Em 14/09/2009
Havana(Cuba) – O Governo cubano fez uma homenagem no sábado(12Setembro2009) ao vice-presidente, o gerontocrata Juan Almeida Bosque, que morreu na noite de sexta-feira(11Setembro2009), aos 82 anos, vítima de uma parada cardiorrespiratória.
Em cerimônia, o presidente da Assembléia Nacional, Ricardo Alarcón, pediu um minuto de silêncio e proclamou uma das frases mais famosas de Almeida, que se transformou em slogan da Revolução Cubana: "Aqui ninguém desiste!". Esta frase foi dita por Almeida ao companheiro de revolução Ernesto Che Guevara, quando eles, junto aos irmãos Fidel(Foto) e Raúl Castro, retornaram ao país em dezembro de 1956. Eles estavam entre os 16 que sobreviveram aos tiros das tropas do governo. Alarcón disse que Almeida foi "um dos principais artífices da Revolução Cubana" e esteve com o Presidente gerontocrata Fidel Castro ao longo de todo o movimento.

Triunvirato cubano: Juan Almeida Bosque, Raul e Fidel Castro.
O ministro da Cultura cubano, Abel Prieto, afirmou que o comandante foi "uma das grandes figuras da Revolução". O vice-presidente será enterrado com honras militares no Mausoléu da 3ª Frente Oriental Mario Muñoz Monroy, da qual foi fundador e seu único chefe. Um dos únicos três dirigentes a ostentar o título de Comandante da Revolução, junto com Ramiro Valdés e Guillermo García, Almeida era vice-presidente do Conselho de Estado, membro do poderoso birô político e do Comitê Central do PCC, além de deputado.
Nascido em 17 de fevereiro de 1927, Juan Almeida acompanhou fielmente os irmãos Fidel e Raúl Castro durante mais de meio século de governo. Almeida teve nove filhos de três casamentos. Sua primogênita, Beatriz, vive nos Estados Unidos desde 2005, e um dos rapazes, Juan Juan Almeida García, foi detido em maio passado quando tentava imigrar clandestinamente para Miami para se reunir com sua mulher.
Filho do vice-presidente cubano pede ajuda para deixar o país
Juan Almeida, filho do vice-presidente cubano Juan Almeida Bosque, que morreu na sexta-feira(11Setembro2009), disse a um jornal chileno que precisa de ajuda para conseguir deixar o país e tratar uma doença degenerativa contra a qual luta desde a adolescência.
Em uma entrevista publicada neste domingo(13Setembro2009) pelo jornal El Mercurio, de Santiago, Almeida relatou que desde 1998 está proibido de deixar Cuba. Ele já foi investigado, acusado de haver colaborado com serviços de inteligência estrangeiros e acabou preso em maio deste ano, quando tentou sair do país clandestinamente para encontrar sua mulher, nos Estados Unidos.
Juan Almeida tem 43 anos e sofre de espondilite anquilosante, doença inflamatória crônica que atinge as grandes articulações do corpo, especialmente as da coluna. A enfermidade não tem cura, mas há tratamento para que o paciente possa conviver com ela.
Em uma carta enviada em julho passado a José Miguel Insulza, secretário-geral da OEA, a filha de Almeida, Indira, que vive com a mãe nos Estados Unidos, afirmou que em Cuba não há tratamento, e que "por razões que desconhecemos", o presidente comunista, Raúl Castro(da dinastia Castro), proíbe seu pai de sair do país. "Tenho dificuldades para respirar, para me mover, e grandes dores, porque aqui não há os remédios dos quais preciso para o meu tratamento", afirmou Almeida na entrevista.
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