Em 25/05/2011
Brasília(DF) – Os diretores do Banco Central vão ganhar um aliado indireto no combate à inflação a partir de 1º de junho, quando entra em vigor a exigência de pagamento mínimo de 15% da fatura do cartão de crédito.
Atualmente, na ausência de uma regra oficial, o mercado adotou informalmente o patamar de 10% dos gastos que devem ser quitados pelos clientes. No mês que vem, o mínimo de 15% passará a ser norma e, segundo resolução do Conselho Monetário Nacional, o percentual subirá para 20% em 1º de dezembro.
Oficialmente, a cartilha do Banco Central diz que o objetivo é "diminuir o risco de superendividamento" das famílias. Porém, é possível prever um efeito secundário na economia. Ao entrar em vigor, essa elevação de 10% para 15% deverá esfriar a oferta de crédito à pessoa física e, por tabela, aliviar a inflação.
Quando se olha o estoque total de empréstimos no Brasil, apenas 7,14% são oriundos dos cartões de crédito, segundo dados do Banco Central referentes a março. Porém, um levantamento feito pela LCA Consultores mostra que a participação desse tipo de operação no consumo mais do que dobrou na década passada.
“Os cartões de crédito já representam 14,1% do consumo total das famílias”, salienta Douglas Uemura, economista da LCA. “Com a nova exigência(de pagamento mínimo de 15%), diminui a alavancagem dos consumidores, que terão maior dificuldade de ficar rolando as dívidas”.
O economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos(Febraban), Rubens Sardenberg, avalia que as novas regras terão um papel muito importante para evitar exageros das famílias. “Acaba servindo como uma educação financeira. Quanto a impactos na economia, eles serão secundários, embora não desprezíveis”, diz Sardenberg, que menciona a ajuda no combate à inflação.
* Exame.com.
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