Em 20/02/2023
O site norte-americano estaria vendendo ilegalmente fósseis de insetos do período Cretáceo.
Um site americano estaria vendendo ilegalmente fósseis de insetos que viveram na pré-história no semiárido do nordeste. Pelo menos 214 fósseis estão à venda no site que está sendo investigado pelo MPF (Ministério Público Federal) no Estado do Ceará.
Quem fez a denúncia da venda dos fósseis – que são propriedade da União – foi o professor e pesquisador da UFPI (Universidade Federal do Piauí), Juan Carlos Cisneros Martínez.
Juan Carlos Cisneros Martínez é um biólogo, paleontólogo, pesquisador e cientista salvadorenho naturalizado brasileiro e especializado na área de vertebrados. É conhecido por ter descrito novas espécies de vertebrados permo-triássicos e por ter denunciado casos de colonialismo científico e tráfico de fósseis.
Se comprovada a suspeita de que o material saiu ilegalmente do Brasil, o objetivo é que a Justiça dos Estados Unidos seja acionada para determinar a apreensão e devolução dos fósseis ao território latino-americano.
3120 USD por uma cigarra, 3900 USD por uma libélula! Seguramente comprados de uma pessoa humilde pelo valor de uma aguardente qualquer. 3+ pic.twitter.com/0eVJO3B0v7
— Prof. Juan Cisneros ⚒️ 🐉 (@PaleoCisneros) January 21, 2023
Venda ilegal de fósseis
De acordo com o preceitua uma lei federal de Proteção ao Patrimônio Paleontológico, datada do ano de 1942, os fósseis pertencem à União e por isso não podem ser enviados ao exterior. Com isso, qualquer peça que seja enviada após esse ano, é considerada contrabando de material paleontológico.
Algumas páginas do site foram visitadas e nelas foram encontradas fósseis à venda por US$ 3.900 (cerca de R$ 20 mil).
De acordo com o professor, a classe dos artrópodes do Araripe ainda não é muito estudada e essas peças poderiam auxiliar no conhecimento de espécies que viveram no Cretáceo.
“Nem todo fóssil que encontramos aqui tem o nível de detalhamento como o que a gente vê sendo vendido, principalmente os mais caros“, pontua Juan Cisneros.
Esta loja nos EUA está vendendo toneladas de fósseis brasileiros. Nossos fósseis são propriedade da União, sua exportação é controlada, para fins científicos, e a sua venda é ilegal. A lei de proteção ao patrimônio paleontológico é de 1942. 1+ pic.twitter.com/jBFNhJcSoR
— Prof. Juan Cisneros ⚒️ 🐉 (@PaleoCisneros) January 21, 2023
Bacia do Araripe
Em entrevista Juan Cisneros, explicou que os fósseis só poderiam ter saído ilegalmente do Brasil antes de 1942, no entanto, eles estão em depósitos de calcário na bacia do Araripe, os quais não eram conhecidos naquela época.
“Os fósseis anunciados por esta loja são do Período Cretáceo, encontrados na Chapada do Araripe, região situada entre Ceará, Pernambuco e Piauí. Mesma região onde foi encontrado o dinossauro “Ubirajara jubatus”, contrabandeado para Alemanha. São vendidos a preços absurdos“, pontuou.
De acordo com o professor, esses achados são considerados relíquias por seu excelente estado de conservação. Esse local é um dos mais importantes no mundo para a pesquisa paleontológica do período Cretáceo.
“São insetos que viveram no período Cretáceo, há 100 milhões de anos. Eles são um documento importante da história do nosso planeta e contam como era o ambiente no Brasil na época dos dinossauros“, explicou.
Fósseis no exterior
De acordo com o procurador da República, Rafael Rayol, diversas peças já foram localizadas no exterior e para isso, o MPF conta com a ajuda de pesquisadores.
Peças já foram localizadas em museus, com colecionadores e sendo comercializadas na internet. Com o resgate de fósseis que estavam irregularmente no exterior, o Brasil já conseguiu muitas vitórias.
“Temos vários casos que tiveram sucesso na França, onde em maio do ano passado, por exemplo, foram devolvidos mil fósseis contrabandeados depois de longa disputa. Mas já tivemos também aqueles que vieram da Itália e dos EUA“, disse.
Ele também contou que casos como esse foram encontrados em páginas do Reino Unido, Alemanha, França, Espanha e Holanda.
De acordo com ele, já foram localizadas peças também em museus da Coreia do Sul e do Japão. Para o site, um procedimento de apuração já foi instaurado.
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