Mastologista alerta para falta de especialistas no interior do estado

Em 24/10/2012

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Mesmo em clínicas particulares, pacientes encontram dificuldade em marcar consultas.

João Pessoa(PB) – O Instituto Nacional do Câncer(Inca) estima que ao longo do ano de 2012, mais de 60 mil pessoas sejam diagnosticadas com câncer de mama no Brasil, sendo que mais de 90% das vítimas serão mulheres. Apesar de ser uma enfermidade que atinge um volume alarmante de pessoas, o número de mastologistas, médicos especialistas em diagnosticar e tratar as doenças da mama não segue a mesma tendência. Na Paraíba, existem apenas trinta profissionais da área e, mesmo assim, a maior parte deles atua na capital.

De acordo com a mastologista Marina Cartaxo Patriota Leal, uma das especialistas que atendem aos pacientes do Hospital Napoleão Laureano, esse número de profissionais até conseguiria atender à demanda do estado, onde, segundo o último Censo, existem 1.786.313 mulheres acima de 30 anos. Entretanto, além da concentração desses profissionais em João Pessoa, o acesso a eles através do Sistema Único de Saúde(SUS) é bastante demorado.

A médica explica que as pessoas atendidas pelo serviço público recorrem, primeiramente, ao PSF(Programa de Saúde da Família), onde o médico solicita os primeiros exames. Apenas após aparecerem alterações nesses exames é que o paciente é encaminhado ao especialista. “O paciente demora muito a chegar ao mastologista e todo esse tempo que ele perde é importante para o tratamento”, explica.

Essa demora é apontada como um dos fatores responsáveis pela alta taxa de mortalidade no Brasil: uma em cada cinco mulheres que tem a doença, não sobrevive. Segundo o Sistema de Informação sobre Mortalidade(SIM), só em 2012, 137 pessoas já morreram vítimas do câncer de mama na Paraíba.

Mesmo quem utiliza a rede privada e tem plano de saúde não está livre dessa dificuldade. Foi o que aconteceu com a funcionária pública Clotilde Beltrão de Lucena, que está em tratamento contra um câncer de mama há quase seis meses. Clotilde contou que ao tentar marcar as primeiras consultas e exames, só encontrou vaga para depois de 15 ou 20 dias. “Tive que insistir muito. Liguei para três médicos e mesmo assim só consegui fazer a consulta em menos tempo porque houve uma desistência”. Devido a esses problemas, Clotilde demorou muito para conseguir o diagnóstico. Contar com a sorte e antecipar a consulta foi um fator decisivo no seu caso, já que o tipo de câncer que ela apresentou é de um tipo muito agressivo e de evolução rápida.

A funcionária pública também faz um alerta às mulheres: ela descobriu o tumor durante o autoexame. Poucos dias antes, ela leu em uma revista o relato da ministra da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Helena Chagas, que também descobriu um tumor durante o autoexame e foi isso que a levou a insistir tanto para conseguir atendimento mais rápido.

* I2 Inteligência.


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