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Da redação do Bê-á-bá do Sertão
João Pessoa(PB) – Hwang. Este é o título da mais recente exposição de trabalhos dos artistas plásticos Rodolfo Athayde e Dyógenes Chaves, que aconteceu nesta quinta-feira(09Fev2006), às 20h30, na Usina Cultural Saelpa, em João Pessoa(PB). Mesmo sendo de gerações diferentes, os dois artistas se uniram no mesmo discurso, às vezes necessário para explicar(ou entender) uma exposição de artes plásticas: as questões da função e do significado da arte, hoje, e em sintonia com as transformações sociais, políticas e econômicas que atravessamos nos âmbitos local e mundial. Ou seja, para os artistas, a arte não está desassociada de jeito nenhum da vida(e de tudo que está em volta dela) e do planeta(e de tudo que está dentro e fora dele).
E esta exposição, de propósito, contém obras que tanto nos remetem às questões técnicas das artes plásticas, caso da apresentação de algumas pinturas realizadas pelos dois artistas, individualmente, ainda nos anos 1990, ou de atuais fotografias digitais, manipuladas por modernos programas de computador, de autoria de Rodolfo Athayde; como, também pela possibilidade de abordar questões conceituais e subjetivas, e que mesmo sendo pertinentes à arte podem também ser vinculadas a outros campos, como a política ou o bem-estar social da sociedade.
Mas, fica claro que o mais importante objetivo dos artistas não é o objeto decorativo(a pintura ou outra forma de arte decorativa) que serviria, apenas, para compor um ambiente em harmonia com outros móveis e acessórios. Mesmo optando por algumas obras de arte de realização convencional(pinturas, por exemplo) em um mundo hoje habitado, principalmente, por instalações, performances e obras conceituais, estas pinturas apresentadas pelos artistas – sendo, seis de Rodolfo Athayde, dípticos em grandes dimensões(200x100cm), executadas em acrílica sobre tela a partir de 1993; e, sete de Dyógenes Chaves, em tamanhos médios(100x100cm), e confeccionadas utilizando a impressão serigráfica sobre tecido de algodão e datadas de 1992 a 2005 – aparecem na mostra como motivo para inserir a velha pergunta, tão gasta nos Salões e nas Bienais: A pintura morreu ?.
Para Rodolfo, pintor premiadíssimo em salões de arte pelo país nas décadas de 1980 e 90, “O óbito da pintura? Escândalo, apenas escândalo e muita frivolidade”. Ou, ainda, na opinião de Dyógenes: “Como e quando a morte? Embora, quem acha que faz apenas teatro ou música ou pintura ou cinema ou performance ou fotografia está vivendo no século passado, morreu. É uma constatação da contemporaneidade. Somos herdeiros de todas as vanguardas do século vinte”. E Rodolfo arremata: “Embora, a arte tradicional, como diria Hwang, só deixará de existir com a eliminação do futuro”. Rodolfo aproveita a ocasião para também mostrar algumas “fotografias” digitais, manipuladas recentemente, e cutuca o meio: “A fotografia de hoje, quando muito pode ser arte, mesmo, com a sedutora possibilidade de deixar de ser fotografia, ou não”.
Mas a mostra não fica apenas na apresentação de obras de arte. Na vernissage foi oferecido um banquete de indagações e contribuições para se compreender (ou confundir) as artes plásticas na província. Tudo para apimentar os tempos de “crise” da arte que, segundo Rodolfo Athayde, são coisas passageiras – ou duradouras, dependendo do aspecto econômico – mas, que partem dos artistas “pelo prazer de desenvolver as poéticas de toda vida, com os mais diversos ou mesmos recursos, instrumentos, meios”.
Já as frases soltas, às vezes desconexas, de autores diferentes e vários, impressas recentemente sobre as pinturas de Dyógenes recorrem ao mito do artista underground(e conseqüentemente) antiburguês e pobre, e ao mesmo tempo, constata nesta sociedade midiática(cada vez mais), o papel e a ideologia do artista. Poderia o artista entrar na indústria comercial sem o risco de perder sua identidade pessoal? Seria aí, o artista, apenas parte de uma engrenagem na indústria do entretenimento?
