Dívida pública brasileira sobe em março

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Em 05/05/2009

Tempo de leitura: 3 minutos

 
Brasília(DF) – A dívida pública nacional subiu em março pelo terceiro mês consecutivo. O principal indicador que mede a dívida líquida do setor público(relação dívida/PIB, Produto Interno Bruto) subiu de 37,1% em fevereiro para 37,6% no mês passado, segundo dados do Banco Central. Em dezembro do ano passado, estava em 36%. Em termos absolutos, a dívida passou de R$ 1,069 trilhão no final de 2008 para R$ 1,098 trilhão na mesma comparação.

De acordo com o Banco Central, a valorização do real frente ao dólar em março e os juros não pagos foram os principais fatores que contribuíram para a alta no mês. No trimestre, a economia que o setor público fez para pagar os juros da dívida, o superávit primário, ajudou a reduzir a dívida em 0,7%.

Outros três fatores, no entanto, puxaram a dívida para cima. A maior influência foi dos juros não pagos, que provocou uma elevação equivalente a 1,3%. Também contribuíram a variação entre as cotações das diferentes moedas da dívida (+0,3%) e a valorização do PIB brasileiro (+0,6%).

A dívida bruta do governo federal, INSS, Estados e municípios terminou o mês em 62% do PIB e alcançou R$ 1,812 trilhão.

Aumento no gasto com pessoal
Os gastos do governo Lula com pessoal cresceram em um percentual 50% maior que os investimentos no primeiro trimestre de 2009, segundo dados do Tesouro Nacional. Nos três primeiros meses do ano, os investimentos cresceram 13,1%. Já os gastos com pessoal avançaram 19,9%.

O dado não conta o impacto do pagamento de sentenças judiciais, o que aumentaria esse percentual para 25%. De acordo com o Tesouro, os gastos com pessoal no trimestre foram R$ 7,7 bilhões maiores neste ano. Desse total, R$ 2 bilhões se referem ao pagamento maior devido a sentenças judiciais. O restante foi impactado pelos reajustes salariais dados pelo governo Lula. Em investimento, foram gastos R$ 509 milhões a mais, totalizando R$ 4,4 bilhões.

Os números também mostram uma piora em relação ao mesmo período do ano passado. No primeiro trimestre de 2008, as despesas com pessoal haviam crescido 6,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Já os investimentos avançaram 18%.

O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, afirmou que os dados sobre investimentos divulgados pelo governo federal não refletem o ritmo real das obras para impulsionar a economia. Disse, no entanto, que o governo Lula irá "acompanhar com atenção" a desaceleração no investimento no começo desse ano.

Na avaliação do Tesouro, a desaceleração no investimento não é uma tendência para o ano. "Ao final de 2009, teremos um aumento maior do investimento do que do custeio, como em 2008", apostou. Em relação ao aumento dos gastos com pessoal, Augustin disse que o governo está revendo os reajustes acertados com os servidores no ano passado, que dependem das condições da economia e da arrecadação. "Alguns dos aumentos previstos estão em análise no governo, condicionados a uma análise da economia e da receita", afirmou.

A queda na arrecadação e o aumento das despesas provocaram uma piora nas contas do governo federal em março e levaram a uma redução de 70% no superávit primário.


Tags: Economia

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