Putin volta a fazer ameaça sobre o uso de míssil nuclear hipersônico

Em 24/02/2023

Tempo de leitura: 7 minutos

Insatisfeito com o apoio que países ricos estão dando para a Ucrânia, líder russo volta a fazer ameaças nucleares contra o Ocidente. 1º ano da guerra consolida nova ordem mundial. Conflito completa um ano hoje, movida por R$ 2,5 bilhões dos EUA e ‘ameaça’ nuclear.

 

Na véspera do aniversário de primeiro ano da Guerra da Ucrânia, o presidente russo, Vladimir Putin, voltou a fazer ameaças nucleares contra o Ocidente ao prometer a entrada em serviço de um novo míssil, dois dias depois de suspender a participação de seu país no último tratado de controle dessas armas.

O míssil hipersônico Kinzhal  que significa “adaga”, pode ser bem mais letal. A arma apresenta configurações ainda mais potentes do que outros mísseis hipersônicos, sendo capaz de alcançar uma velocidade de até 12.350 km/h, com alcance de 2.000 km. O Kinzhal tem 8 metros de comprimento e pode transportar uma ogiva nuclear, sendo transportado em caças russos do tipo MiG-31K.

O líder também disse que “dará atenção à tríade nuclear”, jargão para os três meios de emprego de ogivas nucleares: mísseis em solo, bombardeiros e submarinos. E anunciou a produção em massa de 2 dos 3 modelos hipersônicos que já tem em operação, o Kinzjal (lançado de caças) e o Tsirkon (usado em navios).

Caça Mikoyan MiG-31K com mísseis hipersônicos Kinzhal.

Com efeito, a primeira fragata russa equipada com o Tsirkon, a Almirante Gorchkov, aportou na quarta (22) na África do Sul para exercícios conjuntos com a Marinha local e com navios da aliada China, algo que não passou despercebido em Washington.

O míssil russo hipersônico de cruzeiro Tsirkon foi concebido como um míssil antinavio, ou seja, para percorrer longas distâncias, guiado, de modo a atingir embarcações, mas também pode acertar alvos em terra. Pode manobrar no ar, escapando de defesas antiaéreas; alcançou nove vezes a velocidade do som (11 mil km/h) em testes.

Testes com míssil russo hipersônico de cruzeiro Tsirkon começaram em outubro de 2020. Tem um alcance máximo de cerca de mil quilômetros. Segundo especialistas militares russos, o míssil pode levar 300 kg de explosivos ou uma bomba atômica de 200 kt (pouco mais de dez vezes mais potente que a de Hiroshima).

O anúncio, feito em mensagem pelo Dia do Defensor da Pátria na Rússia, deve ser lido no contexto do contencioso com Estados Unidos e seus aliados em especial acerca do novo míssil, já que há dúvidas técnicas acerca da capacidade russa de introduzir em grande quantidade no seu arsenal o RS-28 Sarmat, conhecido como Satã-2 no Ocidente.

Rússia diz que o ICBM RS-28 Sarmat (Satan II), tem “alcance ilimitado”.

O modelo é uma das “armas invencíveis” anunciadas por Putin em 2018. É o mais avançado modelo intercontinental do mundo, podendo levar de 10 a 15 ogivas nucleares ou 24 planadores hipersônicos Avangard, também com cargas atômicas, a alvos até 18 mil km distantes. Ele já foi testado com sucesso, mas há fortes indícios de que um ensaio nesta semana fracassou.

A Rússia havia emitido uma notificação de aeronavegabilidade informando a trajetória de um lançamento de foguete da base de Plesetsk (noroeste do país) até o campo de provas de Kura, em Kamtchatka (extremo oriente, a mais de 6.000 km de distância).

Era o desenho clássico de um teste de míssil intercontinental, previsto para qualquer momento do dia 17 ao 22.

Nada aconteceu, e a rede americana CNN disse que o Sarmat foi lançado na segunda (20Fevereiro2023), quando o presidente Joe Biden fazia sua histórica visita a Kiev, mas falhou quando seu segundo estágio se separou.

Aliança militar ocidental demonstra sua hostilidade contra a Rússia diariamente, diz o russo Dmitry Peskov, porta-voz do presidente Vladimir Putin.