Perguntados sobre o título da exposição (Hwang, aquele cientista sul-coreano desmascarado, recentemente, após comprovação de fraudes em suas pesquisas sobre células-tronco), os artistas desconversam. Embora, para eles, Hwang pode significar muita coisa. Desde a prova(ainda bem) de que “Deus existirá por toda a eternidade”, até a possibilidade de trazer à tona assuntos banais e locais: “Um dia a Lagoa transbordará e como um Tsunami ao revés umedecerá todas as malditas e repetitivas memórias locais”, diz Rodolfo. E deixam no ar uma pergunta(ou afirmação?): A pintura para ser atual tem que ser pintada hoje?
Em tempo: A exposição vai até o sábado(18Fev2006), com visitação de terça a sábado, das 14 às 20h00s. No vernissage também aconteceu o lançamento da revista Pessoa(patrocínio do Programa BNB de Cultura) e do livro Núcleo de Arte Contemporânea da Paraíba/NAC (edição Funarte), seguida da apresentação de bolso do grupo “The Silvias”, no Parahyba Café. A exposição tem o apoio da Saelpa e da Prefeitura de João Pessoa.
QUEM SÃO
Dyógenes Chaves nasceu em Araçagi(PB), no ano de 1959. Vive e trabalha em João Pessoa desde 1966. É artista plástico, designer gráfico, curador independente e crítico de arte(ABCA-Associação Brasileira de Críticos de Arte). Atualmente, é coordenador de artes plásticas da Funesc-Fundação Espaço Cultural da Paraíba, curador das Bienais de Gravura e de Desenho(Fenart-Festival Nacional de Arte), coordenador de intercâmbio internacional das associações Le Hors-Là(França) e REDE(Suíça), membro de curadorias da Aliança Francesa, Galeria Archidy Picado, Usina Cultural Saelpa e Casarão 34. É o representante da Região Nordeste na Câmara Setorial de Artes Visuais/MinC/Funarte. Tem cursos de iniciação à história da arte, desenho e pintura na Coordenação de Extensão Cultural da UFPB(João Pessoa, 1974-75) e de desenho e serigrafia na Funesc(1984). Obteve Bolsa de Estudos na École Supérieure des Beaux Arts Luminy(Marselha /França, 1997-98). É aluno de Design de Interiores do CEFET-PB. Realizou várias exposições pelo País e exterior.
Rodolfo Athayde nasceu em João Pessoa(PB), no ano de 1952. Vive e trabalha em João Pessoa. É médico, artista plástico e fotógrafo. Iniciou seus estudos em artes plásticas com os professores Père Cara e César Lopez Ozornio em Barcelona, Espanha(1981). Tem participação em vários workshops internacionais em João Pessoa, São Paulo e Marselha(França). Ministrou, com o artista Luiz Hermano, oficina em Curitiba(Instituto Goethe, 1993). Foi premiado em salões de arte pelo País: SAMAP(João Pessoa, 1984), Salão Nacional de Artes Plásticas(Rio de Janeiro, 1986, 1988 e 1989), Salão Nacional de Artes de Belo Horizonte(1986 e 1989), Salão Paranaense(Curitiba, 1988 e 1993), Salão MAM-Bahia(Salvador, 1994) e Festival Internacional de La Peinture(Cagnes-Sur-Mer, França, 1994). Tem obras nos acervos do Museu de Arte de Belo Horizonte, Museu de Arte Contemporânea do Paraná, Museu Nacional de Belas Artes(Rio de Janeiro), Museu de Arte Moderna da Bahia, Associação Le Hors-Là(Marselha, França), UNIMED João Pessoa e Hospital da UNIMED João Pessoa(mural e pinturas). Realizou várias exposições pelo País e exterior.
AS IMAGENS
GALERIA 1: Confira conosco as imagens da vernissage que aconteceu nesta quinta-feira(09Fev2006), às 20h30, na Usina Cultural Saelpa, em João Pessoa(PB), prestigiado pelos amantes da arte.
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