Bancários entram em greve por tempo indeterminado

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Em 26/09/2011

Tempo de leitura: 10 minutos

Trabalhadores querem 12,8% de reajuste; Fenaban oferece 8%. Com greve nos bancos, Febraban orienta uso de canais alternativos.

São Paulo(SP) – Os bancários decidiram entrar em greve em todo o país a partir desta terça-feira(27Setembro2011), por tempo indeterminado. A decisão foi tomada após assembleias dos sindicatos da categoria realizadas em todo o país na noite desta segunda. A paralisação atingirá bancos públicos e privados.

Em nota, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro(Contraf-CUT), que coordena o Comando Nacional dos Bancários, disse que o objetivo do movimento é pressionar a Federação Nacional dos Bancos(Fenaban) a retomar as negociações e a melhorar a proposta de aumento real de salários da categoria, cuja data-base para renovação da convenção coletiva de trabalho é 1º de setembro.

Seguindo orientação do Comando Nacional, a categoria recusou a proposta de 8% de reajuste, feita pela Fenaban durante a quinta rodada de negociações, na última sexta-feira(23Setembro2011), em São Paulo. “Isso significa apenas 0,56% de aumento real, continuando distante da reivindicação de 12,8% de reajuste(5% de ganho real mais a inflação do período)”, diz Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional.


Os trabalhadores pedem aumento de 12,8%. Os funcionários de bancos também querem auxílio creche/babá no valor de um salário mínimo(R$ 545), Participação nos Lucros e Resultados(PLR) de três salários mais R$ 4.500 e piso salarial de R$ 2.297,51.

Os trabalhadores também pedem mais investimentos em segurança nas agências, fim do assédio moral, ampliação das contratações, além do fim de metas consideradas por eles abusivas e dos altos juros. Novas reuniões entre os grevistas serão realizadas no final desta terça para decidir se a paralisação continua. A Febraban ainda não se posicionou sobre o assunto.

Reivindicações
Para os trabalhadores, a proposta dos bancos não contém valorização do piso salarial, não amplia a participação nos lucros e não traz avanços em relação às reivindicações de emprego e melhoria das condições de trabalho. “Os bancários reivindicam fim da rotatividade, mais contratações, fim das metas abusivas, combate ao assédio moral, mais segurança, igualdade de oportunidades e inclusão bancária sem precarização, dentre outras reivindicações”, destaca a Contraf-CUT.

“Contamos com o apoio e a compreensão dos clientes e usuários, que sofrem com as altas taxas de juros, as tarifas exorbitantes, as filas intermináveis pela falta de funcionários, a insegurança e a precarização do atendimento bancário“, diz Cordeiro.

Na noite desta segunda-feira(26Setembro2011), houve assembleias nos Sindicatos dos Bancários de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Campo Grande, Mato Grosso, Paraíba, Alagoas, Ceará, Piauí, Espírito Santo, Campinas, Piracicaba, Juiz de Fora, Dourados e Vitória da Conquista, entre outros, conforme levantamento feito até as 20h30m pela Contraf-CUT.

Para a Fenaban, qualquer atitude que dificulte o atendimento de usuários é condenável, principalmente quando a negociação pode continuar e evitar qualquer paralisação. Aos clientes bancários, a entidade lembra que, mesmo numa greve, muitas agências funcionam normalmente e vários outros canais de atendimento(internet, telefone, terminais de autoatendimento e correspondentes) permitem a prestação de serviços.

Nota à população

Os funcionários em greve divulgaram nota à população para esclarecer sua posição. Confira a íntegra:

"1 – Os banqueiros ganham dinheiro como ninguém neste País, mas desrespeitam tanto os seus funcionários quanto os clientes, os usuários e a sociedade brasileira.

2 – Os maiores bancos lucraram mais de R$ 27,4 bilhões somente no primeiro semestre do ano. No entanto, eles propuseram reajuste de 8% aos bancários, o que significa apenas 0,56% de aumento real. Enquanto isso, altos executivos chegam a ganhar até 400 vezes o valor do piso da categoria, mostrando que eles não querem distribuir renda e ajudar o Brasil a se desenvolver.

3 – Para atingir esses lucros gigantescos, os bancos pressionam os bancários a vender produtos aos clientes, mesmo que eles não precisem. Exigem metas cada vez maiores, impossíveis de serem atingidas. Por causa dessa pressão e do assédio moral, os bancários estão adoecendo cada vez mais. Mas os banqueiros não querem discutir medidas para preservar a saúde dos trabalhadores.

4 – As filas intermináveis nas agências ocorrem porque faltam funcionários. Não é à toa que os bancos são um dos setores que menos geram empregos no Brasil. O Itaú e o Santander reduziram postos de trabalho no primeiro semestre. Os bancários querem mais contratações para acabar com as filas, melhorar as condições de trabalho e garantir atendimento decente aos clientes.

5 – Os bancos aqui no Brasil cobram os juros e as tarifas bancárias mais altas do mundo. Eles só ‘sugam’ os clientes e não oferecem contrapartidas sociais ao Brasil e aos brasileiros.

