Em 24/06/2013
As manifestações registradas por todo país nas últimas semanas vão repercutir sobre a Copa do Mundo e as eleições do próximo ano. O atual momento político é considerado positivo devido ao engajamento da população.
Mais de um milhão de brasileiros foram às ruas na última semana e o motivo principal não foram vinte centavos. Um senso comum de indignação tomou conta do país e promoveu uma série de manifestações sem líderes nem partidos políticos, com várias bandeiras, exigindo o fim da corrupção e mais justiça social. O estopim, entretanto, foi o aumento na tarifa da passagem de ônibus em São Paulo. Esses mesmos vinte centavos pagaram a mobilização do mundo inteiro para causa no Brasil e os resultados já começaram a aparecer com a redução no preço da passagem em várias cidades.

Para o cientista político Jaldes Menezes, os protestos também deverão repercutir nas eleições de 2014. “Esses eventos entraram para a história brasileira e terão repercussão de curto, médio e longo prazo, mas só vamos fazer um balanço quando terminarem. O evento Copa do Mundo já não poderá ser usado para criar um clima de euforia no Brasil. Sobre a presidente Dilma, eles repercutem no sistema político como um todo. A aliança PT-PMDB foi extremamente tensionada. Se mantiver a política de altos gastos públicos, o governo e seus aliados podem sofrer um revés”, alerta Menezes.
Em João Pessoa, o protesto aconteceu na última quinta-feira(20Junho2013) e reuniu, segundo a Polícia Militar, mais de 20 mil pessoas. O ato foi pacífico e durou mais de cinco horas. Os manifestantes concentraram em frente ao Liceu Paraibano, subiram para a Praça dos Três Poderes, voltaram pelo Parque Solon de Lucena e desceram a Avenida Epitácio Pessoa até o Busto de Tamandaré. Para tentar conter o movimento, o prefeito da capital, Luciana Cartaxo(PT), reduziu o preço da passagem na cidade em R$ 0,10 caindo de R$2,30 para R$ 2,20 a partir de 1º de julho. O prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues(PSDB), também anunciou redução de R$ 2,20 para R$ 2,10 e não impediu os protestos na Rainha da Borborema.

A redução nas duas cidades paraibanas foi possível graças ao corte de impostos que incidem sobre o preço da passagem, promovido pelo Governo Federal. Ainda assim essa baixa no custo não repõe as perdas da população das duas cidades, que sofre há anos com aumentos acima dos índices da inflação. Mesmo que haja nova desoneração, o cidadão acaba pagando a conta indiretamente. O serviço é prestado através de concessão pública mas as empresas não divulgam seus lucros, que são obtidos com o dinheiro do contribuinte.
Os grupos que organizam o movimento na Paraíba prometem articular novos manifestos a fim de baixar ainda mais o preço da passagem de ônibus. Enquanto isso também pedem por causas históricas, como saúde e educação, e outras pontuais, como a derrubada da Proposta de Emenda à Constituição(PEC) 37, que retira do Ministério Público a atribuição de realizar investigações criminais.
Participação popular
O que impressiona, acima de tudo, é a grande presença popular. Várias pessoas que nunca participaram de nenhum movimento foram cobrar mais atitude de seus governantes. Também teve vandalismo, baderneiros, brincalhões e até gente que foi ao protesto para namorar. Mas juntando todos os grupos que não estavam lá para lutar por seus direitos, esses seriam uma minoria que não tira a força do manifesto pacífico.

Também houve protestos contra a Copa das Confederações nas cidades sedes e contra a realização da Copa do Mundo de 2014. Tardio, pois o “gigante acordou” citado pelos manifestantes poderia ter escrito a história da construção dos estádios para instituições privadas com verba pública de outra forma.
Na proposta inicial, estádios como o do Corinthians seriam financiados através de parcerias público-privadas e o dinheiro do contribuinte usado apenas para obras estruturantes para as cidades, com investimentos em infraestrutura e transportes.
* Com Felipe Gesteira/Jornal A União/Ed.23Junho2013.
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