Teste de segurança mostra que carros nacionais são frágeis

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Em 25/11/2011

Tempo de leitura: 7 minutos


Carros vendidos no Brasil dão grave vexame em crash test.

Montevideu(Uruguai) – A segunda fase do programa Latin NCAP, que avalia a segurança de carros vendidos na América Latina, traz uma péssima notícia para os donos de alguns dos carros mais populares no Brasil: em caso de um acidente, os riscos para a integridade física dos ocupantes são altos.

Segundo o relatório do Latin NCAP, o principal problema dos carros mais populares(em vendas e preço) do Brasil está na fragilidade estrutural. "Os testes evidenciam carrocerias frágeis e incapazes de aguentar fortes impactos, além de estruturas perigosas que apresentam graves riscos de lesão e até de morte a seus passageiros, especialmente a região da cabeça do motorista", diz o texto.

E prossegue: "Modelos populares foram falhos em oferecer proteção adequada, sobretudo ao peito do motorista, mas também devendo muito em segurança às pernas e aos joelhos dos passageiros".


O Latin NCAP realiza atualmente apenas testes de impacto frontal, a 64 km/h, com ligeiro desvio lateral(para simular uma tentativa do motorista de desviar do obstáculo). É uma prova mais simples que as executadas por órgãos equivalentes na Europa e nos Estados Unidos. Os resultados, exibidos nesta quinta-feira(24Novembro2011), são ruins para praticamente todos os modelos testados.


Os modelos à venda na Europa, avaliados pelo Euro NCAP, tiveram notas muito melhores que os latino-americanos. Os dados mostrados referem-se às duas fases do programa Latin NCAP, sendo que a primeira foi realizada em 2010. Os carros que foram testados nesta segunda fase são: Chevrolet Celta, Classic e Cruze; Fiat Uno, Ford Focus(hatch) e Ka, Nissan March e Tiida hatch. A adesão é voluntária. Na legenda "sponsors test" indica modelos testados a pedido dos fabricantes, que têm interesse nos resultados do programa. Também há a indicação sobre se o carro possui ou não airbags.


O que se pode ver é que nenhum modelo conseguiu obter cinco estrelas – a melhor classificação – nos dois itens observados: proteção geral dos ocupantes e, em separado, proteção a crianças que viajam no banco traseiro.


Modelos como o Chevrolet Classic e o Fiat Uno tiveram resultados desastrosos, obtendo apenas uma estrela no teste geral, e uma e duas, respectivamente, no de proteção infantil. Os resultados mostram também um desequilíbrio de segurança em alguns modelos, como no caso do Toyota Corolla, cuja versão XEI com dois airbags(testada na primeira fase) teve boas quatro estrelas no geral, mas apenas uma no infantil.

Os melhores resultados foram do Chevrolet Cruze e do Ford Focus, dois modelos que foram testados a pedidos pelo Latin NCAP. Ambos empataram, recebendo quatro e três estrelas nos quesitos de proteção geral e infantil.

Dedo na ferida
O relatório do Latin NCAP divulgado nesta quinta-feira(24Novembro2011) dá uma bronca nas fabricantes de carros instaladas na América Latina, o que obviamente inclui o Brasil. O veredicto é simples: as montadoras sabem, se quiserem, fazer carros seguros e ao mesmo tempo sem custo alto.


Diz o texto: "Em ambas as fases do Latin NCAP, alguns veículos testados obtiveram níveis muito melhores de segurança, similares com os níveis adquiridos na América do Norte e na Europa. São modelos mais caros(no caso, principalmente Cruze e Focus, carros globais). Na Europa, até os carros mais baratos contam com airbags(motorista, passageiro e cortina lateral), e oferecem melhor segurança estrutural. Isso mostra que os maiores fabricantes de veículos sabem como fazer veículos com preços acessíveis que estejam de acordo com os padrões da ONU(Nações Unidas). Portanto, o Latin NCAP recomenda seriamente que esses padrões sejam estendidos a todos os países da América Latina".

