Em 12/04/2011
Durante o seminário, Dilma destacou também o caráter estratégico da parceria com a China.
Pequim(China) – A presidente Dilma Rousseff disse que o Brasil quer ser mais que um parceiro comercial da China e defendeu um salto de qualidade no modelo de cooperação entre os dois países, em seu discurso em um seminário de ciência e tecnologia, em seu segundo dia da visita oficial ao país. "Mais que parceiros comerciais, queremos ser parceiros em pesquisa, tecnologia, inovação e desenvolvimento de produtos com tecnologia verdadeiramente binacionais", afirmou Dilma, na cerimônia de abertura do Diálogo de Alto Nível Brasil – China em Ciência, Tecnologia e Inovação, que ocorreu no Complexo Diaoyutai, em Pequim.

"É certo que o Brasil é um dos grandes países produtores de alimento no mundo. É certo que não somos apenas produtores de recursos naturais". Ainda nesta terça-feira(12abril2011), após um seminário com empresários, ela se reunirá com o presidente chinês, Hu Jintao, no Grande Palácio do Povo.
Durante o seminário, Dilma destacou também o caráter estratégico da parceria com a China. "Nossas relações são sólidas e alcançamos, de certa forma, maturidade. No entanto, o Brasil, e tenho certeza também a China, vai inaugurar uma nova etapa nessas relações, um salto de qualidade num modelo de cooperação que tivemos até agora". Ela defendeu ainda um respaldo institucional para a parceria sino-brasileira, para que se dê expressão máxima ao caráter estratégica das nossas relações.
No fim do discurso, ela afirmou que o futuro dos dois países é promissor e elogiou o valor dado pela China à Ciência e Tecnologia durante o 12º Plano Quinquenal.
Melhor momento
A presidente também destacou a situação favorável do país. "O Brasil atravessa o melhor momento de sua história, uma economia pujante, um povo criativo e confiante e uma sociedade democrática". "Fizemos, estamos fazendo e faremos todo possível para transformar o Brasil em uma sociedade desenvolvida e justa" Dilma citou ainda uma série de acordos que foram firmados com a China, como a criação de um centro conjunto de nanotecnologia e outro para o desenvolvimento da tecnologia para o uso de fibras de bambu em indústrias como a construção civil.
O lado chinês aproveitou o momento para tratar do avanço do país nos últimos anos, citando dados como as 815 mil patentes concedidas no país desde o ano passado – um aumento de 360% em relação ao ano de 2005. Citou ainda os 156 parques de alta tecnologia existentes no país. "A China adotou a estratégia de absorver, recriar, e recompor", disse o vice-ministro da Ciência e Tecnologia, Cao Jianlin.
Reciprocidade
Dilma chegou na segunda-feira(11abril2011) a Pequim para uma visita de seis dias, cujo objetivo é tentar aprimorar a relação do Brasil com a China. Quando ainda estava no Brasil, a presidente disse à agência estatal chinesa de notícias Xinhua que em sua reunião com o presidente Hu pretendia discutir o "aprofundamento da parceria estratégica sino-brasileira". Uma relação que deveria, segundo ela, ser baseada na "reciprocidade".
Seu grande desafio nesta primeira viagem oficial à China é conseguir diversificar as exportações brasileiras. Em um dos primeiros resultados, o Ministério da Agricultura anunciou nesta segunda-feira que a China autorizou três frigoríficos brasileiros a exportar carne de porco para o mercado chinês. Além disso, também foi anunciado que a empresa chinesa Huawei vai investir cerca de US$ 300 milhões na construção de um centro de pesquisa e desenvolvimento em Campinas, interior de São Paulo.
E a visita de Dilma começou com o anúncio de um possível acordo que pode evitar o fechamento da fábrica da Embraer em Harbin, um dos pontos mais polêmicos da relação entre os dois países. A fábrica corria o risco de ficar ociosa e fechar as portas em breve.
Na quarta-feira(13abril2011), a presidente se reunirá com o presidente da Assembleia Popular Nacional, Wu Bangguo, e com o premiê chinês, Wen Jiabao.
* BBC Brasil.
Acordos
Já no primeiro dos três dias de visita a Pequim, alguns acordos entre os dois páises foram firmados.
O primeiro deles foi o anúncio da construção de um centro de pesquisa e tecnologia em Campinas, no interior de São Paulo. O investimento gira em torno de US$ 300 milhões. Além disso, a companhia telefônica chinesa vai doar US$ 50 milhões para compra de equipamentos eletrônicos para as universidades brasileiras. Houve ainda a certificação de três dos 13 frigoríficos inspecionados, o que permitirá o crescimento da exportação de carne suína brasileira.
Os ministros de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, e de Ciência e Tecnologia, Aloízio Mercadante, acompanham a presidenta na viagem. Eles estão interessados na troca de tecnologia entre os dois países nas áreas industrial e científica. 24 empresários brasileiros e 10 representantes de entidades empresariais também acompanham a comitiva presidencial.
A China é hoje o principal parceiro comercial brasileiro. Em 2010, o Brasil exportou para os chineses US$ 30,785 bilhões e importou US$ 25,593 bilhões, resultando em superávit de US$ 5,192 bilhões. As vendas externas para a China, no ano passado, cresceram 46,57% em relação ao montante exportado em 2009(US$ 21,003 bilhões).
De Pequim, Dilma segue para outra cidade chinesa, Sanya, onde ocorre o fórum dos BRICs(Brasil, Rússia, Índia e China).
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