{"id":8363,"date":"2015-06-30T00:00:00","date_gmt":"2015-06-30T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2015-06-30T00:00:00","modified_gmt":"2015-06-30T00:00:00","slug":"Pedido-de-demissao-assinado-por-analfabeto-nao-tem-validade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2015\/06\/30\/Pedido-de-demissao-assinado-por-analfabeto-nao-tem-validade\/","title":{"rendered":"Pedido de demiss\u00e3o assinado por analfabeto n\u00e3o tem validade"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 3 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\nDocumentos assinados por analfabetos n&atilde;o s&atilde;o v&aacute;lidos, pois pessoas nessa situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o t&ecirc;m conhecimento suficiente para ler e interpretar conte&uacute;dos. O entendimento &eacute; da 4&ordf; Vara do Trabalho de Uberl&acirc;ndia(<span style=\"font-family: Arial;\">MG<\/span>) ao anular pedido de demiss&atilde;o assinado por um funcion&aacute;rio que n&atilde;o sabe ler e escrever.<\/p>\n<p>\nO autor da a&ccedil;&atilde;o, que trabalhava como ajudante geral em uma empresa do ramo da constru&ccedil;&atilde;o civil, procurou a Justi&ccedil;a do Trabalho devido a atrasos no pagamento dos sal&aacute;rios. Em sua defesa, a construtora argumentou que o funcion&aacute;rio pediu demiss&atilde;o e apresentou o pedido assinado pelo trabalhador. A empresa tamb&eacute;m alegou que o empregado recebeu tudo o que lhe era devido, com apenas alguns atrasos nos sal&aacute;rios.<\/p>\n<p>\nO advogado do trabalhador argumentou que o reclamante n&atilde;o conhecia o conte&uacute;do do documento que assinou por n&atilde;o saber ler, sendo capaz apenas de escrever o pr&oacute;prio nome. Ao prestar depoimento, o empregado confirmou esses fatos. A alega&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m foi confirmada pelo preposto da empresa, mas ele sustentou que o trabalhador escondeu que era analfabeto durante o processo de contrata&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\nA testemunha da construtora afirmou que o funcion&aacute;rio havia apresentado uma declara&ccedil;&atilde;o de escolaridade exigida pela empresa na &eacute;poca, feita do seu pr&oacute;prio punho. Ao analisar o documento, a ju&iacute;za Maria Jos&eacute; Rigotti Borges notou que ele revelava exatamente o contr&aacute;rio do afirmado pela empresa.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>Somente &eacute; poss&iacute;vel entender, com algum esfor&ccedil;o, alguns n&uacute;meros, a data e a assinatura, sendo as demais partes escritas s&atilde;o prova absoluta de que o Reclamante n&atilde;o sabe escrever e, por consequ&ecirc;ncia, como de regra, n&atilde;o sabe ler<\/em>&quot;, afirmou a ju&iacute;za.<\/p>\n<p>\nO documento que havia formalizado a demiss&atilde;o  consistia apenas em formul&aacute;rio digitado e j&aacute; pronto, com um &quot;X&quot; na op&ccedil;&atilde;o &quot;<em>indenizarei o aviso pr&eacute;vio<\/em>&quot; e a assinatura do empregado, o que, para a julgadora, refor&ccedil;ou ainda mais a conclus&atilde;o de que o &quot;<em>pedido de demiss&atilde;o<\/em>&quot; n&atilde;o traduziu a real vontade do trabalhador.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.obeabadosertao.com.br\/UserFiles\/Image\/judiciario\/balanca_justica_livros_465a.jpg\" align=\"absMiddle\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>&quot;<em>Pelo princ&iacute;pio da boa-f&eacute; que deve reger as rela&ccedil;&otilde;es contratuais, em especial a rela&ccedil;&atilde;o trabalhista, cuja assimetria &eacute; patente notadamente em face de empregado analfabeto, deveria a reclamada ter proporcionado condi&ccedil;&otilde;es para que o trabalhador tivesse pleno conhecimento do conte&uacute;do do documento que estava assinando, assim como das consequ&ecirc;ncias do seu ato, como forma de preservar a higidez na manifesta&ccedil;&atilde;o de vontade do empregado<\/em>&quot;, disse a ju&iacute;za.<\/p>\n<p>\nEla avaliou que, apesar de a Consolida&ccedil;&atilde;o das Leis Trabalhistas tratar da validade de recibo dado pelo empregado analfabeto(<span style=\"font-family: Arial;\">artigo 464<\/span>), a lei &eacute; omissa quanto ao procedimento adequado no caso de pedido de demiss&atilde;o desse tipo de funcion&aacute;rio, antes que complete um ano de servi&ccedil;o.<\/p>\n<p>\n<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"\/UserFiles\/Image\/educacao\/analfabeto_assinatura_digital_465.jpg\" width=\"465\" height=\"311\" align=\"absMiddle\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Mesmo assim, apontou que existem normas legais para resguardar o direito dos analfabetos, diante da dificuldade que possuem para expressar livremente a sua vontade, ou mesmo pelo fato de que podem ser induzidos a erro. Como exemplo, ela citou o artigo 595 do C&oacute;digo Civil, que estabelece que o contrato de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;o poder&aacute; ser assinado por duas testemunhas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.obeabadosertao.com.br\/UserFiles\/Image\/economia\/ctps_465.jpg\" align=\"absMiddle\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>&ldquo;<em>Diante da evidente condi&ccedil;&atilde;o de analfabeto do trabalhador, a empresa deveria ter tido o cuidado de solicitar a presen&ccedil;a de testemunhas, ou mesmo a assist&ecirc;ncia sindical, quando efetuou a rescis&atilde;o do contrato<\/em>&rdquo;, frisou a ju&iacute;za. Como isso n&atilde;o foi feito, ela concluiu pela nulidade do suposto &quot;<em>pedido de demiss&atilde;o<\/em>&quot; do reclamante e reconheceu a rescis&atilde;o indireta do contrato.<\/p>\n<p>\n<span style=\"font-family: Arial;\"><strong>Processo 0010721-62.2015.5.03.0103.<\/strong><\/span><\/p>\n<p><\/span><\/span><span style=\"color: rgb(0, 0, 255);\"><span style=\"font-size: x-small;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><em><strong>* Com informa&ccedil;&otilde;es da Assessoria de Imprensa do TRT-3.<\/strong><\/em><\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempo de leitura: 3 minutos Documentos assinados por analfabetos n&atilde;o s&atilde;o v&aacute;lidos, pois pessoas nessa situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o t&ecirc;m conhecimento suficiente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[25],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8363"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8363"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8363\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8363"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8363"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8363"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}