Cristão é condenado à morte por blasfêmia no Paquistão

Em 09/09/2020

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Um homem cristão chamado Asif Pervaiz, de 37 anos, pai de 4 filhos, que está preso desde 2013, foi condenado à morte no Paquistão nesta terça-feira (08Setembro2020). Ele foi considerado culpado de transmitir mensagens com “conteúdo blasfemo”.

O tribunal decidiu que Pervaiz cumpriria primeiro uma pena de prisão de três anos por uso indevido de telefone, seria multado em 50.000 rúpias (US $ 300) e “enforcado pelo pescoço até a morte“. O advogado de Pervaiz, que está preso no país há sete anos, negou as acusações apresentadas.

Segundo relato do advogado, Saif-ul-Malook, no site da fundação Help Persecuted Christians (HVC), Asif Pervaiz trabalhava em uma fábrica de tecidos. A acusação que provocou o julgamento é de que Asif teria insultado o Islã, o Alcorão e o Profeta Muhammad.Ele teria feito isso enviando mensagens de texto blasfemas para seu supervisor pelo celular, mas o réu alega que havia perdido o aparelho na fábrica, relata a HVC.

Sabe-se que a rígida lei da blasfêmia – que prevê a pena de morte para insultos ao islão, ao Profeta ou ao Corão – é muitas vezes instrumentalizada, com pessoas a apresentarem queixas (frequentemente contra membros de minorias religiosas) por disputas pessoais, com acusações falsas, difíceis de provar mas também de desmentir.Segundo o defensor de Pervaiz, Saif ul Malook, o condenado disse que seu chefe tentou convertê-lo ao islamismo, que é a religião oficial do país asiático. Os textos foram enviados por colegas seus muçulmanos, com quem conversou sobre o pagamento de salários.

Malook disse que irá apelar da decisão em instâncias superiores. Entretanto, ele diz que o processo pode demorar anos por conta da saturação do sistema judicial do país.A blasfêmia é um assunto muito sensível no Paquistão, onde acusações sem provas de ofensas ao islã acabam em assassinatos e linchamentos. Insultar o Profeta é punível com a morte no Paquistão.

De acordo com dados da Comissão Internacional Norte-Americana para Liberdade Religiosa, 80 pessoas estão presas por blasfêmia no Paquistão. Mais da metade já foi condenada à prisão perpétua ou à pena de morte. Até o momento nenhum condenado por blasfêmia teve a pena executada.


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