Em 05/05/2023
De janeiro a abril casos de dengue cresceram 30%.
Em meio ao aumento de casos de dengue, Zika e chikungunya no Brasil, o Ministério da Saúde lançou nesta quinta-feira (04Maio2023) a campanha nacional de combate às três arboviroses. Com a mensagem Brasil unido contra a dengue, Zika e chikungunya, a pasta alerta para sinais, sintomas, prevenção e controle das doenças, transmitidas por um mesmo vetor, o mosquito, em particular o Aedes aegypti, popularmente conhecido como pernilongo rajado em razão das listras brancas nas pernas.
O vírus da Dengue promove reações nas células do nosso organismo. Os glóbulos brancos, que protegem e defendem o nosso organismo, e as plaquetas, que ajudam a coagular o sangue, diminuem. Em casos mais raros, o vírus consegue atacar diretamente o coração, o fígado ou o sistema nervoso, provocando uma infecção. O vírus atacar o sistema imunológico e causar a desidratação. Além disso, os vasos sanguíneos ficam mais porosos, ocasionando a perda de proteína e água do sangue.
A reintrodução do vírus da dengue no Brasil aconteceu em 1986. Já o chikungunya foi registrado pela primeira vez em 2014, enquanto o Zika foi identificado no país em 2015.
De acordo com a diretora do Departamento de Doenças Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do ministério, Alda Cruz, o Brasil registra epidemias sucessivas de dengue com intervalos cada vez mais curtos entre os surtos, enquanto Zika e chikungunya também se mantêm com taxas endêmicas ao longo dos anos.
Fumacê
Este ano, foram investidos mais de R$ 84 milhões na compra de insumos para o controle vetorial do Aedes aegypti.
Popularmente conhecido como fumacê, um dos inseticidas usados no controle do mosquito na forma adulta, será distribuído ao longo das próximas semanas após atraso no fornecimento causado por problemas na aquisição pela gestão passada, segundo o ministério.
O fumacê é um inseticida de dosagem baixa, que pode atingir letalmente o inseto transmissor de arboviroses. Ele não tem eficácia nem eficiência comprovada sendo preciso haver um controle da dose da aplicação por m2 e constante regulagem das bombas. Seu efeito dura pouco tempo, apenas em torno de meia-hora, por isso, a maneira mais eficaz de combater a proliferação dos mosquitos é acabar com os criadouros. A orientação da Vigilância Ambiental é que, quando o fumacê passa pelas ruas, devem-se abrir as janelas e, se possível, também as portas das residências.
A expectativa é que a pasta receba cerca de 275 mil litros do produto ainda neste mês, normalizando o envio aos estados e Distrito Federal.
Situação epidemiológica
Dados do Ministério da Saúde indicam que, de janeiro a abril deste ano, houve aumento de 30% no número de casos prováveis de dengue em comparação com o mesmo período de 2022. As ocorrências passaram de 690,8 mil no ano passado para 899,5 mil neste ano, além de 333 óbitos confirmados. Os estados com maior incidência são Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Acre e Rondônia.
“Fatores como a variação climática e aumento das chuvas no período em todo o país, o grande número de pessoas suscetíveis às doenças e a mudança na circulação de sorotipo do vírus são fatores que podem ter contribuído para esse crescimento”, destacou o ministério.
Normalmente, nesses quadros chamados clássicos, a primeira manifestação da dengue é a febre alta (maior que 38°C), de início abrupto, que geralmente dura de 2 a 7 dias, acompanhada de dor de cabeça, dores no corpo e articulações, além de prostração, fraqueza, dor atrás dos olhos, e manchas vermelhas na pele.
Já em relação ao chikungunya, de janeiro a abril foram notificados 86,9 mil casos da doença, com taxa de incidência de 40,7 casos por 100 mil habitantes. Quando comparado com o mesmo período de 2022, houve um aumento de 40%. Este ano, até o momento, 19 óbitos foram confirmados. As maiores incidências da doença estão no Tocantins, em Minas Gerais, no Espírito Santo e em Mato Grosso do Sul.
Os dados de Zika indicam que, até o final de abril, foram notificados 6,2 mil casos da doença, com taxa de incidência de três casos por 100 mil habitantes. De acordo com o ministério, houve um aumento de 289% nos casos se comparados com o mesmo período de 2022, quando o país registrou 1,6 mil ocorrências de Zika. Até o momento, não houve óbitos pela doença. Os estados com maior incidência são Acre, Roraima e Tocantins.
Sintomas e prevenção
Os sintomas de dengue, chikungunya e Zika são semelhantes e incluem febre de início abrupto acompanhada de dor de cabeça, dores no corpo e articulações, prostração, fraqueza, dor atrás dos olhos, erupção e coceira na pele, manchas vermelhas pelo corpo, além de náuseas, vômitos e dores abdominais.
A orientação do ministério é que a população procure o serviço de saúde mais próximo de sua residência assim que surgirem os primeiros sinais de qualquer uma das três arboviroses.
A pessoa deve manter-se em repouso, beber muito líquido (inclusive soro caseiro) e só usar medicamentos prescritos pelo médico, para aliviar as dores e a febre. Ao ser observado o primeiro sintoma, deve-se buscar orientação médica no posto de saúde mais próximo.
“A prevenção é a melhor forma de combater a doença. Evitar acúmulo de inservíveis, não estocar pneus em áreas descobertas, não acumular água em lajes ou calhas, colocar areia nos vasos de planta e cobrir bem tonéis e caixas d’água, receber a visita do agente de saúde são algumas iniciativas básicas. Todo local de água parada deve ser eliminado, pois é lá que o mosquito transmissor, o Aedes aegypti, coloca os seus ovos”, recomenda o ministério.
Painel
A partir desta quinta-feira (04Maio2023), a pasta disponibiliza um painel atualizado regularmente com os principais dados de dengue, Zika e chikungunya e a situação epidemiológica das três doenças do país.
Na plataforma, é possível filtrar as informações por estado e por tipo de arbovirose, além de visualizar orientações e recomendações sobre sintomas e prevenção.
Arboviroses
Dengue, Zika, Chikungunya e Febre Amarela (ciclo urbano) são exemplos de doenças infecciosas transmitidas por insetos.
Confira os principais sintomas de cada uma:
Dengue

