Execução de civis no Iraque reforça evidência de genocídio pelo Estado Islâmico

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Em 12/08/2014

Tempo de leitura: 11 minutos


Um vídeo que mostra integrantes do EI(Estado Islâmico) realizando uma execução sumária de ao menos 50 homens em Tikrit, no Iraque, reforça a acusação de que o grupo extremista cometeu atos que podem ser classificados como genocídio. O EI afirma ter criado um "califado" entre as áreas sob seu controle no Iraque e na Síria.

Foto divulgada no último sábado(14Agosto2014) pelo site jihadista Welayat Salahuddin mostra o que seria uma execução coletiva realizada por militantes do grupo rebelde Estado Islâmico do Iraque e do Levante em uma área ainda não identificada do Iraque.

As imagens, divulgadas no YouTube, teriam sido gravadas supostamente no fim de julho, data que marcou o fim do Ramadã(mês de jejum do calendário muçulmano). Embora sua autoria não seja comprovada, as vestimentas das vítimas e dos atacantes levam a crer que se trate de uma das execuções sumárias do EI.



Militantes do EILL(Estado Islâmico do Iraque e do Levante) participam de parada e agitam bandeiras do movimento na província de Raqqa, no norte do Iraque. O grupo é formado por rebeldes sunitas, que se apresentam como herdeiros de um regime que existiu da época do profeta Maomé até um século atrás. Eles celebraram o anúncio de um califa, um sucessor da autoridade política do profeta Maomé.

No vídeo de 36 minutos, um grupo de cerca de 50 prisioneiros é transportado na caçamba de um caminhão. Acredita-se que sejam jovens muçulmanos xiitas e, em sua maioria, civis – nas imagens, é possível ver que apenas alguns dos homens vestem calças da farda do Exército iraquiano.

Integrante do EILL(Estado Islâmico do Iraque e do Levante) comemora enquanto participa de parada na província de Raqqa, no norte do Iraque. Hoje, ele celebrara o anúncio de um califa, um sucessor da autoridade política do profeta Maomé. O EILL é formado por rebeldes sunitas, que se apresentam como herdeiros de um regime que existiu da época do profeta Maomé até um século atrás.

Em seguida a um corte na cena, dezenas de homens aparecem deitados no chão com as mãos amarradas nas costas dentro de uma vala, aguardando execução sumária. Em seguida, eles são assassinados a tiros. As mortes teriam ocorrido em Tikrit, cidade natal de Saddam Hussein, ex-ditador do Iraque, morto em 2006.

Imagem divulgada pela grupo jihadista Estado Islâmico do Iraque e do Levante mostra militantes em local não divulgado na província de Nínive. Militantes tomaram controle da cidade de Tikrit e libertaram centenas de prisioneiros.

Em outras cenas, centenas de homens aparecem sentados com as mãos amarradas. Eles sobem uma escada ensanguentada em direção a um pequeno cais. Vendados, são mortos um a um com tiros na cabeça.

Após discussões, sunitas e curdos abandonaram a primeira sessão porque os xiitas não apontaram um nome para substituir o primeiro-ministro Nuri al-Maliki, eliminando as esperanças de que um governo de unidade seria formado rapidamente para evitar a fragmentação do Iraque. O país tem sofrido uma ofensiva de militantes islâmicos sunitas, que declararam um "califado" para governar todos os muçulmanos do mundo.

O grupo jihadista EI controla vastas áreas entre a Síria e o Iraque e recentemente anunciou a criação de um califado nas regiões sob seu poder. Nessas zonas, todos são obrigados a seguir a lei islâmica(sharia), e grupos como os yazidis, os curdos, xiitas e até sunitas moderados estão sendo perseguidos e mortos.

Ataques a minorias
A Liga Árabe condenou nesta segunda-feira(11Agosto2014) com firmeza "os crimes contra a humanidade" supostamente cometidos pelo EI contra cristãos e yazidis iraquianos, pedindo que os culpados sejam julgados perante a justiça internacional.

