Em 13/03/2023
O “santo padre” afirmou que a medida é temporária e que pode ser revista.
Às vésperas de completar dez anos de pontificado, o Papa Francisco concedeu uma entrevista que tem gerado grande repercussão entre os fieis e a própria Igreja Católica. Ao portal argentino Infobae, o papa disse que está disposto a rever o celibato na Igreja Católica.
“Não há nenhuma contradição em que um padre se possa casar. O celibato na Igreja ocidental é uma prescrição temporária. Não sei se se resolve de uma forma ou de outra, mas é provisória”, argumentou.
O celibato (estado do adulto que não é casado) é, até então, imposto aos sacerdotes da Igreja Católica, que deve se manter em relacionamento somente com Deus. Ou seja, padre, bispos e arcebispos não podem ter relacionamentos amorosos ou mesmo se casar.
O “santo padre” afirmou que a medida é temporária e que, sim, pode ser revista pela instituição católica. Ao ser questionado, o pontífice disse que não acredita que o fim da exigência do celibato a padres aumentaria o ingresso de pessoas no sacerdócio.
“O celibato na Igreja ocidental é uma prescrição temporária: não sei se está resolvido de uma forma ou de outra, mas é provisório nesse sentido; não é eterno como a ordenação sacerdotal, que é para sempre, goste você ou não“, afirmou.
Francisco também citou exemplos de igrejas católicas orientais, que segundo ele permite que seus sacerdotes se casem. “Todos da Igreja oriental são casados. Ou quem quiser. Lá eles fazem uma escolha antes da ordenação: há a opção de se casar ou ser celibatário“, disse.
O papa reconheceu durante a entrevista que o celibato “pode levar ao machismo” e também frisou a importância de ter mais mulheres nomeadas para cargos de responsabilidade no Vaticano.
Apesar da declaração, o pontífice não deu detalhes sobre uma eventual mudança da regra católica, nem mesmo se ela deve ser feita durante seu papado. Nesta segunda-feira (13Março2023), o papa completa dez anos à frente do Vaticano.
Dez anos de Pontificado de Francisco
“Perguntamo-nos como celebrar este aniversário nos meios de comunicação social do Vaticano, e dos nossos diálogos surgiu a ideia de não sermos nós a falar do Papa Francisco, mas de dar espaço ao que o seu testemunho e o seu Magistério suscitaram ou ajudam a crescer. Assim, escolhemos dar a palavra às testemunhas, nas mais diversas situações do mundo. Àqueles que todos os dias reconhecem o rosto do Nazareno no sofrimento, nos descartados, nos distantes“, lê-se no Editorial de Tornielli e Monda.
Na noite de 13 de março de 2013, Jorge Mario Bergoglio apareceu pela primeira vez na varanda central da Basílica de São Pedro vestido de branco. Juntamente com a homenagem afetuosa ao seu predecessor emérito, a sua saudação inicial já continha alguns traços salientes do pontificado: a ênfase em ser o Bispo de Roma, a Igreja «que preside na caridade a todas as Igrejas»; a centralidade do povo fiel de Deus ao qual o novo Pastor pediu uma bênção antes de a conceder; a oração por «uma grande fraternidade» no mundo dilacerado pela injustiça, violência e guerras. Nos dias que se seguiram, o Papa explicou o significado do nome que quis assumir, ligando-o ao sonho de «uma Igreja pobre e para os pobres»: Francisco de Assis, disse ele, é «o homem da pobreza, o homem da paz, o homem que ama e protege a criação». E alguns meses depois, em novembro do mesmo ano, o Papa publicou a exortação Evangelii gaudium, verdadeiro roadmap do pontificado, pedindo aos cristãos que testemunhem com a própria vida a alegria do Evangelho, para levar a toda parte, e em particular aos que mais sofrem, a proximidade e a ternura de um Deus que perdoa, acolhe, abraça.
