Em 26/05/2014
Dividido em três editais que somam 1.894 vagas ofertadas, concurso foi realizado no dia 4 de maio em Fortaleza; seleção ainda conta com análise de títulos.
Fortaleza(CE) – Pacote das avaliações com lacre rompido, provas faltando e possíveis avaliações trocadas. Essas são as reclamações feitas por diversos candidatos que fizeram a prova, no domingo(04Maio2014), do concurso público para a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares(Ebserh) em Fortaleza e concorrem a alguma vaga para trabalhar no Hospital Universitário Walter Cantídio(HUWC) ou Maternidade Escola Assis Chateaubriand(MEAC). O concurso foi realizado pela AOCP Administradora e Corretora de Seguros.
Um candidato, que preferiu não se identificar, afirma que na sala onde fez a prova, localizada na Faculdade Integrada do Ceará(FIC), o pacote da prova estava rompido. “O lacre estava violado e faltava uma prova. A fiscal da sala assumiu o erro, pediu desculpas e disse que a prova foi enviada para outra pessoa, uma deficiente física, que não podia subir para o segundo andar”, conta o candidato. Momento antes de iniciar o tempo de prova, as fiscais chamaram dois alunos, como de costume em processos seletivos, para olhar o pacote e os dois perceberam que o lacre estava rompido.
Concorrendo a uma vaga para Enfermagem, ele diz que se sentiu prejudicado porque o fato o deixou muito nervoso, assim como também os outros integrantes, que presenciaram o acontecimento. “Teve um estresse, a gente começou a prova 8h30 e estava programada para iniciar às 8h. Você se prepara, estuda, faz todo o ritual de dormir 8 horas antes e de ficar calmo, para ter o maior estresse antes da prova”, afirma.
O candidato lembra que, no momento da confusão, muitas pessoas ameaçaram não fazer a prova e ir direto a alguma delegacia, para denunciar o erro. “A situação só ficou mais calma depois que um responsável da AOCP foi ao local e disse que ia apurar o caso. Aí o pessoal que queria denunciar resolveu fazer a prova”, explica.
Na rede social Facebook, muitos candidatos de outros cursos também reclamaram da falta de organização do concurso nos grupos de profissionais que estão concorrendo às vagas ofertadas. Outro ponto questionado foi a possibilidade de a AOCP ter trocado as provas dos enfermeiros e dos técnicos de enfermagem. Muitos acreditam que a avaliação de Enfermagem foi fácil, enquanto a de Técnico estava acima da média.
Conselho de Enfermagem recebeu denúncias dos candidatos
O Conselho Regional de Enfermagem do Ceará(Coren), órgão que representa os enfermeiros, técnicos e auxiliares, afirmou que recebeu diversas reclamações dos candidatos que fizeram a prova. A entidade esclarece, no entanto, que não tem legitimidade para entrar na Justiça, reclamando qualquer tipo de fraude.
A presidente do Coren, Dr. Celiane Muniz, diz que o Conselho é um órgão fiscalizador e que as denúncias devem ser feitas ao Ministério Público de forma individual. “Existe uma divisão de opiniões. Recebemos a visita de alguns profissionais que nos colocaram algumas questões, como o envelope deslacrado e a ausência de provas. Juridicamente, o Coren não tem legitimidade para anular o concurso. O que nós fizemos foi um ofício e enviamos para a Ebserh e AOCP, dizendo que tínhamos recebido várias denúncias de profissionais. Eu não tenho legitimidade jurídica para representar, tem que ser individual. Cada um tem que ir lá”, explica.
Ela diz ainda que espera, por parte da AOCP, organizadora do concurso, a abertura de um processo investigatório. “Nós gostaríamos que fossem tomadam as medidas cabíveis e necessárias, que é a abertura de um processo investigatório”, comenta.
Sobre a possibilidade da troca das provas de enfermeiros e técnicos, a presidente do conselho acredita que isso não aconteceu. “Eu acho que elas não foram trocadas. O que acontece é que algumas questões apresentaram duas opções corretas. Na questão relacionada à lei de exercício profissional, na prova de técnico, tem uma questão que tem duas respostas corretas e lá diz que apenas uma é correta”, afirma.
Dra. Celiane Muniz também explica que existem questionamentos dos profissionais para outras 4 questões. “Mas elas não estão diretamente ligadas à lei do exercício e eu não me aprofundei em analisá-las. O que eu posso dizer é que há motivos para anulação, mas não sei se eles anulam a questão e a prova”, diz.
Instituto AOCP nega denúncias
Procurado pela Redação Web da Rádio Verdes Mares, o Instituto AOCP descartou possibilidade de anular o concurso e negou as acusações feitas pelos candidatos. Sobre o lacre de pacote com as provas abertas, o órgão disse que a “fissura” no pacote se deu em decorrência do manejo e transporte.
“Após verificada a situação relatada, constatamos que em nenhum momento ocorreu o ‘vazamento’ do caderno de questões. O malote com os pacotes de provas foi aberto na coordenação, na presença de três candidatos que testemunharam o correto e seguro armazenamento do material, portanto, a fissura apresentada no pacote de caderno de questões da sala, de tamanho milimétrico, deve-se ao transporte e manejo do pacote, não sendo possível a retirada ou distribuição de nenhum caderno de questão, preservando desta forma, o material sigiloso ali armazenado”, disse o órgão em nota.
AOCP também esclarece que não houve falta de provas na aplicação. “Tanto é que todos os candidatos realizaram o concurso normalmente”, afirma a nota. O instituto ainda se manifestou sobre a provável troca das avaliações de enfermeiros e técnicos. “A afirmativa não procede. Recebemos este questionamento por e-mail e a banca elaboradora investigou a denúncia, contudo, as questões estão de acordo com o conteúdo programático”.
Em relação à questão apresentada pela presidente do Coren, sobre a Lei do Exercício Profissional, que aparece no caderno de técnico de enfermagem e que, segundo ela, possui duas respostas corretas; a organizadora do evento diz que analisará o caso. “Caso a questão esteja em desacordo com o disposto no Edital Normativo e seus anexos, após a conclusão da análise dos recursos, esta será anulada e a pontuação será atribuída a todos os candidatos, conforme descrito no Edital”, afirma a nota.
A Ebserh também foi procurada pela redação, para comentar os casos, mas instituição disse que “assuntos relacionados a aplicação de provas devem ser tratados diretamente com as bancas responsáveis pelos concursos, no caso do Ceará, com o Instituto AOCP”.
* Com Verdinha.com.br.
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