Estudante de medicina é presa suspeita de fraudar provas do vestibular

Em 02/09/2020

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Uma investigação empreendida pela Polícia Civil do Estado de São Paulo, denominada de Operação Asclépio, que apura possíveis fraudes cometidas em exames vestibulares em oito Estados brasileiros, ocasionou a vinda de agentes para a Paraíba, especificamente em Campina Grande, para cumprir um mandado de prisão contra uma jovem estudante do curso de medicina, de 23 anos, que supostamente faria parte de um grupo que realizava essas fraudes em vestibulares para aprovação no curso de medicina.

A segunda fase da Operação Asclépio foi deflagrada pela Polícia Civil em Assis (SP). Na Paraíba a operação teve início nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira (02Setembro2020), com foco nos alvos estão sendo investigados em Campina Grande (PB), com o apoio da Polícia Civil paraibana, aos policiais paulistas que estão realizando a operação.

São cumpridos 22 mandados de busca e 12 de prisão temporária em cidades dos Estados de São Paulo, Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba e em Minas Gerais.

Segundo informações do delegado da Polícia Civil paulista Ramon Euclides Guarnieri Pedrão, a fraude ocorria quando candidatos procuravam o grupo para a compra de vagas em vestibulares de medicina, oportunidade em que o suposto candidato pagava uma quantia que variava de R$ 80.000,00 até R$ 120.000,00 mil reais e uma pessoa escalada pelo grupo, que tinha conhecimento e experiencia no tipo específico de prova, realizava o vestibular no lugar do candidato, portando documentos falsos, buscando a aprovação.

Ainda de acordo com o delegado Guarnieri Pedrão, as investigações apontam para uma estimativa de pelo menos 70 pessoas que já teriam se beneficiado com a ação criminosa, restando constatado nas investigações, até o presente momento que nenhuma das faculdades tem conhecimento e nem envolvimento com as fraudes.

Na manhã desta terça-feira (02Setembro2020) os policiais mediante mandado de prisão, localizaram e efetuaram a prisão da jovem estudante que cursa o último período de medicina, suspeita de fraudar provas no vestibular de medicina. De acordo com informações, ela receberia até R$ 15 mil por candidato que se interessava pela fraude. Ao todo 11 pessoas teriam sido beneficiadas pelo esquema em solo paraibano.

Investigações

As investigações começaram em 2017 após uma denúncia da Fundação Educacional do Município de Assis (FEMA), que foi informada pela Vunesp, empresa responsável pelo vestibular para ingresso no curso de medicina, que as impressões digitais de cinco candidatos inscritos no vestibular apresentavam inconsistências.

A partir disso, a Polícia Civil realizou, em abril de 2019, a primeira fase da operação que prendeu 17 pessoas envolvidas no esquema.

Dinheiro, celulares, cheques e documentos apreendidos em Presidente Prudente (SP)

Durante as investigações, a polícia apurou que a fraude no vestibular consistiu na realização da prova por terceiras pessoas, que se identificaram como os verdadeiros candidatos, denominados pela quadrilha como “pilotos” –  pessoas que faziam as provas no lugar dos candidatos.

Eles assinaram as listas de presença e as folhas de respostas, assim como tiveram coletadas suas impressões digitais e captadas suas imagens durante a realização da prova do vestibular. Com isso, os investigadores passaram a trabalhar para identificar os “pilotos”.

Os mandados contra o grupo são cumpridos nesta quarta-feira (02Setembro2020) nas cidades de São Paulo (SP), Ribeirão Preto (SP), Natal e Mossoró (RN), Juazeiro do Norte (CE), Campina Grande (PB) e Montes Claros (MG).

Grupo movimentou R$ 5 milhões

O responsável por articular o esquema foi preso na primeira fase da operação, em abril de 2019.

Segundo a Polícia Civil, as investigações identificaram que o suspeito, que morava em Presidente Prudente, vendia as vagas para os cursos de medicina e também as transferências de alunos para outras faculdades.

Além dele, foram presas outras 16 pessoas envolvidas no esquema na primeira fase. O valor cobrado por vaga seria de R$ 80 mil a R$ 120 mil por estudante. Segundo as investigações, a quadrilha teria movimentado R$ 5 milhões em seis meses.

A operação recebeu o nome de Asclépio, que é o deus da medicina e da cura na mitologia grega e romana. As pessoas que compraram as vagas e que não efetivaram a prova de ingresso ou que não efetivaram verdadeiramente a prova de transferência ou cumpriram os requisitos vão responder por crime de falsidade. Ou falsidade de documento público, falsidade de documento material ou falsidade ideológica.


Tags: Campina Grande PB, Fraude vestibular medicina, Operação Asclépio, Prisão estudante medicina

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