A partir de 2012, 30% dos carros novos fabricados no Brasil deverão ter airbags e freios com ABS; em 2013, essa fatia cresce a 60%. Em 2014, todos os carros deverão vir com esses itens. Segundo o Latin NCAP, o custo de produção de uma unidade de airbag é de US$ 50. Nos carros nacionais em que o item é opcional, geralmente amarrado a outros equipamentos(como o ABS), o preço sempre é superior a R$ 1.500.


Crash test do Meriva(General Motors) realizado pela Latin NCAP, apontou resultado REGULAR.

O Latin NCAP é uma iniciativa conjunta de Federação Internacional do Automóvel(FIA), Fundação FIA, Global New Car Assessment Programme(GNCAP), Fundação Gonzalo Rodríguez, Banco Interamericano de Desenvolvimento e International Consumer Research & Testing(ICRT). Nas próximas fases, a ideia é incrementar os testes com os carros latino-americanos, incluindo impacto lateral, de poste, teste para pedestres e de chicote cervical(impacto posterior, afetando a cabeça).

Primeira fase
A Latin NCAP divulgou os resultados dos primeiros testes de segurança de modelos vendidos na América Latina e Caribe no mês de outubro(2011). A entidade independente que tem base no Uruguai e faz parte do NCAP(New Car Assessment Programmes, ou programa de avaliação de novos carros), também atua na Europa, EUA, Ásia e Austrália e avalia a segurança dos veículos para os ocupantes adultos e crianças.


Crash test do Gol(Volkswagen) realizado pela Latin NCAP, constatou que o veículo NÃO OFERECE PROTEÇÃO TOTAL.

O primeiro teste revelou que ainda há muito que evoluir nos automóveis vendidos no mercado sul-americano. Foram avaliados Toyota Corolla, Chevrolet Meriva, o chinês Geely CK1, além de Fiat Palio, Peugeot 207 e Volkswagen Gol, os três últimos com e sem airbags. Cada carro foi submetido a uma colisão frontal a 64 km/h contra um obstáculo deformável, que simulava outro automóvel.


Crash test do Palio(Fiat) realizado pela Latin NCAP, constatou que o veículo NÃO OFERECE PROTEÇÃO TOTAL.

O melhor de todos foi o Corolla. A carroceria se manteve estável e o assoalho não deformou. O sedã obteve quatro estrelas na segurança para ocupantes adultos, que tiveram boa proteção para cabeça e peito, porém os joelhos ficaram expostos a lesões por ação de estruturas do painel. No banco traseiro houve falha e a o boneco que simula uma criança de três anos bateu a cabeça no encosto do banco dianteiro.


Crash test do Corolla(Toyota) realizado pela Latin NCAP, apontou como O MELHOR TESTADO.

O Geely CK1, que não é comercializado no Brasil, foi o pior e não conseguiu uma estrela sequer. A Latin NCAP constatou risco muito elevado de lesões a todas as partes do corpo do motorista, que poderia até morrer. A deformação da carroceria foi alta e, mesmo se o carro fosse equipado com airbag, as chances de sobrevivência dos ocupantes dianteiros será baixa. Para crianças houve proteção, entretanto as cadeirinhas recomendadas pelos fabricantes não se encaixam perfeitamente ao carro.


Crash test do Geely(CherryBrasil) realizado pela Latin NCAP, apontou como O PIOR TESTADO.

No Peugeot 207 os resultados também foram preocupantes. Mesmo na versão com airbag, o peito do motorista atingiu o volante e joelhos, as pernas e os pés foram atingidos pelos pedais, peças do painel e por rupturas do assoalho. No 207 sem airbag, a cabeça também sofreu forte impacto e nos dois modelos as crianças também foram atingidas.


Crash test do Peugeot 207(Peugeot) realizado pela Latin NCAP, constatou que o veículo NÃO OFERECE PROTEÇÃO TOTAL.

Montadoras
A Fiat do Brasil emitiu na noite desta quinta-feira(24Novembro2011) uma nota oficial comentando os resultados do Latin NCAP. O texto diz, simplesmente, que "os veículos produzidos pela Fiat no Brasil estão enquadrados nas normas de segurança vigentes no país". UOL Carros não conseguiu localizar representantes da assessoria da General Motors. Na Ford, ainda se discute a possibilidade de emitir uma nota comentando os resultados.


Tags: Brasil

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