Iraquianos deslocados pelo conflito em curso no país chegam na cidade iraquiana Kirkuk, controlada pelos curdos. Militantes do Estado Islâmico ampliaram as conquistas no norte do país, tomando mais cidades e fortalecendo sua posição próximo à região curda, em uma ofensiva que tem preocupado o governo de Bagdá e potências regionais.

Em comunicado, o secretário-geral da organização pan-árabe, Nabil al Araby, lembrou que há relatórios que indicam que os jihadistas assassinaram mais de 500 yazidis – algumas vítimas foram enterradas vivas – e expulsaram dezenas de milhares de seus lares.

Deslocados iraquianos da comunidade yazidi atravessam a fronteira entre Iraque e Síria. O grupo decidiu voltar ao Iraque após os ataques aéreos dos EUA contra a organização Estado Islâmico.

Um representante da minoria curda do Iraque também afirmou, em entrevista à "CNN", que o EI "está promovendo um genocídio contra o seu povo". Os curdos se tornaram alvo dos radicais durante o seu avanço rumo ao norte do país, onde fica o Curdistão iraquiano.

Iraquianos fogem da violência para acampamento temporário em Irbil, no Curdistão. Milhares de pessoas de Mossul depois de a cidade ter sido invadida por jihadistas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Nesta segunda-feira(11Agosto2014), o EI crucificou duas pessoas e executou outras 23 no leste da Síria, em uma região onde enfrentava resistência à sua ocupação, segundo informações do O Observatório Síria para Direitos Humanos.

Acampamento de refugiados iraquianos perto de Irbil, no norte do país. Segundo autoridades do governo, militantes sunitas conquistaram dois postos, um na fronteira com a Jordânia e outro na fronteira com a Síria.

Já em al-Shaafa, uma cidade às margens do rio Eufrates, o EI decapitou dois homens do clã al-Sheitaat no domingo, disse o Observatório, e deu aos residentes da cidade 12 horas nesta segunda-feira para que entregassem outros membros da tribo.

Forças de segurança do Iraque preparam canhões de artilharia para enfrentar insurgentes sunitas liderados pelo grupo Estado Islâmico do Iraque e Levante, na cidade Jurf al-Sakhar. Desde o início do mês, os rebeldes separatistas iniciaram uma forte ofensiva e tomaram cidades importantes do país como Mossul.

Entenda a violência no Iraque

O que está acontecendo?
Desde que as tropas americanas saíram do Iraque, em 2011, o grupo islâmico EI vem rapidamente ocupando cidades do país. Desde 6 de junho, já tomou Mosul, segunda maior cidade e bastião da resistência à ocupação dos EUA e aliados, e partes de Tikrit, cidade de Saddam Hussein próxima da capital Bagdá. Desde então, cerca de 500 mil pessoas fugiram da região.

Voluntários formam fila para recolher uniformes. Na sequencia, voluntários experimentam uniformes após um discurso do primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, que anunciou que o governo irá armar e equipar os civis que se voluntariaram para lutar contra militantes jihadistas, na cidade de Karbala.

Quem está atacando?
O EI(Estado Islâmico), um grupo islamita sunita que declarou ter criado um califado nas áreas sob o seu controle no Iraque e no Levante(parte de Síria e Líbano). Seu principal líder foi Abu Musab al-Zarqawi, morto em 2006. Hoje a liderança tem vários nomes, mas o principal é Abu Bakr al-Baghdadi. Surgiu da união de grupos que lutaram contra a ocupação do Iraque pelos EUA.

