Em 20/01/2024
Com derretimento de geleiras e oceanos e temperaturas mais elevadas, mais patógenos estarão em circulação, preveem cientistas.
Os dias estão mais quentes. E as chuvas, mais fortes. Esses novos tempos são reflexos das mudanças climáticas, como apontam diversos estudos científicos das últimas décadas.
Mas há outras consequências ainda não tão visíveis do aquecimento global. Novas doenças devem aparecer. Com o derretimento das geleiras e oceanos e as temperaturas mais elevadas, mais patógenos estarão em circulação.
E outros males que já existem atualmente estão registrando alta nos casos: as doenças transmitidas por mosquitos. As mudanças climáticas afetarão a nossa saúde e o nosso sistema imunológico.
O aquecimento global é um fenômeno alarmante que resulta do aumento das temperaturas na Terra devido à crescente concentração de gases de efeito estufa.
Suas origens incluem a atividade humana, como a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento.
Sete doenças que podem se proliferar no Brasil devido ao aquecimento global
Os efeitos do aquecimento global, provocado pela ação humana, já não são mais alvo de questionamento, ainda mais quando se juntam com fenômenos naturais, como o El Niño.
É inquestionável que o mundo está ficando mais quente e, invariavelmente, as mudanças climáticas facilitam a disseminação de doenças já conhecidas, mas também aumentam o risco de surgimento de novas enfermidades no Brasil.
De forma direta, as mudanças climáticas são associadas com morte por calor, muito por causa da desidratação. Nessas circunstâncias, crianças, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade correm mais risco.
No entanto, a maior causa de mortes estará relacionada com um efeito indireta, o aumento na incidência de infecções virais e bacterianas. Aqui, é possível incluir a dengue, a febre maculosa, a cólera e outras inúmeras doenças.
“As doenças que eram tipicamente tropicais são observadas em países que não são tropicais”, pontua o infectologista Celso Granato, diretor clínico do Grupo Fleury e professor da Escola Paulista de Medicina (EPM), durante o 8º Encontro Fleury de Jornalismo em Saúde, no qual o Canaltech esteve presente.
Em paralelo, os países tropicais, como o Brasil, também estão em risco com a intensificação de doenças já conhecidas e com a introdução de novas. “Estamos aprendendo sobre doenças que eram comuns em outros lugares, mas que estão começando a aparecer aqui”.
Explosão de casos de dengue
A expectativa é que, como o aquecimento global, aumente as doenças que têm mosquitos como vetores, como a dengue e o Aedes aegypti. É importante lembrar que esse mesmo vetor pode transmitir também os vírus zika e chikungunya.
“Os mosquitos têm uma parte muito grande do seu ciclo biológico dentro da água. Quando você altera o regime de chuvas, há um impacto direto na intensidade deles”, explica o infectologista. Essas alterações são um dos efeitos das mudanças climáticas.
Por exemplo, no sul do Brasil, incluindo Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, não eram comuns tantos casos de dengue. Só que com as fortes chuvas observadas neste ano, há aumento significativo no número de casos.
Diante da nova tendência, a Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT) já aponta para a situação crítica prevista para 2024.
Olhando para outras nações, na Argentina, onde a doença também era relativamente incomum, os casos estão aumentando. Ainda mais raro, alguns países da Europa têm apresentado casos autóctones (locais) da doença, como a França e a Espanha.
Carrapatos se proliferam mais no calor
As doenças transmitidas por carrapatos, incluindo a febre maculosa do carrapato-estrela, também devem se tornar mais frequentes. Neste ponto, é preciso lembrar que algumas regiões do Brasil, já são endêmicas para a doença, como o interior de São Paulo – com 11 mortes somente este ano – e Minas Gerais.
“Com as chuvas e o aumento das temperaturas, os carrapatos se multiplicam muito mais. A tendência é que aumente o número de (outras) doenças que eles transmitem, como tifo murino, febre Q, encefalite ‘tick-borne’ (sem tradução para o português ainda), febre powassan, doença de lyme e babesiose”, pontua Granato.