A mesma história sobre o fato foi contada por um analista militar moscovita especialista em forças nucleares, que pediu anonimato.

Questionado sobre o tema, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que o assunto era do Ministério da Defesa – que não fez comentários.

Esta arma tem 35,3 metros de comprimento e pesa 220 toneladas. O míssil nuclear RS-28 Sarmat (Satan II) pode transportar até 15 ogivas nucleares e tem um alcance estimado entre 10.000 a 18.000 km. Um único míssil pode atingir uma série de alvos num só disparo.

Seja como for, falhas em testes ocorrem e o Sarmat é uma realidade que serve à agressiva retórica de Putin ante o Ocidente, com quem o russo diz já estar numa guerra por procuração na Ucrânia.

Até janeiro, Kiev recebeu o equivalente a dez vezes seu orçamento de defesa em ajuda militar, a maior parte dos EUA.

Na terça-feira (21Fevereiro2023), Putin anunciou em discurso sobre o Estado da União ao Parlamento que havia suspendido a participação russa no Novo Start, o último dos tratados de controle de armas em vigor – os outros dois foram enterrados pelo governo Donald Trump.

O Presidente da Rússia Vladimir Putin ameaçou utilizar o míssil nuclear RS-28 Sarmat (Satan II). Este míssil pode chegar ao Reino Unido em três minutos.

Na prática, isso significa o fim de inspeções mútuas e trocas de documentos que já estavam travadas devido à guerra. Os russos dizem que vão respeitar a limitação de ogivas estratégicas operacionais (1.550 para cada lado) e meios de emprego previstos no tratado até sua expiração, em 2026.

Isso tem um motivo, segundo o analista russo: Moscou não teria como aumentar imediatamente sua capacidade de emprego de armas nucleares, ao contrário dos EUA.

Putin tem um arsenal nominal maior do que o dos EUA, mas não há tantos mísseis capazes de carregar as ogivas em reserva.

O míssil nuclear balístico intercontinental russo designado de RS-28 Sarmat, foi apelido ‘Satanás II’ (Satan ll, em inglês) pela OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Seja como for, o fim do Novo Start, assinado em 2010 e em vigor desde 2012, irritou os EUA por um motivo adicional.

Sem um arcabouço pronto para negociações, a intenção de Washington de incluir a China em um futuro tratado fica ainda mais difícil – Pequim tem estimadas 320 ogivas operacionais, mas o Pentágono diz que em uma década poderá ter um nível semelhante ao russo e americano.

Vladimir Vladimirovitch Putin é o atual presidente da Rússia, além de haver servido como agente do KGB no departamento exterior e chefe dos serviços secretos soviético e russo, KGB e FSB, respectivamente.

Desde as vésperas da invasão, quando fez um grande exercício de forças estratégicas, Putin lança mão de ameaças nucleares para lembrar o Ocidente acerca de sua condição de potência no setor.

O discurso anunciando a guerra falou que interferências externas seriam punidas de forma inédita na história, um recado claro.

De lá para cá, houve testes de armas, inclusive um com o Sarmat, e muita saliva gasta por autoridades russas. De forma geral, o Ocidente tem sido cauteloso, aumentando o envio de armas a Kiev de forma escalonada.

O míssil russo RS-28 Sarmat (Satan II) tem mecanismos de defesa contra tentativas de desarmamento. 

De tempos em tempos, é especulado também que Putin poderia usar uma arma nuclear tática, de uso pontual contra tropas, na Ucrânia, mas o próprio presidente disse que isso seria inútil militarmente e politicamente.

A guerra, que o mundo acreditava que duraria poucas semanas, completará um ano na madrugada desta sexta (24Fevereiro2023).

Na frente de batalha, os russos seguem apertando o cerco a pontos no leste, principalmente as ruínas da cidade de Bakhmut, visando controlar as áreas em mãos ucranianas das regiões que Putin anexou ilegalmente em setembro.

O movimento ocorre desde o fim do ano passado, com avanços de Moscou, mas não decisivos, apesar da melhora da posição russa com a entrada em combate de parte dos 320 mil reservistas mobilizados entre setembro e outubro.

A guerra segue estagnada, sem nenhum dos lados ter perspectiva de derrotar completamente o outro.

 

(Folhapress)


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