Em 11/03/2023
A reabertura da embaixada e a dívida do país vizinho com o BNDES estão entre os assuntos tratados na reunião.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou o ex-chanceler Celso Luiz Nunes Amorim, assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, à Venezuela, em uma viagem “secreta” para tratar de vários assuntos com o país vizinho.
A reunião é mantida em segredo pelo Palácio do Planalto, uma vez que viagens internacionais de membros do governo são informadas com antecedência.

Presidente venezuelano se encontrou em Caracas com o chefe da assessoria especial da Presidência da República na 4ª feira (08Março2023).A missão foi organizada em sigilo, mas acabou revelada pelo ditador do país sul-americano em uma publicação nas redes sociais.
Um dos exemplos disso é o comunicado sobre a ida de Lula à China – a previsão é que ela ocorra no fim do mês, mas o Ministério das Relações Exteriores já informou a imprensa sobre a viagem.
Imagens do encontro de Amorim foram compartilhadas nas redes sociais pelo presidente ditador Nicolás Maduro Moros. “Grato encontro com a delegação da República Federativa do Brasil, encabeçada por Celso Amorim. Estamos comprometidos com a renovação de nossos acordos de união e solidariedade que garantem o crescimento e o bem-estar da Venezuela e do Brasil“, escreveu.
Sostuve un grato encuentro con la Delegación de la República Federativa de Brasil, encabezada por Celso Amorim. Estamos comprometidos con renovar nuestros mecanismos de unión y solidaridad que garanticen el crecimiento y bienestar de Venezuela y Brasil. pic.twitter.com/29M0AOClXF
— Nicolás Maduro (@NicolasMaduro) March 9, 2023
“Tive um agradável encontro com a Delegação da República Federativa do Brasil, chefiada por Celso Amorim. Estamos empenhados em renovar nossos acordos de união e solidariedade que garantam o crescimento e o bem-estar da Venezuela e do Brasil”, escreveu Maduro.
Diversos temas foram tratados no encontro entre Amorim e Maduro, entre eles estão a situação política na Venezuela, a reabertura da embaixada, a relação bilateral com o Brasil e a dívida do ditador com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O país deu calote em empréstimos concedidos pelo Banco brasileiro para obras de construtoras brasileiras envolvidas em casos de corrupção.
Dívidas da Venezuela e outras ditaduras com BNDES
Chamados de “amigos” por Lula, Venezuela, Moçambique e Cuba estão inadimplentes com o Brasil em relação aos empréstimos feitos com o BNDES. A dívida somada até dezembro de 2022 é de R$ 5,3 bilhões. A Venezuela é a maior devedora: R$ 3,5 bilhões. Depois vêm Cuba, com R$ 1,22 bilhão, e Moçambique, que deve R$ 628 milhões.
Durante a cerimônia de posse de Aloizio Mercadante à frente do banco, Lula afirmou ter certeza de que os valores serão pagos no atual governo “porque são todos países amigos do Brasil e certamente pagarão a dívida que têm com o BNDES“. O presidente da República culpou a gestão anterior por não ter cobrado o compromisso.
“Países que não pagaram (as dívidas) é porque o ex-presidente [Jair Bolsonaro] resolveu cortar a relação internacional e, para não cobrar e ficar nos acusando, deixou de cobrar“, disse à época Lula, que exigiu do novo presidente do BNDES a intensificação da atuação do banco de forma a contribuir com o crescimento econômico brasileiro.
Cerimônia de posse de Aloizio Mercadante na presidência do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), no auditório do edifício-sede do banco, no Rio de Janeiro (RJ).
O BNDES financiou serviços de engenharia de empresas brasileiras em nada menos que 15 países da América Latina e do Caribe, entre 1998 e 2017. Nessas operações, o banco desembolsa os recursos exclusivamente no Brasil, em reais, para a empresa brasileira, à medida em que as exportações vão sendo realizadas.
Quem fica com a dívida, contudo, é o país estrangeiro, porque ele é o responsável por fazer o pagamento, que deve ser acrescido de juros.
Agenda com a oposição venezuelana
Segundo fontes do Itamaraty, Amorim deve se encontrar ainda com representantes de mais duas correntes políticas de oposição. No entanto, assessores de Juan Guaidó, que tentou ocupar a Presidência do país, disseram que não sabiam da visita do brasileiro.
A Venezuela é uma ditadura e Maduro está no poder desde 2013, quando sucedeu seu padrinho Hugo Chávez. O chavismo comanda o país desde 1999 e foi aos poucos capturando as instituições e o sistema político.
Além das eleições do ano que vem, Amorim e Maduro trataram sobre a dívida de US$ 682 milhões da Venezuela com o Brasil. Durante o governo Jair Bolsonaro (PL), Brasil e Venezuela romperam relações diplomáticas, deixando os 20 mil brasileiros que vivem no país sem assistência. O governo de Luís Inácio Lula da Silva (PT) reabriu a embaixada no início do ano.
Deixe um comentário