Novas doenças no Brasil
Olhando para a realidade brasileira e fazendo um exercício de futurologia, Granato aponta para o risco das seguintes sete doenças, relacionadas com as mudanças climáticas, chegarem ou se intensificarem no Brasil:
Febre do Nilo Ocidental: esta é uma doença viral transmitida por um flavivírus, da família Flaviviridae, assim como a dengue, a zika e a febre amarela. A doença já foi identificada no Brasil;
Vírus Nipah: transmitido por morcegos, a infecção pode causar síndromes respiratórias agudas e até encefalites (inflamações no cérebro) mortais;
Doença de Lyme: provocada por uma bactéria que é transmitida por carrapatos, a infecção pode atingir o cérebro e o coração, quando não é corretamente tratada;
Encefalite “tick-born”: é um vírus transmitido por carrapatos infectados, sendo mais comuns nas estações mais quentes do ano. É associado com quadros de encefalite e meningite;
Encefalite japonesa: transmitido por mosquitos, o flavivírus afeta o sistema nervoso central do indivíduo. O agente infeccioso também é da mesma família que a dengue e a febre amarela;
Cólera: doença bacteriana que é transmitida pela ingestão de água e de alimentos contaminados. As pessoas infectadas tendem a apresentar diarreia, e já existem dados que associam o aumento de casos com o El Niño (que provoca o aquecimento das águas do oceano);
Vírus Powassan: este é também um flavivírus, só que é transmitida por carrapatos. Mesmo nos locais em que já foi registrado, como o Canadá, ainda é considerado raro.
Como encarar o aquecimento global?
Como as mudanças climáticas já são uma realidade, os governos, os profissionais de saúde e as populações vão precisar encarar as novas dinâmicas envolvendo doenças, conhecidas ou não, mesmo que medidas sejam adotadas hoje para conter o aquecimento global – como reduzir a emissão dos gases do efeito estufa.
Diante desse cenário, o especialista indica ações que ajudam a minimizar e conter os novos desafios na área da epidemiologia, como:
É fundamental informar e orientar a população sobre as doenças mais comuns em suas regiões, compartilhando meios de prevenção;
Onde não há, é preciso investir em saneamento básico;
As atuais soluções da indústria farmacêutica não serão suficientes para encarar essa nova realidade. Por isso, é preciso investir em pesquisas e no desenvolvimento de novas vacinas e medicamentos;
Na área de pesquisa, as parcerias público-privadas tendem a ser fundamentais para desenvolver novos produtos e estratégias cada vez mais eficazes;
É preciso melhorar a infraestrutura na área de saúde para todos, em uma comunidade;
O monitoramento ativo e a vigilância epidemiológica são fundamentais para identificar possíveis perigos à saúde pública.
O que é aquecimento global?
O aquecimento global é um fenômeno climático preocupante que se refere ao aumento das temperaturas médias da Terra ao longo do tempo.
Para entender o que é aquecimento global, é preciso saber que ele ocorre devido ao acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera, como dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido nitroso (N2O), que retêm o calor do sol e impedem que ele escape de volta para o espaço.
Essa retenção excessiva de calor causa um desequilíbrio no sistema climático global, resultando em temperaturas médias mais altas.
As principais causas do aquecimento global estão ligadas às atividades humanas, incluindo a queima de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás natural) para energia e transporte, desmatamento e a produção de gases de efeito estufa associados à agricultura e à indústria.
Como resultado, a concentração desses gases na atmosfera tem aumentado significativamente desde a Revolução Industrial.
As consequências do aquecimento global são vastas e incluem o derretimento das calotas de gelo, aumento do nível do mar, eventos climáticos extremos, como furacões e secas, ameaças à biodiversidade, acidificação dos oceanos e impactos socioeconômicos.
O aquecimento global é um desafio global que requer ações imediatas para mitigar suas causas e reduzir seus efeitos adversos.
A transição para fontes de energia limpa, a adoção de processos de reciclagem, a conservação florestal, a agricultura sustentável e a conscientização ambiental são passos cruciais nesse processo.
Quais são as causas do aquecimento global?
O aquecimento global resulta de uma série de fatores interligados, principalmente relacionados às atividades humanas.
A causa primordial é o aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, que aprisionam o calor solar e elevam a temperatura média da Terra.
Esses gases incluem o dióxido de carbono (CO2) proveniente da queima de combustíveis fósseis, o metano (CH4) gerado pela agricultura e pecuária, o óxido nitroso (N2O), e outros subprodutos industriais.
