Cientistas descrevem nova espécie de fósseis de morcego de 52 milhões de anos

Em 18/04/2023

Tempo de leitura: 3 minutos

Esqueletos encontrados no estado de Wyoming, nos Estados Unidos, pertencem a espécie recém-descoberta de mamífero que viveu no período Eoceno.

 

Uma nova espécie de morcego que viveu há cerca de 52 milhões de anos foi descoberta com base em dois esqueletos encontrados na American Fossil Quarry, a noroeste da cidade de Kemmerer, em um antigo leito de lago em Wyoming, nos Estados Unidos.

Esqueleto de morcego Icaronycteris gunnelli.

As ossadas de morcegos de 52 milhões de anos descobertos são os mais antigos fósseis desses animais já recuperados e revelam uma nova espécie. O estudo sobre os ossos foi publicado em 12 de abril no periódico PLOS ONE.

A pesquisa, liderada por especialistas do Museu Americano de História Natural e do Centro de Biodiversidade Naturalis em Leiden, na Holanda, cita os depósitos do Lago Fóssil da Formação Green River, de Wyoming, que produziram quase 30 fósseis de morcegos nos últimos 50 anos.

Tim Rietbergen (Foto acima), biólogo evolutivo do Centro de Biodiversidade Naturalis, identificou as espécies de morcegos até então desconhecidas quando começou a coletar medições e outros dados de espécimes de museus. “Esta nova pesquisa é um passo à frente na compreensão do que aconteceu em termos de evolução e diversidade nos primórdios do morcego”, disse ele.

O registro fóssil de morcego é irregular, e os dois fósseis que Rietbergen identificou como uma nova espécie foram achados de sorte – excepcionalmente bem preservados e revelando os esqueletos completos dos animais, incluindo dentes. “Os esqueletos de morcegos são pequenos, leves e frágeis, o que é muito desfavorável para o processo de fossilização. Eles simplesmente não se preservam bem”, disse ele.

Classificação dos fósseis

Os pesquisadores classificaram os fósseis como pertencendo a uma terceira espécie: Icaronycteris gunnelli. O nome é uma homenagem a Gregg Gunnell, um paleontólogo da Universidade Duke, nos EUA, que morreu em 2017 e fez extensas contribuições para a compreensão dos morcegos fósseis.

Um dos dois exemplares de I.gunnelli foi encontrado em uma camada mais abaixo do que todos os outros morcegos da Formação Green River. Isso torna a espécie mais antiga do que qualquer outra do depósito, conforme explica Arvid Aase, gerente do sítio fossilífero.

A recém-descoberta espécie extinta de morcego – Icaronycteris gunnelli – não era muito diferente dos morcegos que voam hoje. “Seus dentes revelaram que ele vivia de uma dieta de insetos. Era minúsculo, pesando apenas 25 gramas. Se dobrasse as asas junto ao corpo, caberia facilmente na sua mão. Suas asas eram relativamente curtas e largas, refletindo um estilo de voo mais esvoaçante“, pontuou Rietbergen.

No entanto, essa diversidade até agora foi limitada a só duas espécies. “Curiosamente, a maioria dos espécimes que saíram dessa formação foram identificados como representando uma única espécie, Icaronycteris index, até cerca de 20 anos atrás, quando uma segunda espécie de morcego pertencente a outro gênero foi descoberto“, conta Nancy Simmons (Foto abaixo), coautora do estudo, em comunicado.

A pesquisadora, que é curadora responsável pelo Departamento de Mamologia do Museu, ajudou a descrever a segunda espécie em 2008. “Sempre suspeitei que deve haver ainda mais espécies lá”, disse ela.

As suspeitas de Simmons se provaram corretas devido a dois fósseis: um esqueleto excepcionalmente bem preservado, coletado por um colecionador particular em 2017 e adquirido pelo Museu Americano; e uma segunda ossada, achada na mesma pedreira em 1994 e pertencente às coleções do Museu Royal Ontário, no Canadá.

Espécies vivas

Hoje, existem mais de 1.400 espécies vivas de morcegos encontradas em todo o mundo, com exceção das regiões polares. Mas como as criaturas evoluíram para ser o único mamífero capaz de voar motorizado não é bem compreendido.

Esqueleto de morcego Icaronycteris gunnelli.

“>Este morcego em particular viveu quando o clima da Terra era quente e úmido, fora do alcance de predadores e em um ambiente mais propício à fossilização. O antigo leito do lago fóssil localizado a noroeste da cidade de Kemmerer (EUA), faz parte da Formação Green River de Wyoming e produziu vários fósseis de morcegos.


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