O Bê-a-bá do Sertão

Padre depõe na Polícia Civil e diz que mentiu sobre o suposto sequestro

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O padre José Gilmar, pároco da Igreja Santa Teresinha, no bairro do Roger em João Pessoa (PB), que desapareceu na última terça-feira (13Outubro2020) e foi encontrado no final da tarde da sexta (16Outubro2020), às margens de uma rodovia nas imediações do Mirante da Praia de Tambaba, no Litoral Sul do Estado da Paraíba, declarou a Polícia Civil que não foi sequestrado, desfazendo a versão apresentada pelo religioso quando foi encontrado.

Anteriormente o Padre José Gilmar quando compareceu a Central de Polícia, narrou de que teria sido abordado e amarrado e que teria sido abandonado em um cativeiro, no meio de uma mata, e que desde então ficou tentando achar o caminho de volta para casa. Ele chegou a agradecer a Deus e aos fieis pelas orações e contou que ficou em um cativeiro e conseguiu se soltar e tentou voltar para casa.

Em entrevista coletiva prestada na manhã desta segunda-feira (26Outubro2020), o Delegado de Polícia Civil Luciano Soares, Titular da 1ª Superintendência de Polícia Civil da Paraíba afirmou que o Padre apresentou uma nova versão dos fatos, desta feita narrando que estaria sendo extorquido por uma pessoa a qual lhe impôs um prazo para que o religioso fizesse um depósito em dinheiro, o que motivou o mesmo a entrar em desespero e a tentar suicídio.

Segundo o Delegado de Polícia Civil Luciano Soares, o Padre decidiu por fim a sua vida indo ao mar, várias vezes, tentar se afogar, no entanto ele não conseguiu e que num dado momento as ondas o jogaram na areia o que levou o religioso a entender como um sinal de Deus para que ele não praticasse o gesto extremo.

Sobre as novas informações, Luciano Soares na entrevista coletiva afirmou que diante do depoimento os fatos serão analisados pela equipe de investigação da Delegacia de Homicídios e que agora uma nova equipe vai se debruçar com essa nova versão do Padre para ter uma certeza se ele continua apresentando depoimentos fantasiosos ou se de fato se redimiu e está agora falando a verdade.

Ele temia que algum mau acontecesse a ele, razão pela qual, ele num gesto de desespero, no momento que essa pessoa que ele atribui com sendo o autor da extorsão, teria dado um prazo a ele, naquele dia 13 (outubro2020) até as 14h00m, para que ele resolvesse a pendência“, pontou o Delegado Luciano Soares sobre a versão do Padre.

Versão anterior

Na versão anterior apresentada em depoimento, o Padre afirmou que havia saído da paróquia em direção a uma casa de velório para encomendar e fazer algumas orações relacionadas ao ato do velório e do encaminhamento do morto para sepultamento.

A Polícia resolveu investigar e entrou em contato com a casa mortuária e fez um levantamento de todos os velórios que foram realizados na terça-feira(13Outubro2020), bem como entrou em contato com todos os familiares, no que restou constatado que ele não compareceu em nenhum dos velórios. Após a constatação da ausência do religioso nos velórios e de outras diligências, os investigadores optaram por agendar uma nova oitiva para que o Padre pudesse melhor detalhar o ocorrido.

A oitiva resultou num espaço de quatro horas de depoimentos, tendo o Padre explanado tudo o que a Polícia Civil já tinha conhecimento e que mentiu no primeiro depoimento.

O Padre revelou novos detalhes sobre o sumiço, desta feita justificando que saiu transtornado da paróquia com a finalidade de dar cabo a própria vida e por não saber nadar muito bem, optou pelo meio de afogamento num mar muito revolto, tendo escolhido a Praia de Coqueirinho.

O delegado Vitor Melo confirmou que o padre Gilmar foi vítima de extorsão e foi cobrada a ele a quantia de R$ 50 mil. O motivo da extorsão e ameaças ficarão sob sigilo e a investigação continua, ainda segundo informou o delegado.

O padre Gilmar foi vítima de extorsão por situações que ocorreram antes da vinda do sacerdote à Paraíba, segundo confirmou o delegado Vitor Melo. O religioso é natural de São Paulo.

O religioso foi indiciado por denunciação caluniosa e falsa comunicação do crime. A diocese não emitiu nenhum nota oficial sobre o assunto, limitando-se a informar que está se inteirando dos fatos através da assessoria jurídica e que o Padre foi afastado das atividades sacerdotais para tratamento de saúde.

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