Brasil: Lula toma posse como Presidente da República

Em 01/01/2023

Tempo de leitura: 6 minutos

Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin tomaram posse como 39.º presidente do Brasil e 26.º vice-presidente do Brasil, respectivamente, neste domingo, dia 1º de janeiro de 2023, em cerimônia realizada no Congresso Nacional em Brasília, dando início ao terceiro Governo Lula. Aos 77 anos, Lula é o presidente mais velho a tomar posse no Brasil.

Antes do discurso, Lula e o vice, Geraldo Alckmin (PSB), assinaram o termo de posse e fizeram o juramento de compromisso constitucional.

Os dois chegaram ao plenário da Câmara dos Deputados, onde aconteceu a cerimônia, acompanhados de suas respectivas esposas, a primeira-dama Rosângela da Silva (Janja), e Maria Lúcia (Lu) Alckmin, no tradicional Rolls-Royce.

Luiz Inácio Lula da Silva subiu a rampa do Congresso Nacional ao lado de Janja e de Geraldo Alckmin e a mulher dele, Lu Alckmin.

No Congresso Nacional, após assinatura do termo de posse, pouco após às 15h00m, as autoridades sentaram à mesa do plenário da Câmara dos Deputados para a sessão solene.

o presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou seu discurso de posse e disse que a democracia foi a “grande vitoriosa” das eleições, pontuando sobre a “reconstrução” do país e que todas a formas de desigualdade serão combatidas durante o seu terceiro mandato.

Ele prometeu reconstruir o Brasil e fazer com que o pais seja “de todos para todos”. Além disso, garantiu o funcionamento do Portal da Transparência e da Lei de Acesso à Informação durante seu governo.

O presidente também se propôs a gerar empregos e lutar pela cooperação internacional, rompendo com o “isolamento do Brasil” diante do cenário mundial.

O petista destacou a reconstrução do diálogo “altivo e ativo” com os Estados Unidos, a comunidade europeia, a China e os países do Oriente, citando também o fortalecimento dos Brics.

Brasil: Lula toma posse como Presidente da República

Ao centro, sentou-se o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), responsável por conduzir a cerimônia. De um lado de Pacheco, Lula; do outro, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), estava posicionado ao lado do novo presidente da República. Já a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Rosa Weber, sentou-se ao lado de Alckmin. Nas pontas da mesa estavam o procurador-geral da República, Augusto Aras, e Luciano Bivar, primeiro secretário da mesa do Congresso Nacional e presidente do União Brasil. Antigo líder do partido que elegeu Jair Bolsonaro (PL) à presidência em 2018, o extinto PSL, Bivar foi responsável por ler o termo de posse de Lula neste domingo(01Janeiro2023).

Sobre esta base poderemos reconstruir o diálogo altivo e ativo com os Estados Unidos, a Comunidade Europeia, a China, os países do Oriente e outros atores globais; fortalecendo os Brics, a cooperação com os países da África e rompendo o isolamento a que o país foi relegado”, disse Lula após ser empossado.

Lula ainda falou sobre a volta do Ministério das Mulheres, para ajudar a lutar contra a desigualdade e o preconceito. Além disso, indicou a revogação do teto de gastos e encerrou com fala: “Viva a democracia, viva o povo brasileiro”.

Ele pontuou ainda que que nenhum outro país tem as condições do Brasil para se tornar potência ambiental. Ele reforçou que é possível manter e ampliar a fronteira agrícola sem recorrer ao desmatamento.

Nossa meta é alcançar desmatamento zero na Amazônia e emissão zero de gases do efeito estufa na matriz elétrica, além de estimular o reaproveitamento de pastagens degradadas. O Brasil não precisa desmatar para manter e ampliar sua estratégica fronteira agrícola”, afirmou Lula no Congresso.

O presidente prometeu ainda iniciar uma transição energética e ecológica para uma agropecuária e mineração sustentáveis, além de garantir uma agricultura familiar forte e uma indústria mais verde.

Faixa presidencial

Antes do discurso no Parlatório, Lula subiu a rampa do Palácio do Planalto e recebeu a faixa presidencial de cidadãos que representaram o povo brasileiro.

Lula subiu a rampa do Palácio do Planalto ao lado de pessoas que simbolizam a diversidade do país.