O desmatamento também desempenha um papel significativo, liberando CO2 ao remover florestas. Além disso, a utilização de clorofluorcarbonetos (CFCs) em produtos industriais contribui para o problema.
À medida que a urbanização cresce, o consumo de energia e as emissões de gases de efeito estufa aumentam, intensificando ainda mais o aquecimento global.
Portanto, é crucial compreender essas causas complexas para mitigar os impactos do aquecimento global e reduzir os danos às mudanças climáticas.
Diversas empresas já buscam soluções ambientais, que, associadas às questões de governança corporativa e social, dão origem ao ESG (Environmental, Social and Governance).
Qual a relação entre o aquecimento global e o efeito estufa?
O efeito estufa e aquecimento global estão intrinsecamente relacionados e desempenham papéis centrais no aumento das temperaturas do planeta.
O efeito estufa é um fenômeno natural e benéfico que ocorre quando gases na atmosfera, como o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O), retêm o calor solar. Isso mantém a Terra em uma faixa de temperatura habitável, permitindo a vida como a conhecemos.
No entanto, a atividade humana, como a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento, tem aumentado a concentração desses gases, intensificando o efeito estufa. Nesse caso, é possível buscar energias alternativas, como a energia solar.
Isso leva ao aquecimento global, que é o aumento gradual das temperaturas médias da Terra. O resultado são mudanças climáticas, como derretimento de geleiras, aumento do nível do mar, eventos climáticos extremos e ameaças à biodiversidade.
Portanto, a relação entre o aquecimento global e o efeito estufa é que o aumento das concentrações de gases de efeito estufa causado pelas atividades humanas intensifica o efeito estufa, resultando em um planeta mais quente e em mudanças climáticas significativas.
Quais são as consequências do aquecimento global?
O aquecimento global desencadeia uma série de impactos que abrangem tanto o meio ambiente quanto a sociedade. Entre as consequências do aquecimento global, está o derretimento das calotas polares e geleiras resulta no aumento do nível do mar, ameaçando comunidades costeiras.
Eventos climáticos extremos, como furacões, secas e inundações, se intensificam, causando danos significativos. A biodiversidade é afetada pela perturbação dos habitats naturais.
A escassez de recursos hídricos compromete a agricultura e o abastecimento de água. Impactos econômicos se manifestam por meio de danos causados por eventos climáticos extremos e custos de adaptação.
A saúde pública enfrenta desafios, com o aumento da propagação de doenças transmitidas por vetores. Migrações forçadas e conflitos por recursos naturais podem surgir.
De fato, o aquecimento global representa uma ameaça abrangente que requer ações coordenadas globalmente para reduzir emissões de gases de efeito estufa e se adaptar às mudanças climáticas. Por isso é que o ESG já é prioridade de empresas brasileiras e globais.
Como diminuir o aquecimento global?
A redução do aquecimento global é uma necessidade urgente, exigindo uma abordagem multifacetada. Primeiramente, a transição para fontes de energia limpa, como a energia solar e eólica, é crucial.
Essas alternativas sustentáveis diminuirão a dependência dos combustíveis fósseis, principal causa das emissões de gases de efeito estufa.
Além disso, melhorar a eficiência energética em edifícios, transportes e processos industriais reduz o consumo de energia e, por consequência, as emissões. A tecnologia de captura de carbono, que retira CO2 da atmosfera, é uma ferramenta promissora.
A conservação florestal e o reflorestamento também são fundamentais, pois as florestas atuam como sumidouros naturais de carbono. Empresas, buscando a longevidade do planeta e de seus negócios, já se voltaram para estratégias ESG.
Alterações nos padrões de consumo, como a redução do desperdício e a adoção de dietas mais sustentáveis, desempenham um papel importante.
Políticas governamentais que promovam práticas sustentáveis e regulamentações ambientais são essenciais.
A conscientização pública e a educação sobre as mudanças climáticas incentivam a ação individual. Finalmente, a cooperação internacional, exemplificada pelo Acordo de Paris, é vital para coordenar esforços globais na redução das emissões.
A diminuição do aquecimento global é um desafio que exige ação concertada em todos esses níveis para preservar nosso planeta e seu futuro.
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