Em 15/04/2010
Itaporanga(PB) – Itaporanga e Piancó têm gestão plena em saúde pública, ou seja, são as Prefeituras que recebem e gerenciam todos os recursos destinados ao setor. Na teoria isso pode significar uma melhora nos serviços de saúde, mas na prática não há sinais de avanço: a realidade continua dolorosa, angustiante e triste para quem depende de um hospital ou de um posto de saúde público.
Somente nos três primeiros meses deste ano, de janeiro a março, foram repassados pelo Governo Federal para o Município de Piancó R$ 1.460.561,08; e para o de Itaporanga R$ 898.190,36. Recursos destinados exclusivamente à saúde.
E, apesar desse grande volume de dinheiro, as queixas da população dos dois municípios relacionadas à saúde pública são constantes. Postos médicos do Programa Saúde da Família(PSF) fechados ou atendendo apenas uma, ou, no máximo, duas vezes por semana e sem medicamento; hospitais sem cirurgião e anestesista permanentes; carência de estrutura para exames; falta de médicos especialistas e até de clínico geral.
No caso dos dois hospitais, o regional de Piancó e o distrital de Itaporanga, eles são administrados pelo Governo do Estado, mas alimentados por recursos dos Municípios. E tudo poderia funcionar bem se não fosse a rivalidade política entre hospitais e Prefeituras. Isso porque nas duas cidades a administração municipal e estadual estão em lados políticos opostos, o que interfere direta e negativamente nas questões da saúde.
Em Piancó, por exemplo, a direção do hospital queixa-se que, desde a entrada de Flávia Galdino na Prefeitura, o Município não repassa os recursos devidos ao hospital regional, o que tem inviabilizado o funcionamento do estabelecimento de saúde. São mais de 145 mil reais que a Prefeitura piancoense está deixando de repassar mensalmente ao Wenceslau Lopes. E nessa briga toda,o povo é o grande derrotado.
Tanto em Itaporanga quanto em Piancó, a partir do surgimento do PSF, as pessoas passaram a ter mais facilidade para conseguir uma consulta médica, apesar de, em muitos postos, as equipes não cumprirem integralmente a carga horária estabelecida pelo Ministério da Saúde, mas também a consulta nada adianta sem o remédio e sem o exame solicitados pelo médico.
Especialmente em Itaporanga, o Município não dispõe de uma estrutura própria para exames nem todos os medicamentos solicitados pelos médicos. A demora e a dificuldade para se conseguir um exame ou cirurgia na rede pública leva muita gente a sacrificar o próprio orçamento familiar ou submeter-se a empréstimo para se tratar nos hospitais particulares. E para aquele que já vive sacrificado e não tem a quem recorrer, o destino é a morte em uma fila hospitalar daqui para João Pessoa.
No dia 7 de abril o mundo comemorou o dia da saúde, mas neste Vale o que mais falta é motivo para comemoração.
* Transcrita da Edição nº 166(Ano IX – De 24 de Março à 13 de Abril de 2010) do Jornal Folha do Vale. O jornal de maior circulação na região do Vale do Piancó, no sertão do Estado da Paraíba.
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