mas ele &eacute; curto. &ldquo;<em>Quando o beb&ecirc; nasce e chega em casa, precisa ser colocado no centro das a&ccedil;&otilde;es, pois precisa ser decifrado, entendido. Ele deve perder o trono no final do primeiro, no m&aacute;ximo ao longo do segundo ano de vida, para entender que existe o outro, com necessidades e vontades diferentes das dele<\/em>&rdquo;, esclarece Vera Blondina Zimmermann, psic&oacute;loga do Centro de Refer&ecirc;ncia da Inf&acirc;ncia e Adolesc&ecirc;ncia da Universidade Federal de S&atilde;o Paulo(<span style=\"font-family: Arial;\">Unifesp<\/span>).<\/p>\n<p>\n<\/span><\/span><span style=\"font-family: Verdana; font-size: small;\">A infantolatria ganha espa&ccedil;o quando os pais n&atilde;o sabem ou n&atilde;o conseguem fazer essa adequa&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a &agrave; realidade que a cerca e a mant&ecirc;m no centro das aten&ccedil;&otilde;es por tempo indefinido. &ldquo;<em>Em uma fam&iacute;lia com relacionamento saud&aacute;vel, o filho entra e tem que ser adaptado &agrave; din&acirc;mica da casa, &agrave; rotina dos adultos<\/em>&rdquo;, afirma a psic&oacute;loga.<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><br \/>\n<span style=\"font-family: Verdana;\"><\/p>\n<p><\/span><\/span><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Seguran&ccedil;a ou inseguran&ccedil;a?<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">Na casa da analista cont&aacute;bil Paula Torres, &eacute; ao redor de Luigi, de cinco anos, que tudo acontece. Entre os privil&eacute;gios do garoto est&atilde;o definir o canal em que a TV fica ligada e o dia do fim de semana em que ser&aacute; servida pizza no jantar. &ldquo;<em>Acho importante a crian&ccedil;a se sentir amada e saber que suas vontades s&atilde;o relevantes para a fam&iacute;lia<\/em>&rdquo;, opina.<\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><br \/>\n<span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\nEla conta que seu marido, o tamb&eacute;m analista cont&aacute;bil Luiz Andr&eacute; Torres, n&atilde;o gosta muito disso e constantemente reclama que o filho &eacute; mimado demais. &ldquo;<em>Mas bato o p&eacute; e defendo essa prote&ccedil;&atilde;o. Quando o Luigi crescer, ser&aacute; mais seguro para lidar com os adultos, j&aacute; que suas opini&otilde;es s&atilde;o levadas em considera&ccedil;&atilde;o pelos adultos com quem ele convive desde j&aacute;<\/em>&rdquo;, acredita.<\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><br \/>\n<span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\nN&atilde;o &eacute; o que as especialistas dizem. &ldquo;<em>Se o filho fica no n&iacute;vel dos pais, acaba criando para si uma falsa sensa&ccedil;&atilde;o de poder e autonomia que, em um momento mais adiante, se traduzir&aacute; em uma profunda inseguran&ccedil;a. Ele sentir&aacute; a falta de uma refer&ecirc;ncia forte de seguran&ccedil;a de um adulto em sua forma&ccedil;&atilde;o<\/em>&rdquo;, explica Vera.<\/p>\n<p>\nMarcia diz ainda que, ao chegar &agrave; idade adulta, esse filho cobrar&aacute; os pais. &ldquo;<em>Ele olhar&aacute; ao redor e ver&aacute; outras pessoas se realizando independentemente dele. A crian&ccedil;a que acha que o mundo tem que parar para ela passar n&atilde;o consegue imaginar isso acontecendo e n&atilde;o est&aacute; preparada para lidar com a m&iacute;nima das frustra&ccedil;&otilde;es. Em algum ponto, acusar&aacute; os pais de terem sido omissos<\/em>&rdquo;.<\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><br \/>\n<span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\nPara Vera, supervalorizar os pequenos e nivel&aacute;-los aos adultos &ldquo;<em>&eacute; o resultado de uma proje&ccedil;&atilde;o narc&iacute;sica dos pais nos filhos, que se veem nas qualidades que enxergam em suas crian&ccedil;as<\/em>&rdquo;. Marcia concorda: &ldquo;<em>Isso tudo tem a ver com a vaidade da m&atilde;e, que considera aquele filho uma parte melhorada dela pr&oacute;pria e, por isso, a criatura mais importante do mundo<\/em>&rdquo;.<\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><br \/>\n<span style=\"font-family: Verdana;\"><\/p>\n<p><\/span><\/span><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Os alertas do dia a dia<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">Muitas vezes, os pais n&atilde;o se d&atilde;o conta de que est&atilde;o tratando os filhos como reis ou rainhas, ent&atilde;o precisam levar uns chacoalh&otilde;es da realidade fora de suas casas. &ldquo;<em>Eles geralmente caem em si quando come&ccedil;a a sociabiliza&ccedil;&atilde;o. A escola reclama porque o aluno n&atilde;o respeita as regras, a crian&ccedil;a tem dificuldade para fazer amiguinhos porque as outras, com autoestima positiva, n&atilde;o querem ficar perto de algu&eacute;m que ache que manda em todos<\/em>&rdquo;, aponta Vera.