{"id":8385,"date":"2016-07-31T00:00:00","date_gmt":"2016-07-31T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2016-07-31T00:00:00","modified_gmt":"2016-07-31T00:00:00","slug":"Por-que-a-ciencia-ainda-nao-conseguiu-desvendar-o-misterio-do-desejo-feminino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/2016\/07\/31\/Por-que-a-ciencia-ainda-nao-conseguiu-desvendar-o-misterio-do-desejo-feminino\/","title":{"rendered":"Por que a ci\u00eancia ainda n\u00e3o conseguiu desvendar o mist\u00e9rio do desejo feminino"},"content":{"rendered":"<div id=\"tt-temp-estim\">Tempo de leitura: 7 minutos<\/div><p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: small;\"><span style=\"font-family: Verdana;\"><br \/>\nO que as mulheres querem? Trata-se de uma quest&atilde;o que desafiou at&eacute; Sigmund Freud e esteve no centro de in&uacute;meros livros, artigos e blogs.<\/p>\n<p>\nMas apesar de d&eacute;cadas de esfor&ccedil;os para decifrar este enigma, cientistas ainda n&atilde;o conseguiram chegar a um acordo sobre uma defini&ccedil;&atilde;o unificada de desejo feminino. E est&atilde;o longe de compreender de forma significativa como ele funciona.<\/p>\n<p>\nAinda assim, a ci&ecirc;ncia fez progressos em compara&ccedil;&atilde;o com no&ccedil;&otilde;es do passado, que podiam ir de um oposto a outro &#8211; mulheres podiam ser vistas como insaci&aacute;veis ou se achava que n&atilde;o tinham desejo.<\/p>\n<p>\nCientistas agora est&atilde;o come&ccedil;ando a perceber que o desejo feminino n&atilde;o pode ser resumido em termos de uma simples experi&ecirc;ncia: ele varia de acordo com os indiv&iacute;duos e ocorre em manifesta&ccedil;&otilde;es amplamente diversas.&nbsp;&quot;<em>Toda mulher quer algo diferente<\/em>&quot;, diz Beverly Whipple, professora da Universidade Rutgers, nos EUA.<\/p>\n<p>\nEstamos come&ccedil;ando a entender tamb&eacute;m que o desejo feminino n&atilde;o difere tanto assim do masculino. Por muito tempo, a ci&ecirc;ncia aceitou percep&ccedil;&otilde;es sociais de que homens &quot;<em>tinham mais desejo<\/em>&quot; que mulheres e diversos estudos mais elaborados comprovaram este &quot;<em>fato<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nEvid&ecirc;ncia mais recente, por&eacute;m, revela que as diferen&ccedil;as entre os sexos s&atilde;o bem mais t&ecirc;nues ou mesmo n&atilde;o-existentes, dependo de como algu&eacute;m define e tenta medir desejo. Alguns estudos at&eacute; descobriram que homens em certos relacionamentos tendem tanto quanto mulheres a ser o membro do casal com o menor n&iacute;vel de desejo sexual.<\/p>\n<p>\nEstudos no passado tipicamente perguntavam aos participantes coisas como &quot;<em>No m&ecirc;s passado, quanto desejo voc&ecirc; sentiu<\/em>?&quot;. A este tipo de pergunta, as respostas parecem indicar resultados mais altos de homens. Mas quando a pergunta &eacute; mais espec&iacute;fica para sentimentos de momento, como o desejo no meio de uma rela&ccedil;&atilde;o sexual, cientistas n&atilde;o conseguem encontrar diferen&ccedil;as entre homens e mulheres.<\/p>\n<p>\n&quot;<em>Isso desafia o estere&oacute;tipo de passividade das mulheres<\/em>&quot;, diz Lori Brotto, professora de obstetr&iacute;cia e ginecologia da Universidade de British Columbia, no Canad&aacute;. &quot;<em>E tamb&eacute;m sugere que os fatores que estimulam o desejo moment&acirc;neo podem ser igualmente potentes para homens e mulheres<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nOutros estudos conclu&iacute;ram que o desejo feminino obedece ao ciclo menstrual. &quot;<em>A motiva&ccedil;&atilde;o sexual feminina &eacute; t&atilde;o intensa quanto a masculina em per&iacute;odos pr&oacute;ximos &agrave; ovula&ccedil;&atilde;o<\/em>&quot;, explica Lisa Diamond, professora de psicologia e estudos de g&ecirc;nero na Universidade de Utah(<span style=\"font-family: Arial;\">EUA<\/span>). &quot;<em>As mulheres n&atilde;o t&ecirc;m sexualidade mais baixa que os homens, mas sim padr&otilde;es mais vari&aacute;veis<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nIsso faz muito sentido quando pensamos em termos da finalidade primordial do sexo: a reprodu&ccedil;&atilde;o. Foi apenas na era moderna que sexo e reprodu&ccedil;&atilde;o deixaram de ser t&atilde;o ligados.