Em 24/10/2011
Durante a cerimônia, a presidente da República Dilma Rousseff assinou os “presentes” prometidos para o aniversário de 342 anos da capital.
Manaus(AM) – Uma breve cerimônia inaugurou, na manhã desta segunda-feira(24Outubro2011), a segunda maior ponte estaiada do Mundo, a Ponte Rio Negro. Durante a série de discursos da cerimônia, a presidente da República Dilma Rousseff assinou os “presentes” prometidos para o aniversário de 342 anos da capital: a prorrogação da Zona Franca de Manaus por mais 50 anos, estendidos para toda a Região Metropolitana.

O primeiro a discursar na solenidade foi o prefeito do município de Iranduba, Nonato Lopes. Ele destacou a importância da obra para o desenvolvimento da cidade e, ao final da exposição, entregou peças de cerâmicas pintadas com desenhos do Encontro das Águas e da ponte à presidente Dilma e ao ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva.
Em seguida, foi a vez do senador Eduardo Braga tomar a palavra na cerimônia. Em poucos minutos, ele relembrou os desafios do início da obra e fez questão de enfatizar os benefícios que a estrutura trará para toda a região. “Agradeço em nome de milhares de amazonenses que ganham o direito de sonhar com mais emprego”, disse o senador, que articulou e deu início à construção, quando governador do Estado.
O governador do Amazonas, Omar Aziz, foi o terceiro a discursar. O chefe do Estado disse que a inauguração da ponte representava o resultado do trabalho dele, ainda como vice-governador, além dos esforços de Eduardo Braga, do ex-presidente Lula e da atual presidente, Dilma Rousseff. “Com união e parceria é possível avançar com o Amazonas”, afirmou.
Para Omar, a ponte vai ser a porta de entrada para o desenvolvimento de várias comunidades até então pouco atendidas. “Essa obra é mais do que a travessia de carros”, disse ele, ressaltando os benefícios também para o escoamento da produção de cidades como Iranduba e Novo Airão. “E a presidente Dilma nos dará mais surpresa para o desenvolvimento do Amazonas”, adiantou ele.
E as surpresas vieram logo em seguida. Após o discurso do governador, a presidente assinou proposta de Emenda Constitucional que estende a Zona Franca para a Região Metropolitana de Manaus, prorrogando o benefício por mais meio século. “Prorrogamos devido à certeza que o Brasil tem na importância do desenvolvimento sustentável”, declarou ela.
Ainda durante a participação da presidente do evento, Dilma relembrou as viagens feita à capital desde a posse. Em visitas anteriores à Manaus, ela lançou a campanha de combate ao Câncer de Mama e assinou o projeto ‘Bolsa Verde’. Sobre o aniversário da cidade, ela disse: “Essa ponte é, de fato, um monumento à altura dos 342 anos de Manaus”.
O ex-presidente Lula também falou durante a cerimônia. Ele declarou que pediu para estar na inauguração. “Eu queria vir porque sei do esforço e do sacrifício para construir essa ponte, que muita gente não acreditou”.
População
Nem mesmo o banho refrescante dos bombeiros acalmou os ânimos da população presente no evento. Protestos contra o reajuste da passagem de ônibus e a favor do reajuste salarial dos servidores do judiciário marcaram o momento do discurso da presidente Dilma. O tumulto na multidão aumentou quando a chefe de estado agradeceu a presença dos prefeitos na solenidade. Constrangida, Dilma pediu calma e apressou o pronunciamento.
As 12h00m, após a fala das autoridades, a polícia liberou o tráfego de pedestres sobre a ponte. O mosaico formado por pessoas de todas idades se entendeu até altura do mastro principal. Segundo o comandante da Polícia Militar do Amazonas, Almir David, cerca de 100 mil pessoas participaram da inauguração.
Início do projeto
Segundo o deputado estadual Francisco Souza, o ponto de partida para a construção da Ponte Rio Negro iniciou em 2003, após uma audiência pública que discutiu a ligação de Manaus aos outros sete municípios da região metropolitana da capital. Na ocasião, pensou-se que a ponte seria a alternativa apropriada para conseguir a integração. Na mesma época, foram coletadas 120 assinaturas a favor do empreendimento A partir daí, outras 15 audiências públicas foram promovidas no sentido de conseguir apoio. Para Souza, a inauguração da ponte precede a interligação da região ao restante do País. “A ponte será a emancipação política, econômica e social da Amazônia em relação ao Brasil".

