Obama diz que EUA e Brasil têm de ser parceiros iguais

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Em 21/03/2011

Tempo de leitura: 9 minutos


Rio de Janeiro(RJ) – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse neste domingo(20Março2011), em seu pronunciamento ao povo brasileiro, que EUA e Brasil não devem ser parceiros "sênior" e "júnior", mas "parceiros iguais". A declaração foi feita no pronunciamento de Obama ao povo brasileiro, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Obama começou o discurso em um clima informal, arriscando-se a dizer "Oi, Rio de Janeiro!", "Alô, cidade maravilhosa!" e "Boa tarde a todo o povo brasileiro!" em um português com sotaque. O primeiro presidente negro dos EUA agradeceu ao "calor e à generosidade" com que o povo brasileiro recebeu-o e à sua família nestes dois dias de sua primeira visita oficial ao país.

Ele brincou dizendo que "soube que tem um jogo importante de futebol" entre Vasco x Botafogo neste domingo no Rio e que "o povo brasileiro leva o futebol a sério", então agradeceu aos presentes que preferiram prestigiá-lo em vez de ver o jogo.

O democrata lembrou que sua primeira lembrança do Brasil foi ter visto o filme "Orfeu Negro", de Marcel Camus, baseado na peça "Orfeu da Conceição", de Vinicius de Moraes, quando era criança, com sua mãe.

Ele afirmou que sua mãe, já falecida, jamais poderia imaginar que sua primeira viagem ao Brasil seria como presidente dos EUA.


O presidente americano, Barack Obama, disse à presidente Dilma Rousseff que concorda com a ambição do Brasil de ter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU(Organização das Nações Unidas), durante reunião entre os dois no Palácio do Planalto neste sábado(19Março2011). Mas, segundo o relato de um ministro que pediu para não ter seu nome revelado, Obama explicou que, para os Estados Unidos, é difícil deixar sua posição explícita nesse tema.

"Ele comentou que quando apoia o pleito de algum país ganha um amigo, mas também adquire outros inimigos. Ele falou isso para explicar como é difícil para os EUA defenderem sua posição publicamente. Durante a declaração à imprensa, Dilma foi enfática ao defender a reforma do conselho e disse que o Brasil está preparado para ocupar uma vaga permanente… Não nos move o interesse menor pela ocupação burocrática de espaços da representação, o que nos mobiliza é a certeza de que um mundo mais multilateral produzirá benefícios para a paz e harmonia entre os povos".

No comunicado conjunto dos dois presidentes, eles também manifestaram a necessidade de reforma no Conselho de Segurança para "responder aos desafios do século 21".

"(Os presidentes) expressaram seu apoio a uma expansão limitada do Conselho de Segurança que aprimore suas efetividade e eficiência, bem como sua representatividade. O presidente Obama manifestou seu apreço à aspiração do Brasil de tornar-se membro permanente do conselho".


Brasil e EUA discordam sobre intervenção na Líbia

Mas, ao mesmo tempo em que busca uma reforma no Conselho de Segurança e o apoio dos EUA para sua demanda de ter uma vaga como membro permanente, o Brasil mais uma vez foi em direção diferente da americana na última votação do órgão da ONU.

Na quinta-feira(17Março2011), o Brasil se absteve na votação da resolução que autorizou uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia e "todas as medidas necessárias" para proteger os civis contra as forças do líder líbio Muammar Gaddafi.

No encontro com Obama, Dilma disse que "nem sempre a ação militar é o melhor caminho". Segundo relato do ministro à agência de notícias Reuters, foi a presidente quem tomou a iniciativa de tratar do assunto, reforçando que o Brasil sempre defende a paz em lugar da guerra, e ponderou a alternativa do diálogo.

Em sua declaração pública, após o encontro com Dilma, Obama reafirmou a posição norte-americana sobre o assunto. "O povo da Líbia precisa ser protegido e, na ausência de um fim imediato à violência contra civis, nossa coalizão está preparada para agir, e agir com urgência".


