“Bebê de pedra”: idosa descobre feto calcificado e morre após cirurgia

Em 21/03/2024

Tempo de leitura: 4 minutos

Mulher de 81 anos descobriu a condição rara chamada de litopédio após dar entrada no Hospital Regional Dr. José de Simone Netto, de Ponta Porã.

 

A idosa Daniela Almeida Vera, de 81 anos, descobriu que carregava um feto calcificado em seu corpo há décadas após dar entrada, com dores abdominais, no Hospital Regional Dr. José de Simone Netto, de Ponta Porã (MS).

Daniela, que era indígena e morava em um assentamento no município de Areal Moreira, morreu após a cirurgia para tentar retirar o feto calcificado, que causou um quadro de sepse na mulher.

Segundo a nota do hospital, “a paciente citada deu entrada na unidade em 14 de março apresentando infecção grave. Dez dias antes da internação, a paciente sofreu queda e permaneceu, segundo relato próprio, com dores e mal-estar – optando por procurar os serviços hospitalares apenas na semana seguinte”.

Transferência para atendimento

De acordo com o secretário de saúde de Ponta Porã, a idosa morava em Aral Moreira, que fica a 84 quilômetros do município. Ela já tratava uma infecção urinária na cidade onde residia.

Devido à piora no quadro clínico, a idosa teve que ser transferida para o HR da cidade vizinha, onde a equipe médica chegou a suspeitar de um câncer.

Ela foi transferida para o hospital já em estado gravíssimo. “Após realização de exames, durante tomografia computadorizada foi diagnosticada presença de feto calcificado – condição rara chamada de litopédio, consequência de uma gravidez ectópica (gestação em que o óvulo fertilizado é implantado fora do útero) que evolui para morte fetal e calcificação”, explicou a nota do Hospital Regional de Ponta Porã.

A partir da infecção constatada, equipe médica da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) decidiu pela realização cirúrgica de emergência, com a finalidade de remover o feto e controlar o processo infeccioso”, continua a nota da instituição.

Ainda segundo o hospital, a cirurgia para retirada do feto foi adotada como medida para tentar impedir a morte da mulher, diante do quadro de sepse – condição desencadeada por uma inflamação que se espalha pelo organismo diante de uma infecção.

No entanto, a mulher morreu mesmo com a realização da cirurgia. “A direção e profissionais do Hospital Regional Dr. José de Simone Netto lamentam o falecimento da paciente e se solidarizam com familiares e amigos. Importante pontuar que a unidade manteve acolhimento e diálogo com os familiares, que ainda podem contar com apoio psicológico do hospital”, acrescentou a nota.

Segundo a filha da vítima, Rosely Almeida, de 21 anos, a mãe tinha muito medo de ir ao médico e preferia tratamentos alternativos. “Ela era antiga e somos indígenas, ela não gostava de ir ao médico, tinha medo dos aparelhos para fazer exame“, afirmou a filha mais nova de Daniela.

Agora, a família vive o luto pela matriarca que deixou sete filhos e 40 netos. “A gente tá em choque, é muita tristeza. Ela era nossa mãe, a única que protegia a gente e agora ela se foi, ficamos meio perdidas“, lamentou Rosely.

“Bebê de pedra”

Um caso parecido viralizou nas redes sociais no ano passado, no qual uma idosa de 84 anos moradora de Natividade, interior do Tocantins, descobriu que estava com um feto de sete meses calcificado em seu corpo há mais de 40 anos.

Os especialistas chegaram a dizer que o caso é intitulado como “bebê de pedra”.

Na época, Mariana Betioli, obstetriz especialista em saúde íntima e CEO da Inciclo, explicou à CNN que o ocorrido é possível e é chamado na medicina de “litopédio”, quando o feto acaba se desenvolvendo fora do útero. Ele não tem condições de se desenvolver no abdômen, então acaba morrendo com o passar dos meses. Depois disso, se não retirado do corpo, os tecidos ressecam e acabam se calcificando.

Essa é um condição muito rara. Acontece quando é uma gravidez ectópica, em que o feto morre e não é reabsorvido pelo organismo da mãe e se calcifica. É como se se formasse uma concha de cálcio envolta do feto, 60% dos casos acontece com mulheres acima dos 40 anos”, explicou a especialista.

O fato pode acontecer por negligência à retirada do feto do organismo, assim que se tem ciência de que está morto. Os fatores podem estar interligados com a falta de conhecimento e acesso à saúde por uma população mais pobre.

Mariana explicou que a mulher pode nem sentir a calcificação, dificultando ainda mais a identificação do feto morto ali: “Normalmente a mulher não apresenta sintomas, por isso essa condição acaba sendo diagnosticada por acaso somente anos depois da gravidez”.

 

 

 


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