Presente na inauguração, o projetista da Ponte Rio Negro, Catão Ribeiro, reforçou que a obra representa o início de outras grandes construções na região no intuito de ligar a região ao Sul da Federação. “Essa ponte significa a conexão, a ligação da Amazônia e pode significar a construção de outras pontes aqui”, ressaltou.
De acordo com o engenheiro, o empreendimento é o maior projeto da empresa responsável pela obra. “Não tem nenhuma construção no Brasil com a altura da torre dessa ponte. Só o mastro tem quase 300 metros de altura”, destacou.

Quanto à segurança, o engenheiro disse que a velocidade máxima dos ventos nas proximidades da ponte é de 120 Km/h. Com base nisso, Catão descartou a possibilidade de fechamento da ponte por motivos técnicos. “Por ser um tabuleiro de concreto tem, a ponte não vai se mexer ou se movimentar mesmo que qualquer vento, chuva ou fenômeno natura a atinja”, afirmou o projetista.
Regras de Tráfego
O Governo do Amazonas, por meio do Departamento Estadual de Trânsito(Detran-AM), fixou as regras para o tráfego de veículos e pedestres na Ponte Rio Negro, que será liberada para a população no dia 25 de outubro, a partir das 5h. Veículos automotores de todos os portes terão permissão para circular na ponte, sem restrição de horário para os automóveis pesados. Com a entrada em funcionamento, a ponte ficará aberta 24 horas por dia, com todas as medidas de segurança determinadas pelo governador Omar Aziz.

O trânsito de bicicletas na ponte não será autorizado, em razão do fluxo intenso de veículos e da alta velocidade na via, explica a diretora do Detran-AM, Mônica Melo. “Além da alta velocidade e do fluxo intenso, não há ciclofaixas ou ciclovias que comportem esse tipo de locomoção com segurança”, frisou. O transporte de passageiros por táxi-lotação e mototáxi também não será permitido, conforme o Código de Trânsito Brasileiro(CTB). Os pedestres poderão andar na ponte em área reservada para esse fim, nas partes laterais.
A velocidade limite máxima ao longo da ponte será de 60 quilômetros por hora. Para controlar o fluxo de veículos e pedestres, assim como as regras estabelecidas no CTB, o Detran-AM terá uma estrutura permanente de fiscalização com dez câmeras para o monitoramento do tráfego e averiguação da placa dos automóveis, redutores móveis de velocidade e um guincho para a remoção de veículos, além da presença permanente de dez agentes de transito do órgão e da Companhia de Trânsito da Polícia Militar(Ciatran). A estrutura ficará no Centro de Controle de Operações, uma base montada na cabeceira da ponte, em Manaus, onde vários órgãos do Governo Estadual trabalharão no monitoramento e controle da movimentação.