<\/p>\n<p>\nM&eacute;dicos de d&eacute;cadas passadas pensavam que o horm&ocirc;nio masculino testosterona poderia estar ligado ao desejo feminino. Na pr&aacute;tica, isso n&atilde;o parece acontecer.<\/p>\n<p>\nDiversos estudos n&atilde;o encontraram diferen&ccedil;a alguma nos n&iacute;veis de testosterona em mulheres com altos n&iacute;veis de desejo e outras diagnosticadas com problemas nessa &aacute;rea. Apesar disso, mulheres ainda pedem testosterona como tratamento para pouco desejo &#8211; e m&eacute;dicos continuam receitando.<\/p>\n<p>\nOutro estudo descobriu que a rela&ccedil;&atilde;o entre desejo e testosterona &eacute; indireta, e que o sexo influencia mais os horm&ocirc;nios do que os horm&ocirc;nios influenciam o sexo.<\/p>\n<p>\nA variedade de sentimentos durante o sexo t&ecirc;m sido negligenciada: mulheres n&atilde;o necessariamente passam pela mesma progress&atilde;o que os homens &#8211; excita&ccedil;&atilde;o, auge, orgasmo e resolu&ccedil;&atilde;o. &quot;<em>Para mulheres, a excita&ccedil;&atilde;o genital e f&iacute;sica frequentemente precede a experi&ecirc;ncia psicol&oacute;gica do desejo, ao passo que nos homens o desejo precede a excita&ccedil;&atilde;o<\/em>&quot;, diz Sari Van Anders, da Universidade de Michigan.<\/p>\n<p>\nSendo assim, o desejo n&atilde;o necessariamente leva ao sexo. Cada mulher &eacute; diferente em termos de prefer&ecirc;ncias e elas podem mudar em cada situa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>\nMulheres por vezes podem querer apenas masturba&ccedil;&atilde;o solit&aacute;ria e algumas podem chegar ao orgasmo puramente pelo pensamento, sem qualquer contato f&iacute;sico. Outras podem querer atividade sexual com um parceiro, mas sem penetra&ccedil;&atilde;o ou mesmo orgasmo.&nbsp;&quot;<em>Desejo depende de contexto, da pessoa, da &eacute;poca de sua vida, de fatores de relacionamento ou de quem est&aacute; dispon&iacute;vel<\/em>&quot;, completa Anders.<\/p>\n<p>\nMulheres tamb&eacute;m relatam uma diversidade bem maior de fatores ou coisas que as excitam. Algumas preferem estimula&ccedil;&atilde;o do ponto G, ou que o parceiro chupe os dedos do p&eacute;. Algumas gostam de dominar, ou simplesmente de serem afagadas.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"\/UserFiles\/Image\/saude\/drogas\/addyi_o_viagra_feminino_465.jpg\" width=\"465\" height=\"311\" align=\"absMiddle\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>&quot;<em>Em geral, a estimula&ccedil;&atilde;o do cl&iacute;toris &eacute; equiparada com o que ocorre nos homens, mas no laborat&oacute;rio estamos vendo que as mulheres respondem a v&aacute;rias outras coisas<\/em>&quot;, diz Whipple. &quot;<em>Temos de ensinar mulheres e dar-lhes permiss&atilde;o para experimentar o que lhes d&aacute; prazer e deixar claro que elas n&atilde;o t&ecirc;m de se conformar em encaixar em determinado padr&atilde;o ou modelo de desejo e prazer sexual<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nE esse diversidade se reflete hoje na pornografia. At&eacute; os anos 80, os filmes adultos era amplamente dirigidos para uma audi&ecirc;ncia masculina. Mas a popularidade do home v&iacute;deo fez com que a pornografia deixasse de ser mostrada apenas em cinemas e a deixou mais acess&iacute;vel ao publico feminino.