Em 30/03/2023
Confrontos entre gangues por controle de territórios se tornam mais frequentes e violentos; desde o começo do ano, 531 pessoas foram assassinadas; violência sexual é usada para aterrorizar e extorquir a população.
Níveis descontrolados de violência estão resultando em mortes, sequestros, insegurança alimentar e deslocamentos no Haiti, disse o Escritório para os Direitos Humanos da ONU.
Um homem caminha por Cité Soleil, um dos bairros da capital do Haiti, Porto Príncipe, mais afetado pela violência das gangues.
A entidade das Nações Unidas registrou 531 mortes e 277 sequestros no país caribenho desde o começo do ano. Apenas nas duas primeiras semanas de março, foram 208 assassinatos. A causa é a disputa entre gangues por controle territorial.
Alvos aleatórios
Segundo o escritório, a maioria das vítimas foi baleada por atiradores de longa distância que atacam as pessoas dentro de casa ou nas ruas.
Os ataques são aleatórios e têm como alvo moradores de territórios controlados por gangues rivais.
A violência sexual também é usada pelos grupos criminosos como forma de aterrorizar a população.
Uma mulher em Porto Príncipe, Haiti, carrega água que comprou de um comerciante local.
O escritório aponta que membros de gangues abusam de meninas para extorquir as famílias.
Por conta do clima de insegurança, muitas escolas fecharam. Sem o amparo de um sistema educacional, várias crianças são recrutadas à força por grupos armados.
Deslocamento e fome
Os dados apontam que até a metade de março, mais de 160 mil pessoas se deslocaram para fugir dessas ameaças e estão vivendo em condições precárias, sem acesso a serviços básicos, como água potável.
A crise de segurança pública também elevou o preço dos alimentos e em diversas partes da capital, Porto Príncipe, a fome está atingindo níveis alarmantes.
Em resposta ao conflito de gangues em Cité Soleil, o Unicef e seus parceiros intensificaram os esforços para fornecer acesso à água potável e saneamento adequado para as populações afetadas.
Durante sua visita ao Haiti em fevereiro, o alto comissário da ONU para os direitos humanos, Volker Turk, fez um alerta à comunidade internacional que ainda não foi respondido.
Reparação às vítimas
O escritório pede que as autoridades haitianas respondam imediatamente a essa crise. O órgão sugere que a polícia local seja reforçada e capacitada a combater a violência observando as obrigações de direitos humanos.
De acordo a entidade das Nações Unidas, é necessário interromper o ciclo de violência, corrupção e impunidade.
Os “responsáveis por financiar as gangues devem ser punidos com o rigor da lei e as vítimas indemnizadas”.
O levantamento também propõe que a comunidade internacional considere a implementação de uma tropa especializada e temporária, guiada por um plano de ação preciso e pelas normas de direitos humanos.
Violência de gangs
Novos confrontos entre gangues na capital do Haiti e além mataram pelo menos 187 pessoas em menos de duas semanas e feriram mais de 150 outras, disse a ONU na terça-feira (21Março2023).
A nova onda de violência registrada entre 27 de fevereiro e 9 de março na capital, Port-au-Prince, e na região central de Artibonite também desalojou centenas de pessoas e forçou os agricultores a abandonar os campos à medida que a fome piora, disseram autoridades.
“A situação é ainda mais alarmante para as crianças, que muitas vezes são submetidas a todas as formas de violência armada, incluindo recrutamento forçado e violência sexual“, afirmou a ONU no Haiti.
A onda de violência no centro do Haiti tem sido amplamente atribuída a uma gangue chamada “Baz Gran Grif“, que se traduz aproximadamente como “Big Claw Crew“.
Além disso, cerca de 260 sequestros foram relatados desde o início do ano, com pessoas sequestradas de suas casas ou locais públicos, disseram as autoridades.
As gangues ficaram mais poderosas desde o assassinato do presidente Jovenel Moïse (Foto acima) em 07 de julho de 2021 e já controlam cerca de 60% de Porto Príncipe.
Eles também se enfrentaram nas cidades centrais de Petite Riviere de l’Artibonite, Verrettes, Estere e Liancourt.
O primeiro-ministro Ariel Henry (Foto acima) sinalizou na semana passada que está tentando mobilizar os militares do Haiti para ajudar um departamento de polícia com poucos recursos e pessoal a combater a violência implacável das gangues, que forçou um número crescente de escolas e empresas a fechar.
Deixe um comentário