Os automóveis não vão poder parar ao longo da ponte. Em caso de pane no veículo, o motorista deverá utilizar os equipamentos de sinalização que indiquem que o veículo está parado, em razão de pane mecânica, até a sua retirada. Não será permitido estacionar nas vias de acesso à ponte, tanto em Manaus quanto em Iranduba, no limite de 500 metros até a cabeceira.
No Centro de Controle, a Defesa Civil Estadual está montando uma estação meteorológica para fazer o monitoramento das condições do tempo para maior segurança no tráfego de veículos e pedestres na ponte. Em caso de tempestades com ventos acima de 60 quilômetros, haverá a interrupção do trânsito de veículos e de pedestres pelo Detran-AM. A medida será tomada para a segurança dos usuários, sem qualquer risco de danos para a estrutura do empreendimento, que foi projetado para suportar ventos com velocidades de até 140 quilômetros por hora.
Números da Ponte Rio Negro
Investimentos: R$ 1,099 bilhão(R$ 586 milhões do BNDES e R$ 513 milhões do Governo do Amazonas).
Tempo da obra: 03 anos e dez meses.
Empregos diretos na obra: 3.400 trabalhadores.
Comprimento total: 3.595 m.
Número de vãos: 73.
Altura do mastro central: 103 m acima do tabuleiro.
Extensão do trecho estaiado: 400 m.
Largura da seção estaiada: 22,60 m.
Largura do trecho corrente: 20,70 m.
Pistas: duas pistas duplas.
Faixas por pista: duas faixas sentido Manaus e duas sentido Iranduba.
Passeio de pedestres: 1,5 m de cada lado.
Concreto estrutural: 138.000 m³.
Cimento: 1 milhão de sacas.
Vigas pré-moldadas: 213 peças.
Pilares/apoios: 74 unidades.
Base de solo, areia, seixo: 47.000 m³.
Revestimento betuminoso: 72.000 t.
Confira video institucional sobre a Ponte Rio Negro – Monumento do Amazonas – A maior ponte fluvial do Brasil.
Depoimentos

“Estou muito feliz de estar aqui nos 342 anos de Manaus, desde 2003 junto com o presidente Lula muita coisa foi feita pelo Amazonas e pela cidade de Manaus e agora nós estamos aqui inaugurando uma ponte que é de fato, um monumento a altura dos 342 anos e esse monumento é porque essa ponte mostra que é possível fazer que aqui se gere emprego, se distribua renda e ao mesmo tempo se preserve o meio ambiente, essa ponte liga duas margens do rio negro e isso é um grande acontecimento aqui para Manaus, eu estive aqui desde que virei presidente da república pelo voto de vocês e essa é a terceira vez, eu estive a primeira vez lançando o programa de prevenção do câncer de mama e do colo de útero para as mulheres amazonenses e para as mulheres de todo o Brasil, voltei a segunda vez para lançar aqui o planto Brasil sem miséria que leva a frente os compromissos que nos criamos ao longo de todo o governo Lula e esses compromissos são com o povo mais pobre do nosso país e fez com que o Brasil crescesse, tivesse o respeito internacional e criasse o mercado interno. Falei para vocês naquela hora que eu voltaria uma terceira vez e iria trazer um presente de aniversário para os 342 anos de Manaus, e eu trouxe dois presentes, esse presente está embrulhado com uma certeza; o primeiro presente é a prorrogação da Zona Franca da condição da Zona Franca por 50 anos. O segundo presente, faz com que a região que vai ser considerada Zona Franca seja estendida a região metropolitana de Manaus, a grande Manaus e nós trazemos esse presente pelo reconhecimento que nós temos a situação do povo do Amazonas e também do que se representa a floresta e a biodiversidade dessa imensa riqueza. Nós queremos que através da Zona Franca se gere emprego para milhões de amazonenses eles tem direito como todos os brasileiros ao emprego, as oportunidades de uma vida digna para criar seus filhos e suas famílias por isso a Zona Franca que o Presidente Lula ajudou quando ela estava praticamente sendo encerrada pelos governos anteriores, ele prorrogou a primeira vez e agora dando continuidade a isso, eu prorrogo por mais 50 anos, pela certeza de que o nosso país tem na preservação de seu grande patrimônio que é essa floresta e ao mesmo tempo que a gente preserva a floresta, impede o desmatamento e criamos oportunidades de trabalho para a população do Amazonas ter uma vida digna. Aqui se combina duas coisas, o crescimento e o respeito ao meio ambiente e também o reconhecimento da importância da região metropolitana de Manaus para que haja o desenvolvimento sustentável aqui na região, por isso estou muito feliz de estar aqui nessa comemoração do aniversário de 342 anos, junto com o gasoduto Coari Manaus, o Luz para todos, o projeto minha casa minha vida que nós hoje damos continuidade ao programa do presidente Lula e encerro desejando a Manaus, ao Amazonas e ao povo amazonense, um feliz aniversário estejam certos de que estaremos atentos para criar oportunidades iguais não só para as regiões mas também, para todos os brasileiros e brasileiras”. Dilma Rousseff – presidente da República.

