Em Itaporanga nem os mortos estão escapando das ‘polêmicas’

Em 15/04/2010

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Dono de funerária queixa-se de hospital pela perda de clientes.

Itaporanga(PB) – O comerciante funerário Francisco Antônio Silva do Nascimento, um dos proprietários do Plasfs, que funciona há seis anos na região, procurou a redação da Folha para denunciar um suposto esquema envolvendo alguns funcionários do hospital distrital de Itaporanga para beneficiar uma única mortuária da cidade, prejudicando as demais e causando constrangimento aos familiares das pessoas falecidas.

Conforme Frank, como popularmente é conhecido, o suposto esquema funciona da seguinte forma: quando um paciente do hospital vem a óbito ou tem seu quadro clínico agravado, o dono da funerária é avisado imediatamente por servidores do nosocômio e, a partir daí, é iniciado um trabalho de convencimento e negociação junto à família do falecido, ainda dentro do hospital, segundo ele, “para que os serviços da tal mortuária sejam contratados”, mesmo os familiares do morto já tendo acertado com outra empresa. “Isso tem causando muito constrangimento às famílias, que acertam com uma funerária, mas terminam tendo que desistir porque são convencidos dentro do hospital a contratar os serviços da funerária para a qual trabalha o esquema”, comenta Frank, ao enfatizar que "servidores públicos não podem atuar dentro de um hospital a serviço de uma empresa particular, prejudicando as demais: isso é falta de ética e não pode continuar ocorrendo".


Segundo o denunciante, os servidores ganham uma comissão por cada defunto repassado à funerária. Em muitos casos, conforme Frank, a família do falecido contrata os serviços de uma empresa e quando o carro chega ao necrotério, o corpo já tem sido retirado pela outra funerária, cujo dono “tem livre acesso no hospital”. “Naquele caso de Curral Velho, a família de um dos homens mortos, o senhor Juca, me contratou para encaminhar o corpo ao velório e sepultamento, mas quando o meu carro chegou no hospital, às 4h da madrugada, para recolher o falecido, o carro da outra funerária já tinha passado lá e levado o corpo do rapaz”, denuncia.

Em um caso mais recente, conforme Frank, o pai de um homem falecido em Cachoeira contratou os serviços do Plasfs, mas o negócio foi desfeito dentro do hospital por influências de funcionários intencionados a beneficiar a funerária do esquema, o que terminou acontecendo, segundo ele.

Além das comissões pagas aos funcionários, o esquema também é alimentado por um componente político: a funerária que atua hoje dentro do hospital é de gente ligada aos aliados do governo Maranhão, conforme Frank, a exemplo do que ocorria na gestão estadual anterior, quando a empresa privilegiada pelo hospital era de pessoas ligadas a Cássio Cunha Lima.

“Com a mudança de governo, a funerária que atuava no governo passado foi retirada do esquema e, em seu lugar, ficou a que está atuando agora, e a coisa se tornou ainda mais escandalosa: anteriormente a gente podia trabalhar com mais tranquilidade, mas, depois dessa mudança de governo, a gente está sendo impedido de trabalhar por causa desse esquema para beneficiar uma única funerária da cidade”, lamenta.

A reportagem da Folha tentou um contato por telefone com a diretora do hospital, dra. Jadcely Serafim, na manhã do sábado(10Abril2010), mas ela não tem expediente no final de semana e a atendente disse que não estava autorizada a informar o telefone pessoal da diretora.

* Transcrita da Edição nº 166(Ano IX – De 24 de Março à 13 de Abril de 2010) do Jornal Folha do Vale. O jornal de maior circulação na região do Vale do Piancó, no sertão do Estado da Paraíba.



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