Ibrahim Awwad Ibrahim Ali al-Badri al-Samarrai foto acima -, conhecido anteriormente como Dr. Ibrahim e Abu Dua, comumente conhecido pelo nome de guerra Abu Bakr al-Baghdadi e que tenta se afirmar como um descendente do Profeta Maomé, mais recentemente como Abu Bakr Al-Baghdadi Al-Husseini Al-Qurashi e agora como Amir al-Mu’minin Califa Abrahim, sendo nomeado o Califa – chefe de estado e monarca absoluto teocrático – do auto-proclamado Estado Islâmico localizado no oeste do Iraque e nordeste da Síria, e o ex-líder do Estado Islâmico do Iraque e do Levante(EIIL), alternativamente traduzido como o Estado Islâmico do Iraque e da Síria.

Em 4 de outubro de 2011, o Departamento de Estado dos Estados Unidos listou al-Baghdadi como um terrorista internacional procurado e anunciou uma recompensa de 10 milhões de dólares por informações que levem à sua captura ou morte. Apenas Ayman al-Zawahirifoto abaixo -, chefe da organização terrorista al-Qaeda, merece uma recompensa maior(25 milhões de dólares).

O que é um califado?
É uma forma de governo centrada na figura do califa, que seria um sucessor da autoridade política do profeta Maomé, com atribuições de chefe de Estado e líder político do mundo islâmico. O Estado, que seguiria rigorosamente a lei do Islã, compreenderia a região entre o mar Mediterrâneo e o rio Tigre.

Homens se alistam como voluntários do Exército iraquiano em Bagdá. Governo pediu ajuda à população para combater os insurgentes islâmicos que controlam todos os postos de fronteira com a Síria e a Jordânia, e dizem controlar totalmente a principal refinaria de petróleo, em Baiji, ao norte de Bagdá.

Qual o tamanho do confronto?
O governo, que tem forte apoio xiita, perdeu o controle de grande parte de norte e oeste do Iraque, e agora pede que civis peguem em armas para lutar contra a milícia. O Exército de 930 mil integrantes, que, em tese, seria suficiente para derrotar o grupo, não conseguiu barrar o EI em outras cidades já tomadas. Até agora, mais de 5.500 iraquianos foram mortos só neste ano, segundo a ONU.

Insurgentes sunitas, de maioria turcomana, levantam suas armas durante um anúncio que proclamou a formação de um sistema de defesa para proteger a área controlada na cidade de Kirkuk(a 290 quilômetros ao norte de Bagdá). A cidade de Tal Afar, com uma população de cerca de 200.000 pessoas, foi tomada pouco antes do amanhecer.

Qual a força do EI?
O grupo, que recebe grandes doações ocultas de dinheiro, tem milhares de militantes, inclusive "jihadistas" americanos e europeus, e se aproveita da disputa entre o governo de Maliki, apoiado pelos xiitas, e a minoria sunita para conquistar espaço. Acredita-se que seja patrocinado por governos da região. Embora seja considerado um braço da Al-Qaeda, se rebelou e foi expulso pelo líder Al-Zawahiri.

Homens lotam caminhões militares para se juntarem ao Exército iraquiano no principal centro de recrutamento em Bagdá.

Voluntários se juntam ao Exército iraquiano para combater os insurgentes islamitas, que tomaram Mossul e outras cidades do país.

Membros das forças de segurança iraquianas patrulham área próxima à divisa entre as províncias de Karbala e Anbar, nesta segunda-feira(16Agosto2014). Os Estados Unidos afirmaram que poderiam fazer ataques aéreos e atuar em conjunto com o Irã para apoiar o governo iraquiano, após onda de violência protagonizada por insurgentes sunitas.

O Iraque pode se dividir?
Apesar de o governo central de Bagdá ainda controlar oficialmente as províncias do país, é possível que haja a fragmentação em ao menos três territórios. Isso porque a divisão do Iraque entre árabes sunitas, xiitas e curdos já está bem avançada

* Com agências.



A CNN filmou o resgate de civis da minoria yazidi em fuga ao terror do Estado Islâmico. Homens, mulheres e crianças foram salvos por um helicóptero do governo central iraquiano durante uma missão nas montanhas do nordeste.





Confira o vídeo:






 


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