<\/p>\n<p>\nPensando nisso, diretoras mulheres come&ccedil;aram a criar filmes direcionados para mulheres, cujas hist&oacute;rias t&ecirc;m uma abordagem mais suaves, sem viol&ecirc;ncia alguma, por exemplo. A ind&uacute;stria evoluiu e criou uma diversidade que reflete, segundo acad&ecirc;micos, o fato de que &quot;<em>mulheres tamb&eacute;m gostam de sacanagem<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nN&atilde;o temos a menor ideia de como o desejo funciona, mas conhecemos as raz&otilde;es por tr&aacute;s de sua aus&ecirc;ncia ou perda. Todo mundo que j&aacute; esteve em um longo relacionamento vai concordar que o desejo n&atilde;o &eacute; est&aacute;tico.<\/p>\n<p>\nEstudos confirmam que ele tende a diminuir com o tempo, mas que no caso das mulheres a perda &eacute; normalmente mais severa &#8211; nos homens, a testosterona serve como uma &quot;<em>prote&ccedil;&atilde;o<\/em>&quot; contra os efeitos de estresse e fadiga, por exemplo.<\/p>\n<p>\nFelizmente, a perda de desejo nem &eacute; garantida nem permanente, de acordo com estudos. No ano passado, o Addyi, a vers&atilde;o feminina do Viagra foi aprovada por autoridades de sa&uacute;de dos EUA.<\/p>\n<p>\nMas enquanto a vers&atilde;o masculina do produto resolve um problema de fluxo sangu&iacute;neo para o p&ecirc;nis, o Addyi trabalha com horm&ocirc;nios do c&eacute;rebro. Testes, por&eacute;m, mostram que a droga tem efeito modesto no aumento de desejo sexual em compara&ccedil;&atilde;o com o placebo. Anders, por exemplo, compara a droga com um antial&eacute;rgico &quot;<em>que reduz apenas um espirro por m&ecirc;s<\/em>&quot;.<\/p>\n<p>\nPara complicar, um quinto dos pacientes sofreram efeitos colaterais, de n&aacute;useas a quedas severas de press&atilde;o. E quem toma Addyi n&atilde;o pode consumir &aacute;lcool.<\/p>\n<p>\nPesquisadores como Diamond sugerem que cuidar de quest&otilde;es psicol&oacute;gicas envolvendo o desejo pode ser muito mais efetivo do que qualquer droga. Mas nem toda mulher est&aacute; incomodada pela falta de desejo. Cerca de 1% da popula&ccedil;&atilde;o brit&acirc;nica, por exemplo, define-se como assexuada. Muita gente segue assexualidade como orienta&ccedil;&atilde;o para a vida, outros passam por fases de assexualidade. &quot;<em>Isso faz parte do que elas s&atilde;o, n&atilde;o &eacute; um problema m&eacute;dico<\/em>&quot;, diz Anders.<\/p>\n<p>\nE h&aacute; os casos de mulheres que sofrem imposi&ccedil;&otilde;es de parceiros com n&iacute;veis de desejo mais altos &#8211; e que fazem suas parceiras se sentirem culpadas por causa disso. Se h&aacute; alguma coisa que pesquisadores sabem sobre desejo, &eacute; que a variedade &eacute; a norma. Seja em homens ou mulheres, o desejo pode se manifestar em uma infinidade de formas e pode at&eacute; ser inexistente. N&atilde;o existe desejo certo ou errado. &quot;<em>Precisamos ter mais toler&acirc;ncia com essa diversidade<\/em>&quot;, diz Diamond.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Addyi, o viagra feminino, a p\u00edlula desenvolvida para aumentar a libido feminina.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[49],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8385"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8385"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8385\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8385"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8385"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obeabadosertao.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8385"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}