Aliança igualitária com América Latina

Após visita ao Brasil, Barack Obama segue rumo ao Chile O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse querer uma "aliança igualitária" do seu país com a América Latina. Segundo ele, esse deverá ser o tom do discurso que realizará para a região nesta segunda-feira(21Março2011), em Santiago, no Chile, após viagem ao Brasil.

Em entrevista ao jornal El Mercúrio, Obama disse fará "um discurso que explica nossa visão para o hemisfério baseada no conceito da aliança igualitária, que tenho perseguido desde que assumi a Presidência dos Estados Unidos".

O president americano também afirmou estar "contente" com o "sucesso e compromisso" de países como Chile e Brasil, entre outros da região, na consolidação "democrática" e "econômica".

Para ele, o Chile é "um modelo para a região" e um "aliado próximo" dos Estados Unidos. Obama falou ainda do seu "respeito e admiração" pelos chilenos pela forma como enfrentaram os efeitos do terremoto de magnitude 8,8 e o resgate de trinta e três mineiros numa mina, em 2010.

O ministro chileno das Relações Exteriores, Alfredo Moreno, disse neste domingo que Obama pode propor a atualização da "Aliança para o Progresso", plano de cooperação lançado pelo então presidente John Kennedy, em 1961.

Moreno reconheceu, porém, que a região mudou desde então, e que novos assuntos dominam as preocupações comuns, como o combate ao narcotráfico. Protestos Segundo a agenda oficial, Obama deverá desembarcar em Santiago no início da tarde desta segunda-feira(21Março2011). Ele passará pelo menos de 24 horas na capital.

Desde o domingo a cidade registra forte esquema de segurança para a visita. O Palácio presidencial La Moneda foi rodeado por grades e policiais chilenos estão no local acompanhados por cães farejadores. O espaço aéreo também está sendo vigiado e o trânsito foi interrompido em alguns pontos do centro da cidade.

Na véspera do desembarque do presidente americano, que virá acompanhado de sua família, representantes do Partido Comunista e universitários realizaram protestos no centro da capital chilena. A manifestação foi "contra a guerra e a favor da paz", segundo os ativistas, que carregavam faixas com a frase "Não ao militarismo de Obama e sim à paz".

O anúncio da visita de Obama também provocou polêmica em torno de um possível acordo nuclear que seria assinado entre os dois países. O Chile, que registrou um dos piores terremotos da sua história em 2010, teria desistido de desenvolver um programa conjunto de energia nuclear com os americanos após o terremoto no Japão.

O possível acordo foi criticado pela oposição e também entre a população chilena. "Nós já sabemos que os terremotos são comuns aqui e depois de assistir à situação no Japão não podemos apoiar esta idéia", disse um recepcionista da empresa Entel, no aeroporto internacional da cidade.


Chile

O Chile representa cerca de 4% do PIB da América Latina e foi o primeiro da América do Sul a fazer parte da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico(OCDE). No entanto, para o analista político Patrício Navia, Obama não escolheu o Chile como um dos três países de seu primeiro giro por seu peso econômico. "Por seu tamanho, o Chile não pode aspirar ser prioridade para os Estados Unidos, que tem uma economia dezoito vezes maior que a nossa". Navia diz que a opção de Obama por falar à América Latina do Chile é um "reconhecimento ao caminho que o país escolheu".

O professor de ciências políticas da Universidade do Chile Guillermo Holzmann e Ricardo Israel, da Universidade Autônoma do Chile, disseram à BBC Brasil que a visita do presidente americano tem "interesses políticos e comerciais".

Segundo Holzmann, o Chile é "uma plataforma" para os demais países e está "plenamente integrado ao desenvolvimento mundial e à globalização". Para Israel, não a escolha do Chile não é uma surpresa. "O Chile é sede de vários organismos internacionais, como a Comissão Econômica para América Latina da ONU", disse.

Assim como em Brasília e no Rio de Janeiro, a primeira-dama Michelle Obama também terá agenda própria em Santiago. Ela deve visitar uma escola na periferia, onde falará sobre a importância da educação.


Tags: Brasil

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