“Quando a companheira Dilma assumiu como presidente da república, eu disse a ela que tinha uma obra que eu gostaria de participar da inauguração e era esta famosa ponte aqui sobre o Rio Negro porque eu sabia do esforço e do sacrifício que o governo do estado fez, para inaugurar essa ponte hoje, a verdade é que tinha muita gente que não acreditava e que colocava em dúvida, e hoje a presidente Dilma vem aqui hoje inaugurar essa ponte e eu acho que é isso que justifica eu poder olhar na cara de cada um de vocês e dizer que valeu a pena, não apenas quando a gente disse que ia inaugurar essa ponte, mas quando nós viemos as ruas aqui neste estado, pedir para que vocês dessem um voto de confiança e votassem na primeira mulher para a presidência da republica deste país e eu tenho a plena convicção que ao terminar o primeiro mandato dela, da mesma forma de quando terminou o meu, vocês descobriram que tinha valido a pena votar no metalúrgico e eu tenho certeza que vocês vão descobrir muito mais, de que a mulher que durante tanto tempo foi tratada como se fosse um objeto de segunda categoria na hora que decide entrar na política ela prova que tem mais competência do que muitos homens que governaram esse pais”. Luís Inácio LULA da Silva – ex-presidente da república.

“Nós começamos a sonhar alto em 2003, quando eu era o vice-governador do Eduardo, nós começamos a pensar o Amazonas de uma forma diferente e pensar o Amazonas de uma forma diferente não é cair na mesmice, não é pensar que não é possível e nós estamos demonstrando aqui hoje que com união e com parceria é possível o Amazonas avançar cada vez mais. Um dos poucos que acreditaram estão hoje aqui nesse palanque, pela ousadia e pela coragem do Eduardo em acreditar que é possível vencermos barreiras, pela gratidão ao presidente Lula e a presidenta Dilma e principalmente pela coragem do povo amazonense em querer sempre mais, não era possível fazer isso, se não houvesse a compreensão que essa obra era necessária e essa obra não vai servir somente para que os carros atravessem de uma ponta para outra, ela representa o desenvolvimento do Solimões, do Purus e dos municípios adjacentes por isso agora são outros passos, é duplicar a estrada que liga Iranduba a Manacapuru, é fazer um porto em Manacapuru para que a gente possa receber os produtos do Purus e do Solimões. É pensar que a vocação de Novo Airão é uma vocação turística. É pensar em Iranduba como o maior produtor de telhas de barro e pode produzir muito mais tendo condições de logística. É neste sentido presidenta que tudo aquilo que a senhora ouviu hoje aqui não seria possível se não houvesse a determinação e a parceria para que pudéssemos conseguir isso e além disso, houveram outros parceiros e quero agradecer ao presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento o doutor Luciano Coutinho que nos ajudou bastante e tenho certeza que a presidenta Dilma vai nos dar mais surpresas para que a gente possa construir o Amazonas que nós sonhamos. Cada um fez a sua parte, o Eduardo muito bem fez a sua parte e eu fui eleito para dar continuidade, concluir e fazer o Amazonas avançar mais, o resto é conversa fiada que não enche a barriga do povo amazonense, o que enche a barriga do povo é trabalho por isso, eu disse para a presidente Dilma e o presidente Lula que o povo está no sol para reverenciar o carinho que tanto a senhora quanto o presidente Lula tem pelo povo do Amazonas e nada para nós foi tão sacrificado durante anos e anos sermos esquecidos pelo planalto central e hoje não só somos lembrados como temos o privilégio de ser um dos poucos estados brasileiros que recebe a presidenta Dilma o presidente Lula porque aqui o Amazonas sempre reconheceu o trabalho dos dois, nas eleições do Lula como a presidente Dilma teve a maior votação do Brasil em nosso estado. Por isso eu quero lhe dizer que lhe receber aqui da mesma forma que a senhora me recebe no seu gabinete é um prazer muito grande. Obrigado pela compreensão e vamos a luta para conquistar mais espaços e a luta agora é nossa para que a gente possa desenvolver o outro lado da região metropolitana”. Omar Aziz – governador do Amazonas.
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