Colômbia pagará mais de 18,5 milhões para remover hipopótamos de Pablo Escobar

Em 18/04/2023

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Os hipopótamos de Escobar são considerados o maior rebanho da espécie fora da África.

 

A Colômbia irá exportar 120 hipopótamos que pertenciam ao fundador e líder do Cartel de Medellín, Pablo Emilio Escobar Gaviria, e que que nasceram no país e hoje vivem soltos pelo país após importação ilegal dos animais pelo traficante nos anos de 1980.

Os animais serão enviados para Índia, México e Equador, com em uma operação avaliada em US$ 3,5 milhões (R$ 18,5 milhões).

As autoridades colombianas planejam capturar e mover metade dos hipopótamos nos próximos meses. Segundo o jornal britânico The Guardian, dez animais serão levados para o Santuário Ostok, no autoridades colombianas, e com o proprietário do Santuário de Ostok, Ernesto Zazueta, e o restante será enviado para outras instalações na Índia e no Equador, que ainda não tem o nome definido.

De acordo com as autoridades colombianas, e com o proprietário do Santuário de Ostok, Ernesto Zazueta, a operação consistirá em atrair os hipopótamos com iscas para os cercados, onde ficarão presos e colocados em caixotes para as transferências.

Zoológico particular

Uma das extravagâncias de Escobar, morto pela polícia colombiana em 2 de dezembro de 1993, foi montar um zoológico particular na Hacienda Nápoles, onde também tinha uma casa de luxo.

No final dos anos de 1970, o traficante colombiano Pablo Escobar manteve quatro hipopótamos em um zoológico particular em sua residência em Hacienda Nápoles, 100 milhas (62 milhas) a leste de MedellínColômbia . Eles foram considerados muito difíceis de apreender e mover após a morte de Escobar e, portanto, deixaram na propriedade autônoma.

O narcotraficante gastou o equivalente a US$ 5 milhões (cerca de R$ 26 milhões) na compra de quatro hipopótamos, além de elefantes, zebras, girafas, cangurus e outras espécies.

O negócio foi fechado com os irmãos Don e Brian Hunt, donos de um criadouro próximo a Dallas, no Texas (EUA).

A primeira leva dos animais comprados pelo colombiano foi transportada de barco. Outra parte, veio em voos clandestinos de aviões cargueiros fretados por Escobar para agilizar o processo.

As projeções populacionais estimam que podem existir milhares dentro de algumas décadas. Os hipopótamos colombianos atingem a maturidade sexual mais cedo do que os hipopótamos africanos.

Abandono e disputa judicial

Depois da morte de Escobar, a Hacienda Nápoles virou alvo de disputa judicial entre herdeiros e o governo e ficou abandonada.

Alguns dos animais morreram de fome e outros foram vendidos ou doados a zoológicos, mas os hipopótamos ficaram e se adaptaram muito bem à região. Após um longo processo, a gigantesca área da fazenda ficou para o governo, e a população de hipopótamos cresceu.

Sem predadores naturais na América do Sul, eles passaram a tomar conta não só da área de 22 km² da propriedade, como também de uma das principais vias navegáveis da Colômbia, o rio Magdalena.

Atualmente, a Hacienda Nápoles foi arrendada por uma empresa privada que administra o espaço – que foi transformado em parque temático.

Animais esterilizados para conter reprodução

O rebanho de Escobar afeta o ecossistema local de inúmeras maneiras – por exemplo causando o deslocamento de espécies nativas como o peixe-boi e até alterando a composição química da água dos rios.

Sendo assim, em 2021, um grupo de hipopótamos foi esterilizado. Para isso, foi usado um produto químico que os torna inférteis, com disparo de dardos.

Ao todo, 24 dos 80 animais que rondam a região da fazenda passaram pelo procedimento. Além das consequências na natureza, um agricultor ficou seriamente ferido depois de ter sido atacado por um hipopótamo em 2020.


Tags: autoridades colombianas, Cartel de Medellín, Colômbia, Equador, Ernesto Zazueta, Hipopótamos, Índia, México, Pablo Escobar, Santuário de Ostok

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