Covid-19. Mortes na Europa podem ser cinco vezes mais do que em Abril

Em 16/10/2020

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Director regional da OMS para a Europa alerta que a covid-19 é agora a quinta principal causa de morte em território europeu e que a situação pode piorar. Porém, restrições mais severas impostas por alguns países podem salvar vidas.

O número diário de mortes por covid-19 na Europa pode vir a atingir, nos próximos meses, o quadruplo ou quíntuplo das registadas durante o pico da pandemia em Abril, caso não sejam adoptadas medidas de prevenção eficazes, alertou a Organização Mundial de Saúde (OMS) no dia em que nove países europeus – República Checa, Polónia, Alemanha, Áustria, Itália, Croácia, Eslováquia, Eslovénia e Bósnia-Herzegovina – registaram números recorde de novos casos de infecção.

O Diretor regional da OMS para a Europa, Hans Kluge, destacou esta quinta-feira (10Outubro2020), em conferência de imprensa, que a Europa registou a pior semana em termos de novos casos de infecção à medida que o novo Coronavírus se começa a espalhar novamente pelo continente europeu.

A evolução da situação epidemiológica na Europa suscita uma grande preocupação: os casos diários estão a aumentar, as hospitalizações estão a subir e a covid-19 é agora a quinta (principal) causa de morte” na região, disse Hans Kluge, salientando que atualmente a doença mata mais de mil pessoas por dia em território europeu, cita o diário The Guardian.

Porém, o representante da OMS salienta que há esperança, uma vez que a atual situação não se assemelha ainda à primeira vaga da covid-19 e que medidas mais rígidas implementadas por vários países europeus esta semana poderão salvar milhares de vidas.

É hora de dar um passo em frente. A mensagem para os governos é: não se deixem ficar para trás com ações relativamente pequenas para evitar as ações dolorosas e danosas que vimos na primeira vaga”, afirmou, citado pela BBC.

120 mil casos em 24 horas

Estamos a registar duas a três vezes mais casos por dia comparativamente a Abril, mas cinco vezes menos mortes”, referiu Kluge, acrescentando que as hospitalizações não estão a subir a um ritmo tão alarmante em comparação com o pico da pandemia. “A pandemia hoje não é a pandemia de ontem – não apenas em termos da sua dinâmica de transmissão, mas também na forma como estamos agora preparados para a enfrentar”, notou.

Segundo Kluge, os casos confirmados de infecção nos 53 estados-membros europeus da OMS aumentaram de seis milhões para mais de sete milhões em dez dias, tendo-se registado números recorde a 9 e 10 de Outubro – dias em que os aumentos diários do conjunto de países excederam os 120 mil casos pela primeira vez.

No entanto, o especialista admite que o aumento dos infectados poderá estar parcialmente relacionado com uma maior testagem. Por outro lado, o facto de se estar a observar uma maior transmissão entre jovens e pessoas menos vulneráveis e a maior capacidade dos hospitais para lidarem com casos de doença severa poderá estar a contribuir para uma menor taxa de mortalidade.

Não obstante, há uma possibilidade “realista” de a pandemia piorar drasticamente, caso o novo Coronavírus volte a afetar maioritariamente os mais idosos e as pessoas de grupos etários mais vulneráveis “em resultado de contatos sociais mais intensos entre as gerações”.


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