Vítima de estupro coletivo dá detalhes da participação de Robinho em crime

Em 18/10/2020

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A mulher albanesa que afirma ter sido estuprada por Robinho, contou na reconstituição que já conhecia o atleta e que a esposa dele estava na boate Sio Café no dia do estupro coletivo.

A jovem relata que conheceu Robinho em 2011 em outra casa de shows de Milão e logo no primeiro encontro, ele fez questão de fazê-la tocar em seu abdômen. No segundo, eles dançavam em uma festa e de repente ele se excedeu e tentou lamber o seio dela, mas até então, ela achou que ele estava apenas “investindo” forte nela.

Ela não relata se continuou mantendo contato frequente com ele, mas diz que no dia 21 de janeiro de 2013, data em que completava 23 anos, foi ao Sio Café à convite de um amigo de Robinho.

Naquela noite todo o repertório era voltado para a musica brasileira e chamou outras duas amigas para acompanhá-la. Chegando lá, viu que o jogador estava com a esposa e outros quatro amigos.

Ela foi avisada por um deles para não se aproximar enquanto a mulher de Robinho não fosse embora. Não demorou muito para que ela saísse e a albanesa e se juntou ao grupo com amigas.

Um outro amigos dos brasileiros chegou e também sentou com eles. Os homens começaram a pedir bastante bebida e oferecem às moças, mas uma estava grávida e outra iria dirigir, por isso, recusaram. A jovem foi estimulada pelo grupo a consumir e depois de algum tempo ficou completamente embriagada.

Ela foi dançar com um dos envolvidos que ainda tentou beijá-la, mas a mulher passou mal e foi levada para fora da boate. Em seguida, o acompanhante a levou para o camarim do músico Jairo Chagas, muito conhecido no país.

Lá o acusado seguiu com os assédios mesmo vendo que ela sequer conseguia ficar de pé. A moça conta que lembra de ter ficado sozinha no camarim por alguns minutos e em seguida, chegou Robinho junto com o amigo.

Segundo a vítima os dois mantiveram relações com ela (oral e penetração), ela chegou a ouvir o jogador pedindo uma camisinha e pouco depois ela “apagou”. Um tempo depois, ao acordar, ela se viu cercada pelos homens e percebeu que havia sido estuprada por eles.  Ela se desesperou, chorou e chegou a ser consolada por um dos estupradores. Em seguida foi levada do local pelo grupo no carro de Robinho. Em determinado trecho do caminho, foi transferida para o carro de Ricardo Falco, também envolvido no caso.

Dias depois, a mulher entrou em contato com um dos amigos por mensagens e avisou que ia procurar a polícia. Depois disso, os amigos chegaram a combinar versões que dariam em depoimento para desacreditá-la.

Para a Justiça, as escutas deixaram bem claro que a jovem foi induzida a beber e foi violentada de várias formas. Robinho foi condenado a 9 anos em primeira instância, mas ainda pode recorrer em duas, por isso permanece solto.

Trechos das ligações Telefônicas

Trechos de interceptações telefônicas e escutas instaladas pela Justiça italiana no carro de Robinho em 2014, revelaram detalhes do dia em que uma jovem albanesa teria sido estuprada pelo jogador e por outros cinco amigos dele.

Nas conversas, os envolvidos (parte deles não tiveram o nome revelados por estarem sendo processados à parte), relatam o estado da vítima, falam sobre a ação de cada um durante o crime e da denúncia da vítima dias depois do estupro coletivo.

Em uma parte da transcrição usada no processo, Ricardo Falco, um dos amigos envolvidos dispara durante conversa com Robinho: “Ela se lembra da situação. Ela sabe que todos transaram com ela”.

O jogador não parece preocupado e afirma: “O (acusado 1), tenho certeza que gozou dentro dela”.

Ricardo continua e se refere a vítima afirmado: “Naquele dia ela não conseguia fazer nada, nem mesmo ficar em pé, ela estava realmente fora de si”.

Já em um diálogo por telefone com o músico Jairo Chagas, que tocava na boate no dia estupro e cedeu o camarote onde tudo aconteceu, o atleta debocha ao saber que a jovem denunciou o caso: “Estou rindo porque não estou nem aí, a mulher estava completamente bêbada, não sabe nem o que aconteceu”.

Robinho ainda joga a culpa apenas nos amigos e diz que está tranquilo porque não tocou nela: “Olha, os caras estão na merda… Ainda bem que existe Deus, porque eu nem toquei aquela garota. Vi (acusado 2), e os outros fo***** ela, eles vão ter problemas, não eu… Lembro que os caras que pegaram ela foram (acusado 1) e (acusado 2)…. Eram cinco em cima dela”, declara.

A conversa continua e o músico questiona: “Mas você também transou com a mulher?”. Robinho rebate e diz que apenas tentou, mas Jairo entrega um detalhe importante: “Eu te vi quando colocava o pênis dentro da boca dela”. O jogador não nega e diz apenas que “isso não significa transar”.

Em nova conversa, já com outro amigo, o homem avisa que está com medo do resultado do processo e que teme por Robinho, mas ele faz pouco novamente: “Telefonei a (acusado 3), e ele me perguntou se alguém tinha gozado dentro da mulher e se ela engravidou. Eu disse que não sabia, porque me recordo que eu e você não transamos com ela porque o seu pênis não subia, era mole… O problema é que a moça disse que (acusado 1), (acusado 2) e (acusado 3) a pegaram com força”.

Junto a essas provas, a Justiça também analisou o depoimento da vítima que se encaixou exatamente nos áudios trocados entre os amigos. A albanesa contou em juízo que tem apenas flashes da noite do estupro, mas um deles: “Acredito que no início estivesse fazendo sexo oral em (acusado 3), e Robinho aproveitava de mim de outro modo, e depois eles trocaram de papel, dali não me recordo mais nada porque me encontrei rodeada pelos rapazes, não sabia o que acontecia“.

Todas as transcrições foram fundamentais para a condenação do jogador a 9 anos de prisão, ele recorreu da decisão em segunda instância. O processo dos amigos correm à parte por que ele saíram do país durante o processo.


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