6 – Mesmo com esses ganhos, os bancos investem pouco em segurança para proteger a vida de bancários, vigilantes e clientes. Em 2011, 34 pessoas foram mortas em assaltos envolvendo bancos, 11 delas no crime de ‘saidinha de banco’. Os bancários defendem mais equipamentos de prevenção, como porta giratória e câmeras de monitoramento em tempo real, assim como biombos e divisórias individualizadas entre os caixas para garantir privacidade nas operações bancárias, e isenção das tarifas de transferência(TED, DOC) para evitar que clientes sejam alvos de assaltantes.

7 – Os bancos estão empurrando as pessoas de baixa renda para os correspondentes bancários, onde o atendimento é precário e não tem segurança. Os bancários querem inclusão bancária para todos os cidadãos, sem precarização, sem exclusão, com qualidade de atendimento, segurança e proteção ao sigilo dos clientes.

8 – Por tudo isso, os bancários estão em greve. A luta é para conquistar um emprego decente, com aumento real, valorização do piso, maior distribuição dos lucros, melhores condições de saúde, segurança e trabalho, igualdade de oportunidades e aposentadoria digna, dentre outros itens".

Febraban
Diante da greve dos bancários em todo o país, a Federação Brasileira de Bancos(Febraban) orienta os clientes a recorrerem a canais alternativos como internet, telefone e terminais de autoatendimento.

A entidade orienta os bancos a buscarem todos os meios legais para garantir o atendimento da população. “Precisamos tentar garantir que a população não seja prejudicada” diz a federação, em nota. A entidade diz considerar o ato do sindicato da categoria precipitado.

Impasse
A Fenaban afirma que apresentou, na sexta-feira(23Setembro2011), proposta que prevê reajuste a todos os salários, pisos salariais, benefícios e Participação nos Lucros e Resultados(PLR) em 8% a partir de 1º de setembro de 2011. “Considerando o acordo de 2010 e a proposta de 2011, os pisos estão acrescidos de mais de 25% e os salários, em geral, em mais de 16% em apenas dois anos”, diz a entidade.

A Fenaban diz estar preparada para dar continuidade à negociação até que um acordo seja alcançado.

Direitos do consumidor
O consumidor não pode ser prejudicado por problemas decorrentes da greve dos bancos. Especialistas orientam, no entanto, que ele deve fazer a sua parte, buscando canais alternativos para quitar as dívidas.

Os bancários marcaram para hoje o início de uma greve nacional por tempo indeterminado. Eles pedem um aumento real de 5% nos salários; os bancos propuseram 8% de reajuste, sendo 0,56% de aumento real.

Os especialistas dizem que é importante se prevenir de eventuais cobranças de multas por atraso, guardando provas da tentativa de pagamento da conta. Segundo o advogado especializado em direito bancário Alexandre Berthe, quem for cobrado pode recorrer ao Procon ou ao Juizado Especial Cível.

Orientações dos especialistas

1) Canais alternativos
Quem precisar pagar uma conta e encontrar a agência fechada deve tentar fazer o pagamento por outros canais, como caixa eletrônico, internet, telefone e correspondentes bancários(além das lotéricas, alguns hipermercados oferecem o serviço);

2) Negociação com o fornecedor
O pagamento de mensalidades pode ser negociado diretamente com escolas ou operadoras de planos de saúde, por exemplo. O consumidor deve pedir uma prorrogação do prazo de vencimento ou outra forma de pagamento, como débito na conta. As empresas são obrigadas a oferecer outras opções;

3) Multas
O Idec informa que, como a greve não é uma situação gerada pelo consumidor, o atraso no pagamento não deve gerar penalidades para ele. Caso o pagamento não seja possível, a dívida não poderá ser cobrada com juros ou multa;

4) Provas
É interessante manter alguma prova da tentativa de pagamento, como uma foto tirada do celular mostrando que a agência estava fechada, para evitar a cobrança de multas ou juros. As próprias notícias publicadas pela imprensa informando sobre a greve podem servir como prova;


5) Protocolo de atendimento

O consumidor que entrou em contato com a empresa pedindo uma alternativa para pagamento deve anotar o dia e a hora desse contato, além de pedir o número de protocolo de atendimento. Essa é outra maneira de se evitar cobranças futuras, sugere o advogado do Idec Flávio Siqueira Júnior;

6) Procon e Juizados
Se o consumidor tentou pagar a conta, não conseguiu e ainda assim foi cobrado de multa ou juros pelo atraso, ele deve fazer o pagamento, para não ter o nome incluído em cadastros de proteção ao crédito. Depois, deverá registrar queixa no Procon ou nos Juizados Especiais Cíveis;


7) Financiamento imobiliário

A greve pode gerar atraso na análise e na aprovação de financiamentos de imóveis, e algumas certidões que o consumidor obteve em cartório e levou ao banco poderão vencer nesse período. Mas, segundo o advogado Alexandre Berthe, o banco é que terá de assumir a despesa, caso seja necessário tirar novas certidões;

8) Cuidado com a segurança
O consumidor que não tem o hábito de usar caixa eletrônico e quiser pagar alguma conta não deve pedir ajuda a estranhos. Como não haverá funcionário da agência para prestar ajuda, ele deve levar alguém para ajudar, se necessário. “Aumenta muito a quantidade de golpes nos períodos de greve”, diz o advogado Alexandre Berthe.


Tags: Economia

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