Jornal Correio da Paraí­ba fecha e anuncia demissão coletiva

Em 03/04/2020

Tempo de leitura: 2 minutos


Com 66 anos de existência, o Jornal Correio da Paraíba vai encerrar as atividades neste sábado, 4 de abril. A informação deverá ser publicada na capa do impresso. O motivo do fechamento do Correio será alegado como uma decorrência da crise gerada pela pandemia de Coronavírus, mas, o fim do jornal já era especulado desde abril de 2016 quando o Jornal da Paraíba, da Rede Paraíba de Comunicação, deixou de circular. O Norte havia parado em fevereiro de 2012, junto com o Diário da Borborema que integrava o mesmo grupo: Associados Paraíba.

Na redação do Correio, o clima é de ansiedade. O superintendente Alexandre Jubert deve informar a decisão aos funcionários no fim da tarde. Um comunicado impresso foi distribuído aos colaboradores e confirma a demissão coletiva.


História
Fundado por Teotônio Neto, o jornal Correio da Paraíba iniciou suas atividades no dia 5 de agosto de 1953, mesmo dia em que a capital da Paraíba comemorava seu aniversário de 368 anos.

A ideia de produzir um novo jornal para os paraibanos nasceu à borda de uma piscina de um hotel situado a aproximadamente 18 quilômetros de Petrópolis, no Rio de Janeiro. Os parentes Teotônio Neto e Afonso Pereira cultivavam uma ótima relação e, partir de então, reforçariam ainda mais essa união para tentar produzir o melhor jornal que a Paraíba já teve.

Tenho uma grande paixão pelo Correio da Paraíba, sou leitor também dos outros jornais, mas o Correio tem um lugar de destaque na minha mesa. Quando eu vejo o povo lendo o Correio, uma emoção muito grande me domina de satisfação e alegria. Fico feliz em saber que o Correio vem sendo sucesso na Paraíba”, declarou Teotônio Neto.

Uma das primeiras figuras procuradas por Teotônio Neto para elaborar o Correio da Paraíba foi o escritor Ascendino Leite. Ele hesitou no começo, mas depois abraçou a causa por causa da insistência de Teotônio. Para que o projeto pudesse sair do papel, Ascendino pediu ao jornalista paulista Samuel Wainer uma indicação de diagramador para desenvolver o projeto gráfico. Ao ligar para o colega, Wainer disse: “Só tem aqui o Nássara”.

A primeira manchete do jornal, que dizia “Luto e silêncio na cidade serrana” noticiou a morte do político e jornalista Félix Araújo, em Campina Grande. Conforme noticiou a reportagem, 50 mil pessoas participaram do velório do paraibano, que nasceu em Cabaceiras, mas ganhou notoriedade na Rainha da Borborema.

Nos dias seguintes, jornais da época comentaram o aparecimento do Correio da Paraíba: ‘O Norte’ e ‘A União’ dedicaram artigos sobre o novo periódico. No Rio de Janeiro, também recebeu homenagens do Diário Carioca. Em Pernambuco, também foi repercutido pelo Diário de Pernambuco.

Ao longo da história do jornal, o time da redação foi composto por profissionais notáveis, como Biu Ramos, Gonzaga Rodrigues, Soares Madruga, Dorgival Terceiro Neto(ex-governador e ex-prefeito de João Pessoa), Luiz Augusto Crispim, Luiz Ferreira, Carlos Roberto de Oliveira, João Manoel de Carvalho, Agnaldo Almeida, Dulcídio Moreira, entre outros.