<\/p>\n<p>\n&ldquo;<em>Em um futuro bem imediato, as rea&ccedil;&otilde;es dos colegas podem fazer a crian&ccedil;a perceber que precisa mudar. Ela se comportar&aacute; com eles como faz com a fam&iacute;lia e receber&aacute; a n&atilde;o-aceita&ccedil;&atilde;o como resposta. Ter&aacute; de lidar com isso para ter amigos<\/em>&rdquo;, afirma Marcia.<\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><br \/>\n<span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\nMesmo assim, ela ainda correr&aacute; o risco de n&atilde;o conseguir rever seus comportamentos devido a uma superprote&ccedil;&atilde;o parental, adverte Vera: &ldquo;<em>Em alguns casos d&aacute; para ela se salvar, mas muitos pais preferem culpar o &lsquo;mundo injusto com seu filho perfeito&rsquo;, o que impede que ela entenda as necessidades dos outros e refor&ccedil;a seus problemas de inadequa&ccedil;&atilde;o para a adapta&ccedil;&atilde;o social<\/em>&rdquo;.<\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><br \/>\n<span style=\"font-family: Verdana;\"><\/p>\n<p><\/span><\/span><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>E como fica o casal?<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">Al&eacute;m de todas as complica&ccedil;&otilde;es causadas pela infantolatria na vida dos filhos, ela prejudica &#8211;&nbsp;<em>e muito<\/em>&nbsp;&#8211; o casal que a promove. &ldquo;<em>Na rela&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel, o casal continua sendo o mais importante na fam&iacute;lia mesmo com a chegada da crian&ccedil;a. Se os pais mant&ecirc;m o filho no centro por mais tempo do que o necess&aacute;rio, acabar&atilde;o se afastando<\/em>&rdquo;, alerta Vera.<\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><br \/>\n<span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\n&ldquo;<em>Some o casal. O &lsquo;marido&rsquo; e a &lsquo;mulher&rsquo; passam a ser o &lsquo;pai&rsquo; e a &lsquo;m&atilde;e&rsquo;. E se em uma casa a m&atilde;e &eacute; a santa e o filho &eacute; o deus, onde fica o espa&ccedil;o do pai<\/em>?&rdquo;, questiona Marcia. &ldquo;<em>Muitos tentam entrar, reconquistar seu espa&ccedil;o, mas outros simplesmente caem fora<\/em>&rdquo;, constata.<\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><br \/>\n<span style=\"font-family: Verdana;\"><\/p>\n<p><\/span><\/span><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: medium;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><strong>O futuro da infantolatria<\/strong><\/span><\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\">Sabendo disso tudo, os pais t&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es de se preparar para evitar os estragos na cria&ccedil;&atilde;o dos filhos. Marcia conta que percebe que as pessoas t&ecirc;m encontrado em sua an&aacute;lise uma sa&iacute;da para a tirania infantil.<\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><br \/>\n<span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\n&ldquo;<em>N&atilde;o sou adivinha, mas creio que o novo arranjo familiar, em que os pais tamb&eacute;m assumem fun&ccedil;&otilde;es na cria&ccedil;&atilde;o dos filhos e as m&atilde;es seguem carreiras por prazer, v&aacute; ajudar a mudar o panorama, assim como os arranjos homoparentais que come&ccedil;am a ser mais comuns<\/em>&rdquo;, diz, para complementar: &ldquo;<em>Creio que todos os comportamentos continuar&atilde;o existindo, mas temos a obriga&ccedil;&atilde;o de trabalhar para reverter esse quadro. O filho n&atilde;o &eacute; o centro porque quer, mas porque o adulto permite<\/em>&rdquo;.<\/span><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: small;\"><br \/>\n<span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\nVera enxerga o futuro da situa&ccedil;&atilde;o de forma um pouco diferente. &ldquo;<em>Nossa sociedade &eacute; muito apressada e, no geral, n&atilde;o d&aacute; espa&ccedil;o para a preocupa&ccedil;&atilde;o com o outro. Isso tende a potencializar esse tipo de problema, a naturalizar para a crian&ccedil;a o fato de que ela &eacute; o que mais importa, como aprendeu em casa com o comportamento dos pais em rela&ccedil;&atilde;o a ela<\/em>&rdquo;, finaliza.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 8 minutos Al&eacute;m das complica&ccedil;&otilde;es na vida dos filhos, como dificuldade de socializa&ccedil;&atilde;o e inseguran&ccedil;a, deixar a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[49],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8305"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8305"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8305\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8305"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8305"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8305"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}