Ilustração 3D representando vírus da dengue. As cores indicam diferentes proteínas do vírus.
Principais sintomas:
- Febre alta;
- Dor de cabeça;
- Dores no corpo e articulações;
- Fraqueza, dor atrás dos olhos;
- Manchas vermelhas na pele, às vezes com coceira;
- Perda de peso e vômito;
- Dor abdominal e sangramento de mucosas (em casos agravados da doença).
A transmissão ocorre pela picada do mosquito Aedes aegypti. Em alguns casos, pode ocorrer transmissão vertical (gestante-bebê) e por transfusão de sangue.
Chikungunya

É uma arbovirose cujo agente etiológico é transmitido pela picada de fêmeas infectadas do gênero Aedes. No Brasil, o vetor envolvido na transmissão do vírus chikungunya (CHIKV) e o Aedes aegypti (Organizacion Panamericana de la Salud, 2011). Chikungunya é encontrado em todo o mundo, particularmente na África, Ásia e Índia. Os sintomas geralmente aparecem depois de uma semana de infecção. Febre e dor nas articulações surgem subitamente. Dor muscular, dor de cabeça, fadiga e erupção também podem ocorrer. O tratamento visa aliviar os sintomas. A maioria das pessoas se sente melhor em cerca de uma semana, depois que o vírus segue seu curso.
Principais sintomas:
- Febre alta e abrupta;
- Dores fortes nas articulações;
- Dor de cabeça;
- Dores nos músculos;
- Manchas vermelhas na pele, com coceira intensa;
A transmissão acontece por picada dos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus.
Zika
O Zika é um vírus transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti. Tem essa denominação por ter sido identificado na floresta Zika, em Uganda, na África. Até o momento, a única forma de infecção pelo vírus Zika ocorre pela picada do mosquito contaminado; não há evidências de transmissão do vírus por meio do leite materno, assim como por urina, saliva ou sêmen.
Cerca de 80% das pessoas infectadas pelo vírus Zika não desenvolvem manifestações clínicas. Os principais sintomas são dor de cabeça, febre baixa, dores leves nas articulações, manchas vermelhas na pele, coceira e vermelhidão nos olhos.
Outros sintomas menos frequentes são inchaço no corpo, dor de garganta, tosse e vômitos. Em geral, a evolução da doença é benigna e os sintomas desaparecem espontaneamente após 3 a 7 dias. No entanto, a dor nas articulações pode persistir por aproximadamente um mês. Formas graves são raras, mas quando ocorrem podem, excepcionalmente, evoluir para óbito.
Não existe tratamento específico para a infecção pelo vírus Zika. Também não há vacina contra o vírus. O tratamento recomendado para os casos sintomáticos é baseado no uso de analgésicos para o controle da febre e da dor. No caso de manchas vermelhas e coceira na pele, os anti-histamínicos podem ser considerados.
Não se recomenda o uso de ácido acetilsalicílico (AAS) e outros anti-inflamatórios, em função do risco aumentado de complicações hemorrágicas descritas nas infecções por outros flavivírus. Os casos suspeitos devem ser tratados como dengue, devido à sua maior frequência e gravidade conhecida.
Principais sintomas:
- Dor de cabeça;
- Febre baixa (ou ausente);
- Dores leves nas articulações;
- Manchas vermelhas na pele com coceira intensa e vermelhidão nos olhos;
- Inchaço no corpo, dor de garganta, tosse e vômito (menos comuns).
A transmissão acontece por picada do mosquito Aedes aegypti, via gestante-bebê e por transfusão de sangue.
Febre Amarela

A febre amarela é transmitida por mosquitos a pessoas não vacinadas em áreas de mata. A única forma de evitar a febre amarela é a vacinação. A vacina é gratuita e está disponível nos postos de saúde em qualquer época do ano. É administrada em dose única a partir dos 9 meses de idade e é válida por 10 anos. Deve ser aplicada 10 dias antes de viagens para as áreas de risco de transmissão da doença.
Principais sintomas:
- Febre repentina;
- Calafrios;
- Dor de cabeça forte;
- Dores nas costas;
- Dores musculares;
- Vômitos e fraqueza.
A transmissão é por picada dos mosquitos Aedes aegypti na área urbana e dos mosquitos Haemagogus e Sabethes na área rural ou de florestas. A vacinação é segura, eficaz e gratuitamente distribuída em postos de saúde.
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