Deputada tetraplégica vai usar movimento dos olhos para votar projetos

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Em 31/01/2011

Tempo de leitura: 4 minutos


Mara Gabrilli precisou adaptar sistema usado na época de vereadora.

Brasília(DF) – Sem os movimentos do pescoço para baixo desde 1994, quando sofreu um acidente e ficou tetraplégica, a deputada federal Mara Gabrilli(PSDB-SP) usará o movimento dos olhos para votar as propostas discutidas na Câmara dos Deputados. Nesta segunda-feira(31Janeiro2011), a tucana vai a Brasília testar um sistema desenvolvido especialmente para ela.

O equipamento será adaptado ao sistema de votações da Casa e reconhece movimento dos olhos ou expressões faciais da deputada. Um sistema semelhante já era usada por Mara na Câmara dos Vereadores de São Paulo, onde ela deu expediente até o fim do ano passado.

Mara conta que o computador que será usado por ela em Brasília foi enviado pela Câmara Municipal, mas precisou de algumas adaptações. "Na Câmara dos vereadores a gente tem as opções sim, não ou abstenção. Lá(na Câmara dos Deputados) temos sim, não, abstenção, obstrução ou impedimento. Lá tem votação secreta, na municipal não".

Além do equipamento, Mara também cobrou da Câmara um acesso para cadeirantes à tribuna do plenário. A pressão surtiu efeito e a Câmara instalou uma plataforma elevatória ao lado do púlpito.

Câmara instala elevador para deputados cadeirantes acessarem tribuna, mas “esquece” mesa diretora.
Com três deputados cadeirantes eleitos no ano passado, a Câmara dos Deputados precisou se adaptar e, a partir da próxima terça-feira(1ºFevereiro2011), o acesso dos parlamentares à tribuna da Casa – púlpito em que os representantes discursam no plenário – poderá ser feito também por um elevador próprio para as cadeiras de rodas.

A plataforma elevatória levará os deputados deficientes físicos por cima dos cinco degraus que dão acesso à tribuna, mas ainda não permitirá que os cadeirantes cheguem até a mesa diretora, logo ali ao lado, mas separada do púlpito por mais alguns degraus.

Ao todo, o custo da adaptação no plenário da Câmara foi de R$ 48.350, incluindo a instalação do elevador, o treinamento dos funcionários e a manutenção do equipamento.

Segundo a deputada federal Mara Gabrilli(PSDB-SP), que é tetraplégica, a promessa da Câmara é de que as obras necessárias para o acesso à mesa – local onde sentam o presidente e os demais dirigentes da Casa durante as sessões – serão feitas em julho, durante o recesso parlamentar do meio do ano. "As obras na tribuna não são suficientes, tem muita coisa para fazer ainda. Inclusive no próprio plenário ainda precisa fazer um elevador que leve até a mesa diretora. Não houve tempo hábil neste recesso".

Ex-vereadora na capital paulista, Mara ameaçou não assumir o cargo em Brasília caso as obras para acessar a tribuna não fossem concluídas antes da reabertura da Câmara. Além dela, Rosinha da Adefal(PTdoB-AL) e Walter Costa(PMN-MG) são os outros dois deputados cadeirantes eleitos em outubro.

Patrimônio histórico
A pressão da tucana fez com que os arquitetos da Casa abandonassem um projeto anterior de adaptação, que previa a construlção de uma rampa de acesso para cadeirantes. A previsão era de que levaria pelo menos três meses para que a rampa ficasse pronta, enquanto o elevador foi instalado em menos de um mês.

A mudança no projeto, no entanto, gerou protestos. Segundo Mara, houve um certo receio de que a instalação do elevador alterasse a estrutura da Casa, projetada pelo arquiteto Oscar Niemayer. "Começaram a falar que eu queria destruir o painel de Athos Bulcão, que fica atrás da tribuna. Mas, imagina, sou super admiradora de arte, eu nunca iria permitir isso. (…) A obra não alterou o conceito arquitetônico do prédio".

Além da obra no plenário, a deputada tucana diz que também precisará adaptar o banheiro do gabinete que usará em Brasília. Ela já pediu para aumentar a porta, que hoje são estreitas demais para que ela consiga entrar com sua cadeira de rodas.

* R7.


Tags: Brasil

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