Dez anos mais tarde, perguntamo-nos como celebrar este aniversário nos meios de comunicação social do Vaticano, e dos nossos diálogos surgiu a ideia de não sermos nós a falar do Papa Francisco, mas de dar espaço ao que o seu testemunho e o seu Magistério suscitaram ou ajudam a crescer. Assim, escolhemos dar a palavra às testemunhas, nas mais diversas situações do mundo. Àqueles que todos os dias reconhecem o rosto do Nazareno no sofrimento, nos descartados, nos distantes. Àqueles que contam pequenas grandes histórias que documentam o poder inerme do amor e o milagre do perdão em contextos de ódio ou indiferença. Cada uma delas descreve a reverberação de um dos temas principais do pontificado, compondo um mosaico que reacende a esperança. Uma esperança que é possível, apesar dos muitos sinais sombrios a que infelizmente assistimos, o primeiro dos quais é o risco cada vez mais concreto para a humanidade de se autodestruir.
Dar voz às testemunhas pareceu-nos a forma mais apropriada de nos sintonizar com o povo de Deus que ama Francisco e continua a rezar por ele. Aquele povo segue o Papa, e juntamente com ele dirige-se a Jesus com as palavras de Pedro, reconhecendo a fonte de esperança e salvação: «Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo».
Ad multos annos Santo Padre!
Vaticano – Cidade do Vaticano
Vaticano ou Cidade do Vaticano, oficialmente Estado da Cidade do Vaticano, é a sede da Igreja Católica e uma cidade-Estado soberana sem costa marítima, cujo território consiste de um enclave murado dentro da cidade de Roma, capital da Itália.
O Vaticano é considerado um “mini-estado”, devido a sua bem pequena extensão territorial. Com aproximadamente 44 hectares (0,44 km²) e com uma população estimada de 1.000 habitantes, é a menor entidade territorial do mundo administrada por um Estado. Na prática isso quer dizer que literalmente dá para andar pelo país inteiro em horas.
A divisão entre a cidade de Roma e o Estado do Vaticano é feita por um grande muro que cerca o território do Papa. Esse território não inclui apenas a Basílica e a Praça de São Pedro, a Capela Sistina e os Museus do Vaticano.
Apesar de pequeno, o Vaticano ainda engloba ruas com comércio local totalmente focado em artigos religiosos e restaurantes.
A Cidade do Vaticano é uma cidade-Estado que existe desde 1929. É distinta da Santa Sé, que remonta ao cristianismo primitivo sendo a principal sé episcopal de 1,5 bilhão de católicos romanos (latinos e orientais) de todo o mundo.
Ordenanças da Cidade do Vaticano são publicadas em italiano; documentos oficiais da Santa Sé são emitidos principalmente em latim.
As duas entidades ainda têm passaportes distintos: a Santa Sé, como não é um país, apenas trata de questões de passaportes diplomáticos e de serviço; o Estado da Cidade do Vaticano cuida dos passaportes comuns. Em ambos os casos, os passaportes emitidos são muito poucos.
O Tratado de Latrão, de 1929, que criou a cidade-Estado do Vaticano, descreve-a como uma nova criação (preâmbulo e no artigo III) e não como um vestígio dos muito maiores Estados Pontifícios (756–1870), que anteriormente abrangiam a região central da Itália.
A maior parte desse território foi absorvida pelo Reino de Itália em 1860 e a porção final, ou seja, a cidade de Roma, com uma pequena área perto dela, dez anos depois, em 1870.
Os papas residem na área, que em 1929 tornou-se a Cidade do Vaticano, desde o retorno de Avinhão em 1377.
Anteriormente, residiam no Palácio de Latrão na colina Célio no lado oposto de Roma, local que Constantino deu ao Papa Milcíades em 313.
A assinatura dos acordos que estabeleceram o novo Estado teve lugar neste último edifício, dando origem ao nome Tratado de Latrão, pelo qual é conhecido.
A Cidade do Vaticano é um Estado eclesiástico ou teocrático-monárquico, governado pelo bispo de Roma, o Papa. A maior parte dos funcionários públicos são todos os clérigos católicos de diferentes origens raciais, étnicas e nacionais.
É o território soberano da Santa Sé (Sancta Sedes) e o local de residência do Papa, referido como o Palácio Apostólico.
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