Confira quem é quem no grupo de pessoas que participou da cerimônia

  • Francisco, criança de 10 anos e moradora de Itaquera, bairro da zona leste de São Paulo.
  • Aline Sousa, 33 anos, catadora de recicláveis.
  • Cacique Raoni Metuktire, 93 anos.
  • Wesley Rocha, 36 anos, metalúrgico.
  • Murilo Jesus, 28 anos, professor.
  • Jucimara Santos, cozinheira
  • Ivan Baron, que tem paralisia cerebral após contrair meningite na infância.
  • Flávio Pereira, 50 anos, artesão e militante.

O grupo substituiu o ex-presidente Jair Bolsonaro, que viajou para os Estados Unidos no último dia 30 de dezembro e não participou da cerimônia da transmissão de cargo ao seu sucessor, como normalmente acontece no rito democrático.

O presidente que deixa o cargo não tem obrigação legal de participar da posse de seu sucessor. Mas, desde que a faixa presidencial foi criada pelo presidente Hermes da Fonseca em 1910, essa foi a segunda vez que o mandatário que deixa o cargo não participa do rito simbólico.

Além de Bolsonaro, o último presidente João Baptista Figueiredo, não passou a faixa para seu sucessor, José Sarney, em 1985.

Parlatório

O presidente Lula chegou ao Palácio do Planalto por volta das 16h50 deste domingo (1ºDezembro2022). Ele subiu a rampa ao lado da primeira-dama Janja, que carregava no colo a cachorra de estimação batizada de Resistência, e outras pessoas que simbolizam a diversidade e riqueza da população brasileira. A música “Trenzinho Caipira” acompanhou a subida.

Após receber a faixa presidencial de representantes do povo, o presidente Lula fez novo discurso no parlatório do Palácio do Planalto, reassumindo o compromisso de cuidar dos brasileiros.

Reassumo o compromisso de cuidar de todos, sobretudo daqueles que mais necessitam. De acabar outra vez com a fome. Temos um imenso legado, ainda vivo na memória de cada brasileiro e brasileira“, afirmou.

Ao se dirigir aos apoiadores que o aguardavam na Praça dos Três Poderes, o presidente agradeceu o voto de seus eleitores, mas afirmou que vai governar para todos os brasileiros.

Vou governar para os 215 milhões de brasileiros e brasileiras, e não apenas para quem votou em mim. Vou governar para todas e todos, olhando para o nosso luminoso futuro em comum, e não pelo retrovisor de um passado“, disse.

Lula se emocionou ao pedir ajuda da população para combater a fome no país. Ele citou casos de pessoas que passaram a procurar ossadas em açougues para comer e considerou “inadmissível que os 5% mais ricos detenham a mesma fatia de renda que os demais 95%“.

Há muito tempo não víamos tamanho abandono e desalento nas ruas. Mães garimpando lixo, em busca do alimento para seus filhos. Famílias inteiras dormindo ao relento, enfrentando o frio, a chuva e o medo. Fila na porta dos açougues, em busca de ossos para aliviar a fome. E, ao mesmo tempo, filas de espera para a compra de jatinhos particulares“, questionou.

O presidente também destacou que seu governo vai combater o racismo.

Ninguém terá mais ou menos amparo do Estado, ninguém será obrigado a enfrentar mais obstáculos pela cor de sua pele. Foi para combater a desigualdade e suas sequelas que nós vencemos a eleição. Esta será a grande marca do nosso governo“, acrescentou.

Lula falou também sobre economia. O presidente disse que seus governos nunca foram irresponsáveis com dinheiro público. O presidente destacou que o Brasil foi reconhecido internacionalmente pelo combate à fome, mas com “total responsabilidade das finanças“.

Nunca houve nem haverá gastança alguma. Sempre investimos, e voltaremos a investir, em nosso bem mais precioso: o povo brasileiro“, concluiu.


Tags: 26.º vice-presidente do Brasil, 39.º presidente do Brasil, Arthur Lira, Augusto Aras, Brasil, Brasília (DF), BRICS, China, Congresso nacional, Estados Unidos, Faixa presidencial, Geraldo Alckmin, Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho, Governo Lula, Janja, Lei de Acesso à Informação, Lu Alckmin, Luciano Bivar, Luiz Inácio Lula da Silva, Lula, Mercosul, Palácio do Planalto, Parlatório, Portal da Transparência, Praça dos Três Poderes, Rodrigo Pacheco, Rosa Weber, Rosângela Lula da Silva, Terceiro mandato, Unasul, União Europeia, Venezuela

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *