Especulação imobiliária ronda as terras do Petróleo

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Em 20/03/2005

Tempo de leitura: 4 minutos

Da redação do Bê-a-bá do Sertão


 


Sousa(PB) – Os pequenos proprietários de terras residentes no sítio Sagüi e proximidades, localizado na zona rural de Sousa, o epicentro do local onde está sendo realizado o levantamento geoquímico iniciado desde o último dia 25(fev2005) para posterior avaliação em laboratório, do potencial petrolífero da área, estão sendo contactados por empresários e investidores, no sentido de que os mesmos vendam suas glebas de terras, situadas nas proximidades da Bacia do Rio do Peixe, fato que vem deixando muitos anoitecendo e amanhecendo a pensar no dilema de vender ou não as terras.


 


O mais procurado até o presente, foi o agricultor Crisogônio Estrela de Oliveira,  42 anos, popularmente conhecido por Gangão, 42 anos, casado, residente no sítio Sagüi/Boa Vista, um dos onze herdeiros do espólio do senhor João Estrela de Oliveira Filho, o qual recebeu proposta de compra de seu direito de herança, ou até mesmo de parte do seu quinhão.


 


Segundo o agricultor Gangão, um empresário do setor automobilístico, com atuação na região da grande Sousa, chegou a propor que o mesmo vendesse cerca de três tarefas de terras, o equivalente a menos de um hectare, pela bagatela de 100 mil reais, cuja proposta foi refutada por Gangão. Após o primeiro lance, Gangão afirma que foi contactado de maneira informal por um alto executivo de um órgão público, que por sua vez apresentou outra proposta no valor de 110 mil reais, pelas mesmas três tarefas de terra.


 


A notícia se espalhou rapidamente por toda comunidade e em meio a várias opiniões, vem prevalecendo a de que os proprietários estão se mostrando renitentes na idéias de aguardar o resultado dos exames que estão sendo realizados na área, na esperança de que haverá viabilidade de exploração no local, o que ocasionaria uma boa renda para todos. O valor normal das terras na região oscila entre 300 à 500 reais por tarefa de terra.


 


Em meio a toda expectativa criada, três equipes de técnicos da empresa MRM, contratados pela Agência Nacional do Petróleo, continuam realizando a coleta de amostras do solo, na área da descoberta, estendendo-se por uma faixa com 30 por 70 quilômetros de extensão, nas cercanias da Bacia do Rio do Peixe, estando previsto a coleta de um número de um mil e quinhentas à duas mil amostras do solo, divididas em amostras superficiais do terreno e amostras do sub solo quando estão sendo realizadas perfurações com profundidades que variam entre 0.70 a 1,00 metro de profundidade. As coletas têm objetivo de que seja identificada a área em que haja maiores probabilidades de abrigo de jazidas de petróleo.


 


Durante esta semana, os trabalhos sofreram atrasos em virtude de uma forte chuva que banhou a região da exploração, fato que deixou mais animado os agricultores da zona rural explorada. Segundo o agricultor “Gangão”, seus animais já estavam praticamente sem ter como se alimentar e sem água para beber, visto que o reservatório dágua encontrava-se completamente seco. “Cheguei a pensar em vender tudo e parar com minhas atividades” relatou explicando que toda a sua criação de bovinos, caprinos e suínos já estavam alimentando-se de ração processada, o que lhe causava elevados gastos.


 


Com a chuva que vem banhando toda a região do alto sertão, Gangão afirmou que agora não vende mais a terra nem por cem milhões e que vai “pagar para ver” o resultado dos exames. Outro que também se mostra sem vontade de colocar a terra a venda é o agricultor Geraldo Estrela Pinheiro de 56 anos, casado, morador do sítio Canto da Lagoa, localizada nas cercanias do sítio sagüi. Pensativo ao questionamento de vender as suas terras Geraldo também possui um pedaço de terra onde desenvolve atividades de agricultura familiar.


 


Diante da seca verde que castigava o local, ele afirmou que já pensou em vender por um bom preço, no entanto prefere no momento opinar por não vender. “Vou esperar para conhecer o resultado dos exames que estão sendo feitos na área. Eu sei que eles estão fazendo um mapa na área e ao redor dela parta saber onde está o Petróleo, depois disso eu vou decidir” declarou confiante o agricultor, surpreendendo pelo conhecimento sobre o assunto.


 


Nossa reportagem acompanhou a coleta de amostras de umas das equipes e visitou o Sítio Sagüi(GALERIA 1). Você também pode conferir as imagens da primeira analise do Petróleo, realizada no Sítio Sagüi no ano de 2001, com a presença de um técnico do CDRM/PB e de um especialista da empresa americana Analitycal Solutions, contratada pela ANP(GALERIA 2). Confira com esclusividade.


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