Em 09/12/2011
Governo brasileiro adota medidas para que o Mundial do Futebol seja o primeiro sustentável da história.
Rio de Janeiro(RJ) – O Brasil quer que a Copa do Mundo de 2014 seja o primeiro Mundial sustentável da história. E a trajetória verde rumo a 2014 começa pelos 12 estádios das cidades-sedes. Para conseguir financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social(BNDES) para construção e reforma, os estádios precisam ter um selo verde. Estes selos são concedidos por organismos certificadores reconhecidos internacionalmente e indicam que os estádios seguem um padrão mínimo de construção sustentável.
Claudio Langone, coordenador da Câmara Temática de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Copa do Mundo de 2014, do Ministério do Esporte, diz que mesmo os representantes dos estádios que, em princípio, não precisam definanciamento do BNDES decidiram seguir o caminho verde.
“Todas as arenas incorporaram em suas obras a reciclagem do material originado de áreas demolidas do próprio local, reduzindo os custos e impactos ambientais”, diz Langone, acrescentando que madeiras e outros insumos também têm selos que garantem a origem ambientalmente correta. “(Todos os estádios) também estão adotando um sistema de recolhimento de água da chuva para a irrigação dos gramados”.
Para economizar energia, a arquitetura das arenas em reforma ou construção foi planejada para aproveitar ventilação e iluminação naturais, evitando o uso do ar condicionado e de lâmpadas nas áreas internas.
Ventilação para manter a grama verde
Outra vantagem da ventilação natural é que o gramado não apodrece rapidamente, como acontece hoje na maioria dos estádios brasileiros, que não têm ventilação no campo.
O Estádio Nacional de Brasília – antigo Mané Garrincha – no Distrito Federal, é um dos que vão além do padrão mínimo. O estádio está todo em obras – sua capacidade vai aumentar de 45.000 para 71.000 torcedores – e teve 2 quilômetros de tapumes decorados por cem grafiteiros.
Em busca do selo mais verde, o Leed Platinum(Leadership in Energy and Environmental Design) – fornecido pelo Instituto de Certificação de Construção Verde(GBCI, na sigla em inglês), dos Estados Unidos -, o estádio de Brasília terá placas no teto para captar energia solar suficiente para alimentar o complexo esportivo.
A Certificação de Construção Sustentável das Arenas é um dos cinco núcleos temáticos da Câmara de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Copa 2014 – uma das nove câmaras criadas pelos ministérios do Esporte, Meio Ambiente, Turismo e Desenvolvimento Agrário.
Os outros quatros núcleos de Meio Ambiente e Sustentabilidade são Parques da Copa; Resíduos e Reciclagem; Mudanças Climáticas e Copa Orgânica e Sustentável.
Parques da Copa
Com o núcleo Parques da Copa, o governo pretende melhorar a estrutura de parques e reservas brasileiras em regiões próximas às cidades-sede. Os investimentos incluem a instalação de trilhas, sinalização explicativa e construção de centros de visitantes e mirantes, além de pousadas e hotéis dentro ou perto das reservas e parques.
Para viabilizar os empreendimentos, o governo está em busca de parcerias com o setor privado, que será responsável pelas construções e operações dos parques por meio de concessão governamental. Mas a necessidade de investimentos vai além dos parques e reservas.
“Para se chegar a esses lugares, é preciso construir estradas de acesso de boa qualidade e muitas precisam de melhorias”, afirma Langone. “Temos que garantir pousadas e restaurantes para aqueles turistas que vão pernoitar nas cidades do entorno. Em geral, elas são muito pequenas e não conseguem atender a demanda em grande escala”.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, diz que os parques são estratégicos para que os visitantes se sintam mais acolhidos. “O Brasil é muito extenso e uma área é completamente diferente da outra”, diz a ministra. “Uma família alemã, por exemplo, que venha ao Brasil para ver um jogo em Manaus, no estado do Amazonas, e depois assiste a outro no Rio Grande Sul, pode se surpreender com a mudança”.
Os parques mostrariam a biodiversidade brasileira e seriam como regiões neutras para que os turistas se familiarizassem com cada cidade, completa a ministra.
Resíduos e reciclagem
Com o núcleo Resíduos e Reciclagem, o governo pretende minimizar a geração de lixo e promover a coleta seletiva, com inclusão social dos catadores de resíduos. “Vamos aproveitar para reforçar a Política Nacional de Resíduos Sólidos”, diz a ministra Izabella.
A política, que entrou em vigor em agosto de 2010, prevê, entre outras ações, que os municípios tenham Planos Diretores de Resíduos até o fim de 2012 e que os lixões sejam erradicados até o fim de 2014.
Copa Orgânica e Sustentável
O núcleo Copa Orgânica e Sustentável vai ampliar oportunidades de negócios para produtos orgânicos e sustentáveis. “A ideia é organizar uma cadeia de fornecimento para que esses produtos alcancem as grandes redes de hotéis, supermercados, restaurantes etc.”, explica Ming Liu, da Organic Brasil, um programa que reúne cerca de 70 empresas de orgânicos e é um dos representantes do setor privado na Câmara Temática de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Copa 2014.
A previsão é que restaurantes e hotéis das cidades-sede incluam ao menos um item desses produtos em seus cardápios. “Atualmente a demanda por orgânicos é maior do que a produção”, afirma Priscila Terrazzan, coordenadora do projeto Portal Orgânico, de serviços e informações sobre alimentos orgânicos.
Os produtores ainda não estão preparados para atender um grande volume de demanda, completa Liu. “A maioria dos produtores é formada por pequenos produtores de agricultura familiar”, explica Liu. “O fortalecimento do setor pode ser feito, por exemplo, reunindo essas pessoas em cooperativas”.
Com o incentivo à produção de orgânicos para a Copa de 2014, a meta é que esses produtos conquistem mais espaço no mercado interno após o Mundial, adianta Langone. “Com isso, vamos ter também a redução do preço”, diz.
Atualmente, a diferença de preço entre os produtos orgânicos e os convencionais é de 20% a 30%, segundo Liu.
Mudanças Climáticas
O núcleo de Mudanças Climáticas quer minimizar e compensar as emissões de gases causadores de efeito estufa. Entre outras medidas, as cidades-sedes vão investir no uso de combustíveis alternativos para os ônibus das delegações. Corredores especiais de ônibus e novas formas de transportes em trilhos também estão sendo criados.
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